O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, gerou uma nova crise diplomática ao declarar que recursos energéticos e minerais do Ártico começarão a ser extraídos em breve. Em postagem na rede Truth Social, o republicano se referiu ao território semiautônomo dinamarquês como “nossa nova e bela Groenlândia”, celebrando supostos avanços obtidos após negociações bilaterais de segurança.
Na mensagem, o líder norte-americano afirmou categoricamente: “Uma exploração em grande escala de petróleo, gás e minerais está prestes a começar”. Sem detalhar projetos concretos ou acordos corporativos específicos, Trump complementou: “Há especialistas que afirmam que a quantidade de petróleo facilmente acessível é muito maior do que a de praticamente qualquer outro território, em qualquer lugar do mundo”.
Legislação local proíbe novas perfurações petrolíferas
A declaração entra em choque frontal com a postura adotada pelas autoridades locais. Desde 2021, o parlamento da Groenlândia suspendeu integralmente qualquer nova exploração de petróleo e baniu a mineração de urânio em suas terras. O gabinete do primeiro-ministro local não quis se manifestar sobre as falas de Trump. De forma semelhante, o Ministério de Recursos Minerais da ilha e a chancelaria da Dinamarca optaram por não responder de imediato aos pedidos de comentário.
No momento, o governo local avalia apenas se a empresa texana Greenland Energy tem legitimidade para reaproveitar autorizações expedidas antes do veto ambiental de 2021. Em agosto, a companhia revelou planos de perfurar uma bacia na costa leste groenlandesa a partir de 2027, fundamentando-se em levantamentos sísmicos efetuados na década de 1970 pela antiga titular da concessão, a Arco, que nunca chegou a perfurar a área.
Pacto militar recente não inclui recursos minerais
O recente entendimento de 10 páginas firmado entre Washington, Copenhague e Nuuk focou exclusivamente na área de segurança, sem conceder quaisquer prerrogativas de mineração ou perfuração de combustíveis fósseis. O pacto validou a instalação de duas novas bases militares e a implementação do escudo antimísseis denominado “Domo de Ouro”, ao mesmo tempo em que garantiu a soberania dinamarquesa e a autodeterminação dos cidadãos da Groenlândia.
Trump exaltou as vantagens táticas proporcionadas pela localização da ilha: “Qualquer ataque futuro aos Estados Unidos terá que passar pela Groenlândia, onde nossa Defesa derrubará rotineiramente drones, mísseis ou qualquer outra forma de arma ainda nem sequer concebida”. O presidente acrescentou ainda: “Isso nos dá tempo, localização e linha de visão como em nenhum outro lugar do mundo!”.
Persistência do interesse de Washington preocupa analistas
Desde 2019, o político norte-americano tem reiterado a intenção de adquirir ou assumir a gestão da Groenlândia sob a justificativa de segurança nacional, tendo evitado descartar o uso de força em ocasiões anteriores. Diante do novo posicionamento, especialistas apontam que o alinhamento bélico recente não encerrou as ambições geopolíticas dos Estados Unidos sobre o território.
O consultor independente dinamarquês em política de segurança Jacob Kaarsbo alertou para a continuidade do projeto de controle do presidente norte-americano: “É extremamente perigoso considerar esse acordo entre o governo Trump e a Dinamarca como algo que tenha alterado as intenções de Trump”.
Gerar Post/Story