A fé cristã deixou os templos e assumiu um papel central nas disputas pelo Palácio do Planalto nos últimos pleitos presidenciais no país. O fenômeno é detalhado na obra “O Deus das urnas: evangélicos e católicos em eleições presidenciais no Brasil”, lançada pela Editora Telha e escrita pelo sociólogo Alexandre Landim.
Aproximação entre fé e política
O estudo examina o período entre 2010 e 2022 para compreender como candidatos incorporaram a retórica sagrada em suas campanhas e de que maneira o eleitorado religioso se comporta nas urnas. O material resgata o histórico político recente ao destacar a forte mobilização em torno de pautas morais, costumes, aborto e estruturas familiares, que passaram a disputar espaço com debates econômicos clássicos, a exemplo de juros, inflação e distribuição de renda.
Mudanças demográficas e polarização nas urnas
A publicação também retrata as profundas transformações demográficas da população brasileira, marcada pela redução de fiéis católicos e pelo crescimento expressivo da comunidade evangélica. Conforme o levantamento aponta, a divisão entre esses dois segmentos nas preferências políticas se aprofundou na última década, gerando um novo cenário onde a crença religiosa atua como pilar fundamental na decisão do sufrágio, somando-se a aspectos socioeconômicos e ideológicos.
Metodologia inédita e perfil do autor
Para fundamentar suas conclusões, o pesquisador uniu forças a mais de cem levantamentos de opinião pública sistematizados, algo inédito nesse campo de estudo, além de recorrer a um vasto acervo de matérias jornalísticas. Alexandre Landim possui formação pela Universidade de São Paulo, mestrado e doutorado por instituições cearenses, vivência internacional na École des Hautes Études en Sciences Sociales e atua como docente de sociologia no Instituto Federal do Ceará.
Com mais de dez anos dedicados à investigação do fenômeno religioso no Brasil, o autor entrega um panorama acessível tanto para acadêmicos quanto para leitores interessados nos cruzamentos entre cultura, comportamento, religiosidade e o cenário político nacional.
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