O assassinato a tiros da médica Elyne de Assis Nogueira, de 39 anos, ocorrido na noite desta segunda-feira, 2, em Brasiléia, no interior do Acre, pode elevar para seis o número de feminicídios registrados no estado em 2026. Dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, apontam cinco vítimas entre julho e setembro deste ano.
A morte de Elyne é investigada como possível feminicídio. O principal suspeito de planejar e encomendar o assassinato é o advogado, ex-procurador e ex-companheiro da vítima, Francisco Valadares Neto.
A médica tinha uma medida protetiva de urgência contra Francisco e havia registrado dois boletins de ocorrência envolvendo o ex-companheiro, em 25 de agosto e 11 de setembro de 2026. O segundo registro relatava novas ameaças feitas pelo advogado.
Os cinco feminicídios contabilizados pelo Sinesp ocorreram em quatro municípios acreanos: Rio Branco, Cruzeiro do Sul, Manoel Urbano e Xapuri. Além das mortes, o estado registrou 30 vítimas de tentativa de feminicídio entre janeiro e setembro.
Cinco feminicídios registrados entre julho e setembro
Segundo o levantamento do Sinesp, três mulheres foram vítimas de feminicídio em julho, uma em agosto e uma em setembro. Entre os casos registrados no período, estão assassinatos de mulheres cometidos por companheiros ou ex-companheiros.
Em julho, o Acre registrou dois feminicídios em menos de 48 horas.
O primeiro ocorreu em 5 de julho, na comunidade Japãozinho, em Cruzeiro do Sul. Juliana Barbosa, de 44 anos, foi assassinada pelo ex-companheiro, que não aceitava o fim do relacionamento de 30 anos.
Um dia depois, em Manoel Urbano, Maria Ferreira da Silva Almeida, de 49 anos, foi morta a facadas pelo marido, Osmar Pinheiro da Silva, de 58 anos. Segundo a investigação, o crime teria ocorrido após uma discussão motivada por ciúmes. O homem tirou a própria vida depois do assassinato.
Ainda em julho, Reginaria Bandeira da Silva, de 28 anos, foi encontrada morta em uma área de mata às margens do km 18 da AC-10, na zona rural de Rio Branco.
A jovem havia desaparecido no dia 25, depois de sair de casa acompanhada do namorado. Em 27 de julho, José Silva dos Santos foi preso após confessar o assassinato e indicar à polícia onde estava o corpo. A investigação apontou a possibilidade de o crime ter sido motivado pelo interesse da vítima em terminar o relacionamento.
Outro caso ocorreu na capital, em setembro. Maria Ramona Araújo da Silva, de 18 anos, foi encontrada morta dentro de um apartamento no bairro Conquista, em 2 de setembro, com um grave ferimento no pescoço.
O autor do crime, Daniel Nestor Guzman, conhecido como “Argentino”, de 40 anos, já havia sido condenado a 24 anos de prisão pelo assassinato da então esposa, a venezuelana Betzabeth Miguelina Adam Daza, de 23 anos, que estava grávida de seis meses quando foi morta, em julho de 2018.
Em Xapuri, uma mulher de 29 anos morreu após ser atingida por um tiro na cabeça dentro da própria casa, no Ramal do Catete, na zona rural do município, em 29 de setembro.
O marido, identificado pelas iniciais F.M.S., foi preso em flagrante. Em depoimento, ele afirmou que manuseava uma arma de fogo quando ocorreu um disparo acidental. A Polícia Civil passou a investigar a ocorrência como possível feminicídio.
Acre registrou 30 vítimas de tentativa de feminicídio em nove meses
Além dos assassinatos, dados do Sinesp mostram que 30 mulheres foram vítimas de tentativa de feminicídio no Acre entre janeiro e setembro de 2026.
Rio Branco concentrou o maior número de registros, com nove vítimas, o equivalente a 30% do total estadual. Cruzeiro do Sul aparece em seguida, com três vítimas.
Outros seis municípios registraram duas vítimas cada: Assis Brasil, Bujari, Capixaba, Epitaciolândia, Rodrigues Alves e Sena Madureira.
Já Acrelândia, Jordão, Manoel Urbano, Senador Guiomard, Tarauacá e Xapuri contabilizaram uma vítima cada no período.
Onde buscar ajuda em casos de violência contra a mulher
Mulheres em situação de violência, assim como pessoas que tenham conhecimento de ameaças ou agressões, podem procurar os serviços da rede de proteção.
A Central de Atendimento à Mulher, pelo número 180, funciona gratuitamente, 24 horas por dia, todos os dias da semana. O serviço oferece orientações sobre direitos e encaminha denúncias aos órgãos competentes.
Em situações de emergência, quando a violência está acontecendo ou existe risco imediato, a Polícia Militar deve ser acionada pelo 190.
No Acre, a Secretaria de Estado da Mulher (Semulher) também disponibiliza orientações sobre a rede de atendimento e os serviços especializados.
Confira os canais de apoio à mulher:
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Polícia Militar: 190, para situações de emergência;
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Central de Atendimento à Mulher: Ligue 180, gratuito e disponível 24 horas;
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WhatsApp do Ligue 180: (61) 9610-0180;
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Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), em Rio Branco: (68) 3221-4799;
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Centro de Atendimento à Vítima (CAV): (68) 99993-4701;
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Secretaria de Estado da Mulher (Semulher): (68) 99605-0657;
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Casa Rosa Mulher: (68) 3221-0826.
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