“Ele não tirou só os sonhos dela, ele tirou os nossos também.” A declaração emocionada é de Sâmia Regina, tia da médica Elyne de Assis Nogueira, de 39 anos, assassinada a tiros em Brasiléia, no interior do Acre. Durante um protesto por justiça realizado nesta sexta-feira, 6, em Rio Branco, ela relembrou a personalidade da sobrinha, a dedicação aos pacientes e os planos que foram interrompidos com sua morte.
Com um cartaz com a palavra “Justiça” nas mãos, Sâmia participou da manifestação em frente ao Pronto-Socorro de Rio Branco, onde está internado Francisco Valadares Neto, advogado e procurador municipal investigado como possível mandante do assassinato.
Ao falar sobre a sobrinha, a tia destacou que Elyne era conhecida pela gentileza, generosidade e disposição em ajudar outras pessoas. Segundo ela, essas características também estavam presentes no exercício da medicina, especialmente no atendimento à população da zona rural.
“A Elyne era doce, gentil. Eu falo que a gente perdeu um pouco do nosso amor e da nossa gentileza, porque ela era isso. Ela era amor, ela era gentileza”, declarou.
‘Ela estava fazendo mestrado’
Além da dedicação aos pacientes, Elyne também investia na própria formação profissional. Segundo Sâmia, a médica cursava mestrado e tinha planos para o futuro.
A tia descreveu a sobrinha como uma mulher batalhadora, estudiosa e comprometida com aquilo em que acreditava. Para ela, o assassinato interrompeu não apenas os projetos de Elyne, mas também os sonhos compartilhados pela família.
“Ela era doce, honesta, justa, grata, uma mulher batalhadora, estudiosa. A Elyne estava fazendo mestrado. Ele não tirou só os sonhos dela, ele tirou os nossos também”, afirmou.
Durante o depoimento, Sâmia também atribuiu o crime à vaidade de Francisco Valadares Neto, apontado pela Polícia Civil como possível mandante. A motivação do assassinato, no entanto, ainda é investigada.
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Família cobra justiça pelo assassinato
A manifestação reuniu familiares, amigos e integrantes de movimentos de combate ao feminicídio para cobrar a responsabilização dos envolvidos na morte de Elyne.
A médica foi assassinada na noite de segunda-feira, 2, enquanto estava em um bar de Brasiléia, acompanhada de amigos.
Francisco Valadares Neto permanece internado no Pronto-Socorro de Rio Branco desde terça-feira, 3, após ser encontrado desacordado em sua residência. A Justiça já expediu mandado de prisão contra ele.
O homem apontado como executor do crime, Lucival Lopes de Souza, conhecido como Pitaca, foi preso na quinta-feira, 5, e confessou ter efetuado os disparos. Segundo a Polícia Civil, o assassinato teria sido encomendado por R$ 40 mil.
A principal linha de investigação é a de feminicídio. A polícia também apura a participação de outras pessoas na articulação do crime.
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