Fla 2 x 1 Corinthians
Brasileirão

Jogo Grande, Tá no Sufoco, Chama o Bruno Henrique

13/09/2026 7 views 5 min de leitura
Fla 2 x 1 Corinthians
Fla 2 x 1 Corinthians

Crônica de um carioca apaixonado por futebol arte

Por Marcelo Mesquita, 13/09/2026

Não foi fácil, meus amigos, o Flamengo venceu o Corinthians por dois a um, no Maracanã lotado, pela vigésima sétima rodada do Campeonato Brasileiro, no finalzinho do jogo — vitória dramática, dessas que envelhecem torcedor em noventa minutos. O que se desenhava, desde o apito inicial, como triunfo tranquilo — dado o volume de jogo do Mais Querido no primeiro tempo e a enxurrada de chances criadas — quase virou problema sério, dos que dão insônia. E como venho batendo na mesma tecla desde a última coluna sobre a Libertadores: a altitude que o BH27 dominou contra o Del Valle não é força de expressão, não é metáfora de cronista inspirado. O sujeito resolve o problema onde for preciso resolver. Se ali brinquei com a letra do hino, hoje ele resolveu “em terra” mesmo, no maior palco do futebol, com 70.112 testemunhas presenciais, decidindo partida que se arrastava perigosamente rumo ao fim.

O primeiro tempo: volume sem contundência

Numa rodada em que o Palmeiras, na véspera, venceu um São Paulo desconfigurado e assumiu a ponta, o Flamengo precisava dar resposta imediata. E deu volume, deu troca de passe, deu entrada na área — mais de dezesseis finalizações, seis no alvo. O goleiro Hugo Souza fez milagre, é verdade, mas o problema, meu parceiro, foi outro: o Flamengo insistiu em jogar futebol de salão dentro da área adversária, tocando quando a situação já pedia arremate de meia e longa distâncias em campo molhado e escorregadio. No lance mais claro de todos, com a zaga corintiana finalmente cochilando depois de tanto sofrer, Varela chutou com a perna errada, tendo Arrascaeta e Pedro livres, de frente pro gol, só esperando o passe. Faltou faro de matador. A bola foi visitar a Gávea. Zero a zero no intervalo foi castigo puro pra quem produziu tanto e converteu tão pouco.

O segundo tempo: do alívio ao sufoco

O gol saiu logo na volta, com mais uma bobeira de Hugo Souza a favor do Fla — acho que ele ainda não cortou o cordão umbilical com as próprias origens rubro-negras —, atrapalhando-se com o próprio zagueiro. Paquetá, oportunista raiz, que não tem nada a ver com isso, meus caros, agradeceu e estufou a rede sem pestanejar. Só que veio o erro crasso na sequência: o Flamengo resolveu cozinhar o jogo, administrar vantagem mínima como quem administra fortuna com conta no vermelho. E o banho-maria, esse costume tão brasileiro de tentar segurar resultado no fogo baixo, tomou um belo susto quando a chuva começou a cair firme sobre o Rio — porque não tem banho-maria que resista quando cai chuva de verdade em cima da panela, e o Flamengo aprendeu isso na marra, achando que o jogo já estava assado quando ainda faltava fervura pela frente. Contra gigante como o Corinthians, um a zero é placar de quem brinca com fogo.

Fernando Diniz, do outro lado, foi cirúrgico. Com a cabeça já na Libertadores, poupou titular — mas, ao sentir o Flamengo esfriando de vez, acionou a cavalaria: Garro, Breno Bidon, nome de peso saindo do banco pra virar a maré. O Corinthians cresceu, passou a pressionar, e o Flamengo ainda perdeu Ayrton Lucas, lesionado numa arrancada. A entrada de Alex Sandro, sem ritmo nenhum, escancarou a lateral esquerda inagurando a Avenida Alex Sandro. Foi por ali, sem cerimônia, que o Corinthians tabelou, a defesa cochilou de novo, e saiu o empate que gelou o Maracanã por completo. O Palmeiras pulava pra ponta.

O desfecho: quem tem BH…

O cenário virou trocação pura, ataque de um lado, ataque do outro, até que Léo Jardim mexeu direito: Bruno Henrique, Freitas, Jorginho, Carrascal, tudo dentro. A oxigenação surtiu efeito na hora certa. O Flamengo recuperou o próprio ritmo e, já aos quarenta e quatro minutos, numa trama coletiva bem azeitada, Freitas, nova contratação do Mengão, foi até a linha de fundo e cruzou na régua. Lá estava ele, dono do jogo, BH27, testando firme — estopa, como diria o falecido Apolinho, dois a um garantido, alívio geral nas arquibancadas.

No fim das contas, vitória é o que sustenta liderança, mas fica o alerta gravado: o Flamengo precisa de mais eficiência se quiser manter o Palmeiras no retrovisor pelo resto da temporada. Jogo grande sempre chama o protagonista de plantão — mas o coletivo não pode se dar ao luxo de cochilar em campo e desperdiçar tanta chance quanto desperdiçou naquele primeiro tempo, porque nem todo domingo tem Bruno Henrique de reserva no banco pra resolver o que o time inteiro deixou de fazer antes.

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