Sobrinhos de Marcinho VP são presos por levar ao CV recados do líder isolado em presídio
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Sobrinhos de Marcinho VP são presos por elo com cúpula do CV

30/10/2026 3 views 3 min de leitura

Uma ação do Ministério Público Federal (MPF) culminou na prisão de dois sobrinhos de Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, apontado como principal chefe do Comando Vermelho (CV). A ofensiva, batizada de Operação Cesura, mira a rede de mensageiros que viabilizava a troca de ordens e informações entre o detento e comparsas em liberdade.

Transmissão de ordens e cargo no poder público

Mesmo encarcerado há 19 anos na Penitenciária Federal de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, Marcinho VP continuava exercendo influência nas decisões da facção criminosa. De acordo com os investigadores, a dinâmica consistia em utilizar familiares e visitas autorizadas como canais diretos para a circulação de diretrizes estratégicas.

As medidas judiciais foram emitidas pela 3ª Vara Federal de Campo Grande, com mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão cumpridos na cidade do Rio de Janeiro e no município de Belford Roxo. Um dos alvos detidos mantinha vínculo como funcionário comissionado no Poder Legislativo da Baixada Fluminense.

Um dos episódios detalhados no processo ocorreu em janeiro de 2025. Na ocasião, um dos parentes manteve contato com um líder do CV no território fluminense na véspera de comparecer à penitenciária federal. Logo após o encontro com Marcinho VP, o emissário retornou para prestar esclarecimentos e repassar as deliberações do presidiário, prática que se repetiu de forma recorrente nos meses seguintes.

Vigilância carcerária e raízes da investigação

O fluxo de informações no parlatório do presídio sul-mato-grossense vinha sendo monitorado pela Polícia Penal Federal. O material coletado confirmou que, no organograma da facção, o criminoso ainda é tratado e obedecido como líder absoluto.

As pistas que levaram à deflagração da Operação Cesura surgiram a partir de elementos colhidos na Operação Red Fox, deflagrada em junho para apurar esquemas de tráfico transnacional de armamentos pela fronteira norte do Brasil. Naquela fase, com quatro prisões efetuadas, dados encontrados com uma liderança foragida demonstraram que parentes de Marcinho VP exerciam o papel de ligação entre os membros da quadrilha.

Consequências jurídicas

Com o avanço das apurações, os suspeitos poderão responder judicialmente com base na Lei Antifacção, com penas previstas que podem chegar a 20 anos de reclusão. O Ministério Público Federal também ressaltou a possibilidade de enquadramento na Lei de Drogas, diante do auxílio deliberado às atividades do narcotráfico.

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