A mobilização para alterar a legislação trabalhista brasileira ganhou reforço presencial no Congresso Nacional nesta quarta-feira, 14. A deputada federal eleita Perpétua Almeida (PCdoB) esteve em Brasília para pressionar pelo encerramento da jornada 6×1 e pela implementação do regime 5×2, que garante dois dias consecutivos de repouso remunerado para a classe trabalhadora.
Impacto na rotina das famílias e sobrecarga feminina
Ao se manifestar pelas redes sociais diretamente das dependências do Legislativo, a parlamentar ressaltou que a redução dos dias consecutivos de serviço é fundamental para assegurar a convivência familiar e o bem-estar social.
“Já estou aqui no Senado para acompanhar a votação pelo fim da escala 6×1. O povo brasileiro, os trabalhadores, merecem descanso, merecem um dia a mais livre para cuidar de suas famílias. Quem, de fato, defende a família, defende que os pais possam estar próximos de seus filhos sempre que quiserem”, afirmou.
Além da convivência com os filhos, Perpétua enfatizou a situação vulnerável enfrentada pelo público feminino. Para a parlamentar, o modelo vigente sobrecarrega de forma desproporcional as trabalhadoras, que frequentemente enfrentam dupla ou tripla jornada ao conciliar o emprego com tarefas domésticas.
“Os trabalhadores se dedicam a semana inteira e só têm um dia de descanso, e isso é ainda pior para as mulheres, porque não têm descanso, porque, na verdade, vão cuidar de outras coisas”, disse.
Críticas à proposta de negociação individual
A deputada federal eleita rejeitou a tese de que o limite da jornada deva ser estabelecido por acordos bilaterais sem amparo legal. Em seu posicionamento, ela direcionou críticas a declarações dos parlamentares Eduardo Bolsonaro e Flávio Bolsonaro, pontuando que o trabalhador fica em desvantagem caso a legislação não estabeleça normas claras.
“Vamos acompanhar de perto e vamos, sim, derrubar a escala 6×1, vamos garantir a escala 5×2. Diferente do que alguns pregam, como o Eduardo e o Flávio Bolsonaro, que defendem manter essa escala e deixar do jeito que está para que se negocie com o patrão. Mas já imaginou todo mundo ligando para o seu patrão para definir em que horário vai ficar? É preciso regras e leis, leis que ajudem o trabalhador a trabalhar e a descansar, e do jeito que está hoje não dá”, declarou.
A matéria segue em debate entre as lideranças partidárias, em meio à forte pressão popular e sindical para que o texto avance nas comissões e no plenário do Congresso.
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