Com apenas dois meses de mandato, a gestão do presidente Abelardo de la Espriella enfrentou sua primeira grande prova de fogo nas ruas da Colômbia nesta quarta-feira (14). Uma onda de manifestações mobilizou milhares de cidadãos em cidades estratégicas como Bogotá, Medellín, Cali, Bucaramanga, Pereira e Riohacha, expondo a crescente insatisfação social diante dos rumos políticos e econômicos do novo governo.
O estopim do Decreto 1525 e a pauta econômica
A insatisfação popular ganhou força decisiva após a assinatura do Decreto 1525, medida que ampliou o poder das forças de segurança para dispersar concentrações públicas sob justificativa de perturbação grave da ordem. A decisão provocou rápida reação da oposição e de entidades civis, que denunciaram o texto como um instrumento de intimidação preventiva e criminalização do direito de manifestação.
Para além das restrições de segurança, o protesto reflete a frustração generalizada com o aumento acelerado do custo de vida, a escalada recente da violência e o desmonte gradual de programas e conquistas sociais promovido pelas primeiras reformas do Executivo.
Frente ampla reúne indígenas, sindicatos e estudantes
A jornada nacional contou com uma coalizão diversificada de entidades populares, que garantiu alcance territorial muito além da capital. Entre as forças mobilizadas estiveram centrais sindicais, coletivos estudantis e o Conselho Regional Indígena do Cauca (CRIC), além da presença esperada do ex-presidente Gustavo Petro junto a outras lideranças do campo progressista em Bogotá.
Demandas da educação e dos territórios tradicionais
O setor educacional teve papel de destaque por meio da Fecode (Federação Colombiana de Educadores). A entidade foi às ruas exigir melhorias na infraestrutura de colégios abalados por abalos sísmicos no Vale do Cauca, investimentos na saúde dos professores e o fim da estigmatização da atividade sindical.
De forma paralela, povos indígenas e camponeses articularam forte oposição ao avanço de megaprojetos sobre suas terras ancestrais. O CRIC alertou que as diretrizes do atual Executivo colocam em perigo a autonomia e a subsistência das comunidades originárias.
Apesar do forte contingente policial posicionado pelos governos locais e das tentativas da Casa de Nariño de deslegitimar a adesão popular, as marchas mantiveram caráter estritamente pacífico, consolidando um primeiro e expressivo revés político para a administração de De la Espriella.
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