O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) recomendou o banimento temporário da torcida organizada Camisa 12 das praças esportivas até o encerramento da atual temporada. A manifestação ocorreu em decorrência de episódios de intimidação contra o elenco do Corinthians, registrados logo depois da queda do time na Copa Libertadores da América.
Caso o pedido seja acatado pelas autoridades esportivas, os torcedores filiados à entidade não serão impedidos de assistir às partidas presencialmente, mas sofrerão restrições severas. De acordo com a assessoria da promotoria paulista, “Em caso de adoção da medida, os associados poderão ingressar nos estádios durante jogos de todas as categorias, mas sem faixas, bandeiras, instrumentos musicais ou quaisquer artefatos ou indumentárias que permitam identificar a organização”.
Relatório detalha emboscada e disparos perto do estádio
A solicitação foi elaborada pelos promotores Daniela Hashimoto e Roberto Bacal, integrantes da Promotoria do Juizado Especial Criminal Central. A fundamentação teve como base as ocorrências verificadas no encerramento do confronto diante do Estudiantes de La Plata, pelas quartas de final do torneio continental, “quando torcedores se concentraram nas proximidades da Neo Química Arena, em São Paulo, e abordaram veículos que deixavam o estádio para identificar se transportavam jogadores do Corinthians”.
Conforme os registros policiais anexados ao procedimento, a conduta dos membros da agremiação descambou para atos violentos: automóveis foram cercados, os passageiros sofreram constrangimento, além de terem sido constatados chutes na lataria e arremesso de objetos. O documento ministerial também apontou o relato de um possível tiro efetuado para o alto no momento do tumulto.
Descumprimento de acordo prévio com a Promotoria
O órgão fiscalizador ressaltou que a organizada havia firmado, em outubro do ano anterior, um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) no qual prometia evitar confusões, agressões e episódios de violência coletiva. A Promotoria frisou que “O documento previa a aplicação de medidas educativas em caso de envolvimento da torcida em atos violentos ou situações que colocassem em risco a ordem pública, incluindo a suspensão do comparecimento aos estádios”.
Para os representantes do MP-SP, a atitude dos envolvidos representou uma “distorção da cultura da paz no esporte por mero descontentamento em virtude de um placar contrário à vitória”. Embora a liderança da Camisa 12 tenha colaborado ao apontar os participantes dos atos, o órgão destacou que a entidade não comprovou a aplicação de punições disciplinares internas aos vândalos. O pedido formal de sanção foi remetido para deliberação da Federação Paulista de Futebol (FPF).
Manifestação da torcida organizada e cenário no Brasileirão
Em publicação divulgada nas redes sociais, a agremiação publicou um manifesto reafirmando “seu compromisso com a promoção da cultura de paz nos estádios e em todos os espaços relacionados ao esporte”. A nota, subscrita conjuntamente pelas demais torcidas uniformizadas do clube, declarou que:
“As entidades signatárias reconhecem a importância do esporte como instrumento de integração social, cidadania e inclusão. Por isso, assumem o compromisso de atuar na conscientização de seus associados e torcedores para que os eventos esportivos sejam ambientes seguros, acolhedores e marcados pelo respeito à vida, às diferenças e às instituições (…) Nesse sentido, as torcidas organizadas assumem o papel de agentes na construção de um ambiente mais seguro e positivo para todos”.
A crise nos bastidores ocorre em meio a um momento delicado do Corinthians na temporada, com a equipe batalhando para escapar da zona de rebaixamento no Campeonato Brasileiro. O próximo compromisso alvinegro está marcado para esta sexta-feira, dia 30, às 20h, contra o Mirassol, válido pela 33ª rodada da competição nacional.
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