O debate entre os candidatos ao Governo do Acre previsto para esta segunda-feira (21) na TV Norte acabou sendo convertido em uma rodada de entrevistas individuais após problemas técnicos que impediram a realização do formato inicialmente anunciado. Além disso, a candidata Mailza Assis (PP) não participou da programação.
Com a mudança, Alan Rick (Republicanos), Tião Bocalom (PSDB/Cidadania) e Thor Dantas (PSB) tiveram cerca de 20 minutos cada para responder às perguntas da emissora e apresentar propostas para áreas como saúde, segurança, educação, geração de emprego, produção rural e infraestrutura.
Na economia, os três candidatos defenderam estratégias diferentes para ampliar a geração de emprego e renda no Acre. Alan Rick falou em facilitar a abertura de empresas, atrair investimentos privados e reduzir a dependência da economia estadual do setor público. Bocalom destacou a necessidade de colocar dinheiro em circulação por meio do fortalecimento da produção local. Thor Dantas defendeu uma política de industrialização como forma de agregar valor à produção acreana.
Alan afirmou que o Acre perdeu empreendedores nos últimos anos e apresentou a criação de um “balcão único de negócios” como uma das propostas para facilitar a vida dos empresários.
“Cristina, esse é um tema fundamental para o desenvolvimento do Acre. Nosso estado, como você bem disse, dados do Sebrae Nacional apontam que o Acre foi o estado que mais perdeu pessoas empreendedoras ao longo dos últimos cinco anos. Para você ter ideia, apenas outros três estados perderam empreendedores nos últimos cinco anos”, afirmou.
Segundo Alan, o Estado teria perdido cerca de 30% dos empreendedores no período. “O Acre foi aquele com maior percentual, com 30%, o que perfaz mais ou menos exatamente 30 mil empreendedores que foram embora, pessoas com capacidade de gerar emprego, gerar renda, de abrir uma empresa, enfim, de colocar a economia para gerar. Essa é uma das grandes demandas do próximo governo”, completou.
Bocalom também colocou a geração de renda como uma das prioridades e afirmou que pretende estimular a produção local. “Eu quero dinheiro no bolso do nosso povo. É isso que nós precisamos fazer”, afirmou.
Thor Dantas apresentou a industrialização como um dos principais caminhos para mudar a estrutura econômica do Estado. Segundo ele, o Acre precisa fortalecer diferentes setores e criar condições para que a produção local seja transformada dentro do próprio Estado. “Industrializar para crescer”, defendeu.
Para Thor, o desenvolvimento econômico também passa pelo fortalecimento dos pequenos produtores, que, segundo ele, ainda recebem pouca assistência do poder público. “O pequeno produtor está desassistido. Ele precisa de assistência técnica, tecnologia, mecanização, assistência ambiental, crédito e cooperativismo”, ponderou.
O candidato defendeu ainda que o governo valorize os pequenos produtores nas compras institucionais e citou a alimentação escolar como um exemplo de mercado que poderia beneficiar a produção rural.
“Você tem uma produção de qualidade e o governo não compra. A merenda escolar muitas vezes não tem a qualidade que deveria ter e você tem o produtor rural produzindo ali do lado”, ressaltou.
Thor também citou setores como café, frutas, castanha, borracha e produção de carnes como áreas com potencial de crescimento e defendeu a formação profissional dos jovens para atender também setores de tecnologia, serviços, software, redes sociais e inteligência artificial.
Alan, por sua vez, afirmou que pretende reduzir a dependência do setor público por meio da atração de investimentos e de parcerias público-privadas.
“Nós vamos atender essa demanda, vamos trazer também investimentos através de parcerias público-privadas. Nós temos um grande projeto de saneamento para o Acre e outros projetos de parceria público-privadas para que o Estado atraia investimentos sem burocracia, com incentivos, para que a gente possa gerar emprego e renda. O nosso Estado hoje, infelizmente, tem uma dependência enorme do poder público, do contracheque, do funcionalismo público, mas nós precisamos inverter essa roda e o nosso governo fará isso”, pontuou.
Saúde
Na saúde, os três candidatos apresentaram propostas distintas para enfrentar filas, ampliar atendimento e reorganizar a rede estadual. Alan Rick colocou a área entre as principais prioridades dos primeiros 100 dias de governo e prometeu um mutirão para reduzir filas de consultas, exames e cirurgias.
“Primeiro, nos 100 dias nós vamos atacar quatro pontos fundamentais que a população hoje sofre muito. Primeiro, a saúde, nós vamos acabar com essas filas que hoje maltratam você que está em casa. Nós temos 30 mil pessoas aguardando fila só para exames e consultas, isso é muito triste, e mais milhares de pessoas aguardando por uma cirurgia eletiva”, ponderou.
O candidato disse que pretende criar um cadastro único e realizar mutirões de atendimento. “Nós vamos criar um grande mutirão para zerar as filas, vamos atender as pessoas com carinho, vamos criar o cadastro, o prontuário único eletrônico em que nós, o governo do estado e os municípios terão um cadastro único através dos sistemas que já existem, do e-SUS, para que esse paciente tenha suas informações médicas acessíveis em qualquer unidade de saúde. Nós vamos recadastrar, vamos fazer mutirões de cirurgias, a saúde voltará a funcionar, vamos mudar o fluxo de pronto-socorro, vamos trabalhar para regionalizar a saúde de verdade, a saúde terá um impacto muito forte nos primeiros 100 dias”, ressaltou.
