Familiares e amigos de Elyne de Assis Nogueira, médica de 39 anos assassinada no Acre, reuniram-se em frente ao Pronto-Socorro de Rio Branco nesta sexta-feira, 6. O ato teve como objetivo exigir justiça pelo crime e manifestar repúdio a uma suposta transferência do advogado Francisco Valadares Neto — investigado como mandante do homicídio — para uma unidade de saúde em São Paulo.
O temor da impunidade
O suspeito, que também atua como procurador municipal em Brasiléia, encontra-se internado sob escolta policial na capital acreana desde a última terça-feira, 3. A notícia de uma possível remoção do investigado para fora do estado gerou indignação entre os parentes da vítima, que receiam que a medida dificulte a responsabilização penal.
Jamile Alves da Silva, prima da médica, expressou o sentimento de angústia da família em relação ao caso. “Sentimos muito medo de que esse crime fique impune. Por isso, nós pedimos a ajuda da população do Acre, porque é um crime que atinge a todos. Todo dia no Brasil quatro mulheres são vítimas de feminicídio”, declarou.
Sobre a origem da informação da transferência, Jamile acrescentou: “Não podemos falar se é verídico ou não, porque foi pelas redes sociais que ficamos sabendo também, assim como a notícia da transferência”.
Posicionamento oficial do governo
Em nota divulgada na sexta-feira, a Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre) negou qualquer movimentação para a transferência do paciente via Tratamento Fora de Domicílio (TFD). Segundo o órgão, não há procedimentos ou solicitações formais em curso para levar o advogado para São Paulo, reforçando que dados sobre o quadro clínico do paciente permanecem sob sigilo.
Investigação do feminicídio
Elyne de Assis Nogueira foi morta a tiros na noite de segunda-feira, 2, enquanto estava em um estabelecimento comercial em Brasiléia. O caso é tratado pela Polícia Civil como feminicídio, uma vez que a vítima possuía medidas protetivas de urgência contra o advogado após registrar boletins de ocorrência anteriores.
O executor do crime, identificado como Lucival Lopes de Souza, o “Pitaca”, foi preso na zona rural de Epitaciolândia na última quinta-feira, 5. Em depoimento, ele confessou o assassinato e detalhou que o crime teria sido encomendado pelo valor de R$ 40 mil. De acordo com as investigações, o executor teria recebido R$ 2 mil de forma antecipada.
Francisco Valadares Neto teve a prisão decretada pela Justiça. Ele foi encontrado desacordado em sua residência poucas horas após o homicídio, com suspeitas de uma tentativa de autoextermínio, e permanece sob cuidados médicos, o que tem impedido seu interrogatório formal pelas autoridades policiais.
Gerar Post/Story