O argentino Daniel Néstor Guzmán, de 40 anos, apontado como o autor do feminicídio da jovem Maria Ramona Araújo da Silva, de 18 anos, foi detido no terminal rodoviário do município de Presidencia Roque Sáenz Peña, na província argentina de Chaco. A captura, concretizada no dia 9 de outubro, encerra a fuga do suspeito após um intenso trabalho de inteligência interestadual e cooperação policial entre os dois países.
Histórico de violência e condenação anterior
Guzmán já carregava em seus antecedentes uma condenação severa pela Justiça brasileira. Em 2022, o Tribunal do Júri de Roraima sentenciou o homem a 24 anos de prisão pelo assassinato de outra companheira, Betzabeth Miguelina Adam Daza, de 23 anos, que estava no sexto mês de gestação. O homicídio ocorreu em julho de 2018, na capital Boa Vista.
No momento em que passou a figurar como o principal suspeito pela morte de Maria Ramona, o estrangeiro cumpria sua pena em regime semiaberto, fazendo o uso de monitoramento por tornozeleira eletrônica.
O assassinato de Maria Ramona em Rio Branco
O corpo de Maria Ramona Araújo da Silva foi localizado no dia 2 de setembro de 2026, no interior de um banheiro em um imóvel residencial no bairro Conquista, situado em Rio Branco. A vítima apresentava uma perfuração profunda na região do pescoço, e as perícias iniciais apontaram que o óbito havia ocorrido dias antes da entrada dos agentes no local.
Com o avanço das apurações, a Polícia Civil do Acre reuniu provas suficientes para formalizar o pedido de prisão preventiva junto ao Poder Judiciário. Ao constatar que o acusado havia cruzado as fronteiras nacionais para escapar da responsabilização criminal, os investigadores recorreram aos canais diplomáticos e policiais no exterior.
Operação conjunta e difusão vermelha da Interpol
A localização e detenção de Guzmán exigiram uma força-tarefa multidisciplinar. Em 24 de setembro, o nome do foragido foi inserido na lista de notificação vermelha da Interpol, permitindo que a Polícia Federal operasse a articulação internacional por intermédio do Centro de Cooperação Policial Internacional do Rio de Janeiro (CCPI-RJ) e do Núcleo de Cooperação Internacional do Acre (NCI/AC).
A abordagem e o cumprimento do mandado foram executados pelas forças de segurança da Província de Chaco. O delegado-geral da Polícia Civil do Acre, Pedro Paulo Buzolin, destacou a importância da atuação conjunta das instituições para o resultado da investigação. “A Polícia Civil do Acre realizou a investigação, identificou o suspeito e representou pela sua prisão preventiva. A partir desse trabalho, a Polícia Federal teve uma participação fundamental, atuando na cooperação internacional e na articulação com as autoridades argentinas, que efetivaram a prisão. É importante reconhecer o trabalho de cada instituição, pois esse resultado demonstra a força da integração policial. A fuga para outro país não pode representar impunidade”, afirmou.
Atualmente sob custódia do sistema judicial da Argentina, o suspeito aguarda os trâmites do processo de extradição para que seja recambiado ao Brasil e responda judicialmente pelas acusações no Acre.
Gerar Post/Story