Prima diz que médica assassinada no Acre não tinha relacionamento com suspeito de mandar matá-la: “Ele não aceitou o não”
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Prima diz que médica assassinada no Acre não tinha relacionamento com suspeito de mandar matá-la: “Ele não aceitou o não”

07/11/2026 3 views 4 min de leitura

A médica Elyne de Assis Nogueira, de 39 anos, assassinada a tiros em Brasiléia, no interior do Acre, não mantinha um relacionamento amoroso com o advogado Francisco Valadares Neto, investigado como possível mandante do crime. A afirmação é de Jamile Alves da Silva, prima da vítima, que relatou nesta sexta-feira, 6, que a perseguição e as ameaças teriam começado após Elyne rejeitar uma aproximação do suspeito.

Em entrevista ao portal A GAZETA, durante uma manifestação em frente ao Pronto-Socorro de Rio Branco, Jamile contou que o advogado chegou a convidar a médica para jantar. Segundo ela, Elyne aceitou o convite, mas decidiu se afastar depois de tomar conhecimento do histórico dele com outras mulheres.

A familiar afirmou que Francisco não teria aceitado a rejeição e passou a perseguir e ameaçar a médica.

“Ele convidou ela pra jantar como uma pessoa normal, ela aceitou o convite, mas logo depois, no outro dia, ela soube do histórico dele com as mulheres e se afastou, disse não, e ele não aguentou. Houve um não e começou a perseguir a minha prima e as ameaças começaram e resultaram no assassinato dela”, relatou.

O depoimento da prima apresenta a versão da família sobre a relação entre a vítima e o investigado. A motivação do assassinato ainda é apurada pela Polícia Civil.

Família cobra justiça e teme transferência do suspeito

A declaração foi dada durante um ato organizado por familiares e amigos de Elyne, nesta sexta-feira, 6, em frente ao Pronto-Socorro de Rio Branco, onde Francisco Valadares Neto permanece internado sob escolta policial.

Os manifestantes cobraram celeridade e transparência nas investigações e demonstraram preocupação com informações sobre uma possível transferência do advogado para um hospital em São Paulo.

“Queremos mostrar que não deixaremos cair no esquecimento, que ela também tem família”, afirmou Jamile.

A Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre) esclareceu, também nesta sexta-feira, que não recebeu solicitação formal nem iniciou qualquer procedimento para transferência do investigado por meio do Tratamento Fora de Domicílio (TFD).

O órgão ressaltou que informações sobre o estado de saúde do paciente são protegidas por sigilo e devem ser tratadas pelos canais apropriados.

 

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Suspeito está internado e teve prisão decretada

Francisco Valadares Neto, que é procurador municipal de Brasiléia, foi encontrado desacordado em sua residência na manhã de terça-feira, 3, poucas horas após o assassinato da médica.

Ele foi socorrido e transferido para o Pronto-Socorro de Rio Branco, onde permanece sob acompanhamento médico e escolta policial.

Até a última atualização divulgada, na quarta-feira, 4, o advogado estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), sob ventilação mecânica, com quadro clínico considerado estável.

A Justiça expediu mandado de prisão contra Francisco, conforme confirmou o delegado-geral da Polícia Civil do Acre, Pedro Bulzolin. Segundo os investigadores, o estado de saúde do advogado ainda não permitiu que ele fosse interrogado formalmente.

Crime teria sido encomendado por R$ 40 mil

A médica Elyne de Assis Nogueira foi morta a tiros na noite de segunda-feira, 2, enquanto estava em um bar de Brasiléia, acompanhada de amigos.

O homem apontado como executor do assassinato, Lucival Lopes de Souza, conhecido como Pitaca, foi preso na noite de quinta-feira, 5, na zona rural de Epitaciolândia.

Durante interrogatório, ele confessou ter efetuado os disparos que mataram a médica. Segundo o delegado Alex Danny, o crime teria sido encomendado por R$ 40 mil, dos quais R$ 10 mil seriam destinados ao executor.

A Polícia Civil investiga Francisco Valadares Neto como possível mandante e busca identificar outras pessoas que teriam participado da intermediação do crime.

A principal linha de investigação é a de feminicídio. Antes de ser assassinada, Elyne havia registrado boletins de ocorrência contra o advogado e possuía medida protetiva de urgência.

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