Bonde do Mengão Sem Freio
Brasileirão

O Bonde do Mengão Sem Freio Passou Por Cima do Mirassol — E o Porco Ficou Devendo Explicação

17/08/2026 11 views 4 min de leitura
Bonde do Mengão Sem Freio
Bonde do Mengão Sem Freio

Por Marcelo Mesquita, 17/08/2026

Por acaso alguém anotou a placa do caminhão que atropelou o Mirassol? Ou será que o nome certo, o nome de batismo, é outro — o Bonde do Mengão Sem Freio, aquele hit funk dos MCs Rell e K9 que virou hino da Gávea lá por 2011, quando Vanderlei Luxemburgo comandava um time liderado em campo por Ronaldinho Gaúcho e Thiago Neves? Porque o que aconteceu ontem, no Maião — o Estádio Municipal José Maria de Campos Maia, casa do Mirassol, na cidadezinha do interior paulista — foi isso: um bonde descarrilhado passando por cima da casa alheia sem pedir licença nenhuma. O Flamengo não apenas venceu o Mirassol por cinco a um. Não tomou conhecimento dele. E não tomar conhecimento do dono da casa, convenhamos, já é falta grave de educação — mesmo quando a casa em questão é, tecnicamente, a de outro time.

E olha que poderia ter sido pior, bem pior. Porque o Carrascal — esse rapaz que entra em campo do mesmo jeito que entra na casa dos outros, sem bater à porta —, depois que a zaga rubro-negra recuperou a bola no meio-campo, saiu correndo com aquela cara de quem já sabia o final da história antes de começar a contar. Driblou o primeiro, driblou o segundo, ganhou a corrida do terceiro, e o zagueiro Denilson, vendo o mal-educado entrando sem convite no seu campo mais uma vez, não teve alternativa: agarrou. Falta clara para cartão vermelho, e o juiz Rafael Klein — que já tem, cá entre nós, um histórico de pouca simpatia pelos jogadores do Flamengo — resolveu punir com um cartão amarelo apenas. A torcida, com toda razão, ficou possessa. Foi ainda no fim do primeiro tempo, com o Fla ganhando apenas de um a zero. E se, mesmo com os onze em campo, o Mengão já tinha dado de “cincum” — repetindo a proeza histórica daquele Jorge Jesus que goleou o Grêmio por cinco a zero no Maracanã, em 2019, credenciando o Malvadão para a final da Libertadores —, imaginem se aquele último homem do Mirassol tivesse mesmo sido expulso. Não seria surpresa nenhuma terminar em dez a um.

O Flamengo volta agora à disputa do Brasileirão contra seu arquirrival dos últimos anos, o Palmeiras, e segue fiel àquilo que já é parte da própria identidade do Mengão Malvadão, escrita a ferro e fogo em cada temporada: não deixem o Mais Querido chegar perto, porque quando ele chega, vem atropelando — o Mirassol que o diga, ainda zonzo, contando os buracos deixados pelo bonde que passou.

E por falar no Palmeiras — ah, o Palmeiras — alguém, por favor, explica o que está acontecendo com o Porco? Com investimento exorbitante em elenco recheado de talento caro, o Verdão simplesmente não anda jogando coisa nenhuma, comportamento tão paradoxal quanto contratar orquestra sinfônica inteira para tocar desafi

nado. A perda vergonhosa para o Fluminense, de virada, nos minutos finais, depois de vencer por dois a um até quase o apito final, tem o peso simbólico de quem não sabe mais segurar resultado nem com a mão espalmada. Como diz a piadinha que já virou trend nas redes: o papo que rola na internet é que o técnico Abel não sabe lidar com time caro demais? Será?

Esta semana promete ser quentíssima, meus amigos, porque os olhos de flamenguistas e palmeirenses estarão colados na Libertadores — é mata-mata, quem perder está fora, e, levando em conta o momento capenga do Porco, se a eliminação vier, o próprio Abel pode ser “cancelado” por dona Leila, mesmo depois de ela ter jurado aos quatro cantos que jamais demitiria técnico algum durante sua gestão. Porque há promessa de dirigente, e há paciência de torcida — e a torcida palmeirense, essa, não cogita, nem por um segundo, o vexame de terminar a temporada na vice liderança do Brasileirão e ainda fora da Libertadores, enquanto o Mengão, na reta final, sai por aí recolhendo as duas taças como quem recolhe troco esquecido no balcão.

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