Bocalom apresentou outra proposta para ampliar a oferta de atendimento e defendeu a construção de hospitais de pequeno porte nos municípios e a presença de especialistas nas unidades regionais. “A saúde está na UTI.Nós precisamos ter hospital de pequeno porte em cada município. Precisamos ter os especialistas nos hospitais regionais”, afirmou.
O candidato também defendeu a regularidade no fornecimento de medicamentos e mudanças na gestão da saúde. Thor Dantas, que é médico e já ocupou funções de gestão na área, classificou a situação da saúde como um dos principais problemas do Estado. Segundo ele, pacientes aguardam anos por procedimentos considerados simples.
“A saúde está completamente desorganizada. Nós temos pessoas esperando três, quatro, cinco anos por uma cirurgia simples”, afirmou.
Thor afirmou que o Acre forma especialistas por meio da residência médica, mas muitos deixam o Estado porque não são contratados pela rede pública. “Nós formamos cerca de 50 especialistas por ano no Acre e esses especialistas vão embora porque o governo não contrata”, ponderou.
O candidato também afirmou que a rede pública deveria contar com mais médicos e defendeu a ampliação da capacidade do hospital da Fundacre. “Nós precisamos transformar o hospital da Fundacre em um hospital federal e dobrar a capacidade dele”, ressaltou.
Thor citou ainda problemas no atendimento no interior. Segundo ele, há regiões sem profissionais e serviços considerados básicos. “Você não pode ter uma emergência no Alto Acre e não ter um cirurgião geral 24 horas. O paciente vai ter que ser transferido para Rio Branco”, destacou.
Educação
Na educação, Alan Rick criticou as condições de parte das escolas, defendeu a valorização dos professores e afirmou que pretende ampliar a estrutura tecnológica da rede. “A nossa educação hoje sofre com a desvalorização do servidor, do professor, do gestor, planos de carreira, Cristina, que estão atrasados há anos, os nossos colégios, as nossas escolas abandonadas, apenas 15% dos alunos têm acesso à internet”, declarou.
Durante a entrevista, Alan também citou operações e investigações policiais relacionadas a recursos da educação, atribuindo a elas apurações sobre supostos desvios.
“A primeira, a mitocôndria de 2020, com apuração de desvios de até R$ 28 milhões, desvios de recursos da merenda escolar. Isso é uma vergonha que gestores da educação façam isso com a nossa criança, você pai, você mãe, que quer uma educação melhor para o seu filho, que quer qualidade da merenda escolar, você enfrenta esse problema”, ressaltou.
O candidato também mencionou uma operação da Polícia Federal realizada neste ano. “E aí nós temos outra operação da Polícia Federal realizada este ano, a Talha Real, com a perspectiva de mais de R$ 51 milhões de desvios também de recursos do Fundeb e da merenda escolar. Isso é uma tristeza, mostra que esse governo abandonou a educação e utiliza os recursos da educação apenas para enriquecimento ilícito”, ponderou.
Alan afirmou que pretende informatizar as escolas, levar robótica e laboratórios para a rede pública e combater a evasão escolar. “Enquanto isso, as escolas estão abandonadas, não existe um projeto para acabar com a evasão escolar, e o nosso plano de governo tem. Nós vamos informatizar nossas escolas, vamos valorizar os professores, vamos trazer robótica, vamos trazer laboratórios para as nossas escolas, vamos tornar a sala de aula um ambiente muito mais agradável e atrativo para nossa juventude”, pontuou.
Thor também incluiu a educação entre as medidas emergenciais dos primeiros meses de governo. Ele defendeu a recuperação da estrutura das escolas, melhoria da alimentação escolar e diálogo com os profissionais.
Na avaliação do candidato, a formação profissional também deve ser usada como instrumento para evitar que jovens deixem o Acre em busca de oportunidades.
Segurança pública
Na segurança, Alan Rick afirmou que destinou R$ 68 milhões para o setor durante seu mandato parlamentar e disse que pretende promover mudanças nas polícias Civil, Militar e Penal.
“Meu mandato investiu R$ 68 milhões na segurança pública. Foram recursos enviados para a Polícia Militar, para a Polícia Civil, para a Polícia Penal, para os órgãos como o Centro Integrado de Comando e Controle, que é o órgão da segurança pública, para a própria Secretaria de Segurança Pública”, pontuou.
Alan criticou a estrutura atual da Polícia Civil e defendeu a reabertura de delegacias com funcionamento 24 horas. “Nós vamos valorizar o nosso policial. A Polícia Civil, a nossa Polícia Judiciária está hoje desmotivada. Esse governo desarticulou a Delegacia de Combate à Corrupção. Não temos mais delegacias 24 horas. O nosso governo vai colocar em funcionamento delegacias 24 horas”, destacou.
Bocalom também apresentou críticas à segurança pública. Segundo ele, a Polícia Militar trabalha com efetivo insuficiente e enfrenta problemas estruturais. “Hoje nós temos uma Polícia Militar que está praticamente com a metade do efetivo que deveria ter. Temos problemas até com munição. Então, nós precisamos valorizar o nosso policial”, pontuou.
O candidato defendeu ainda uma maior integração entre as forças de segurança e o Judiciário. “Precisamos fazer uma parceria muito forte com o Judiciário, porque não adianta a polícia prender e, depois, na audiência de custódia, o cidadão voltar para a rua”, destacou.
Thor Dantas propôs a criação de um gabinete de crise para integrar os órgãos responsáveis pela segurança pública. A ideia, segundo ele, é reunir Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal, Ministério Público e setores de inteligência financeira.
“Precisamos criar um gabinete para enfrentar essa crise, coordenar Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal, conversar com o Ministério Público e trabalhar com inteligência financeira”, salientou.
Fonte: ac24horas.com
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