O debate entre os candidatos ao governo do Acre, realizado pela Rede Amazônica, afiliada da Rede Globo no estado, na noite desta terça-feira (29), foi marcado por trocas de acusações, questionamentos sobre a gestão pública e apresentação de propostas para áreas como educação, saúde, transporte coletivo e infraestrutura. Participaram a governadora Mailza Assis (PP), o senador Alan Rick (Republicanos), do ex-prefeito de Rio Branco Tião Bocalom (PSDB) e Thor Dantas (PSB).
Os candidatos Dr. Luisinho (Agir) e Eudo Rafael (PCB) não participaram, conforme as regras estabelecidas pela emissora, que restringem o convite aos candidatos de partidos com representação no Congresso Nacional.
O programa foi dividido em quatro blocos, com perguntas de temas livres e determinados. Entre os principais assuntos discutidos estavam os contratos da educação estadual investigados pela Polícia Federal, a crise no transporte público de Rio Branco, as promessas de construção de moradias e os desafios da saúde pública no Acre.
No primeiro bloco, Tião Bocalom questionou Alan Rick sobre as diferenças entre a educação municipal de Rio Branco, administrada pelo ex-prefeito até sua renúncia, e a rede estadual, atualmente sob responsabilidade de Mailza Assis.
Bocalom destacou os resultados da capital no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), os reajustes salariais concedidos aos profissionais da educação e a distribuição de equipamentos aos professores.
“Como você compara a situação da educação do município de Rio Branco com a educação do estado do Acre?”, perguntou o ex-prefeito.

Alan Rick respondeu apontando problemas na oferta de merenda escolar e citou operações policiais envolvendo a Secretaria de Estado de Educação. Entre os exemplos, mencionou a Operação Mitocôndria, de 2020, e as operações Talha Real e Death Note, realizadas em 2026, conforme afirmou durante o debate.
“Realmente, o estado tem deixado a desejar no quesito educação. Temos visto uma série de manifestações dos alunos da rede pública estadual pela má qualidade da merenda, ou mesmo da ausência da merenda escolar”, declarou.
Na réplica, Bocalom defendeu sua gestão na capital e afirmou que pretende levar ao estado medidas adotadas no município, incluindo melhorias na infraestrutura das escolas e acesso à internet.
“Vou chamar os prefeitos, nós vamos ter creches em todos os municípios funcionando para valer”, prometeu. Ele também defendeu a implantação de escolas cívico-militares em todos os municípios acreanos.
Na tréplica, Alan Rick afirmou que pretende ampliar o acesso à tecnologia nas escolas estaduais, incluindo o ensino de inteligência artificial e a qualificação dos professores para utilizar ferramentas digitais. “Temos apenas 15% das escolas no nosso estado com acesso à internet para os alunos”, declarou.
Ainda no primeiro bloco, Alan Rick direcionou uma pergunta à governadora Mailza Assis sobre o Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA), plataforma educacional que foi alvo de investigação policial.
Mailza afirmou que assumiu o governo há cinco meses e que está revisando contratos e planos de trabalho herdados da gestão anterior. Segundo ela, o contrato em questão foi suspenso após a operação policial. “Esse específico documento da educação já foi revisto, suspendi imediatamente, então logo houve a operação, está sob investigação, existe uma equipe cuidando de tudo isso e também, lógico, a Justiça”, afirmou.
Na réplica, Alan Rick contestou a explicação e afirmou que Mailza assinou tanto a renovação quanto o aditamento do contrato investigado.
“Candidata, a senhora assinou a renovação desse contrato que está sob investigação da Controladoria-Geral da União e da Polícia Federal, mas também assinou o aditamento deste contrato, ou seja, é responsabilidade da senhora”, declarou.
O candidato também questionou a contratação da empresa responsável pela plataforma e afirmou que a investigação aponta um possível prejuízo de R$ 30 milhões aos cofres públicos estaduais.
Na tréplica, Mailza defendeu a autonomia administrativa da Secretaria de Estado de Educação na condução de contratos e afirmou que não poderia suspeitar individualmente de todos os documentos assinados pelo governo.
“Tão logo tomei conhecimento, houve a operação, suspendi o contrato, as providências foram tomadas”, disse.
A governadora acrescentou que pretende fortalecer a Controladoria-Geral do Estado e acompanhar pessoalmente os processos considerados suspeitos.
Outro confronto do primeiro bloco ocorreu entre Thor Dantas e Tião Bocalom. O candidato do PSB questionou a decisão do ex-prefeito de deixar a Prefeitura de Rio Branco para disputar o governo estadual e citou problemas no transporte coletivo, na conservação das ruas, no abastecimento de água e no cumprimento da promessa de construir mil e uma casas populares. “Como o senhor quer convencer a população do estado de que tem capacidade de governar?”, perguntou Thor.

Bocalom disse que a crise no transporte público era mais grave quando assumiu a prefeitura e afirmou que o município adotou medidas para reduzir o impacto dos custos sobre os passageiros.
“A questão do transporte público está sendo resolvida, tanto é que hoje já chegaram mais de 30 ônibus e estarão chegando, por até estes dias, 60 ônibus novos para ser resolvido o problema do transporte coletivo”, afirmou.
O candidato também destacou a política de subsídio ao transporte e a manutenção do valor da passagem em R$ 3,50.
“Uma coisa que eu fiz que vocês nunca tiveram coragem de fazer foi pagar com as gratuidades que os coitadinhos daqueles que pagam passagem tinham que pagar na época de vocês. Eu acabei com isso, baixei a passagem de R$ 3,50, que está até hoje”, disse.
Sobre a infraestrutura urbana, Bocalom responsabilizou intervenções realizadas em administrações anteriores pelos problemas em ruas da capital.
“Das 700 ruas de Rio Branco, tive que recuperar mais de 200 por conta da Prefeitura, que seria o governo de estado inteiro que ia recuperar”, declarou, ao criticar obras do programa Ruas do Povo.
Em relação ao abastecimento de água, o ex-prefeito afirmou que sua gestão investiu na substituição de equipamentos e na melhoria do sistema.
“Quando chegamos, tinha diversos bairros que não chegavam a água de jeito nenhum. Está chegando agora. Nós compramos mais de 25 bombas novas, coisa que há 23 anos vocês não compravam”, afirmou.
Bocalom também declarou que houve avanços no tratamento de esgoto durante sua administração. “Devagarzinho nós saímos de 2,2% de tratamento de esgoto, já estamos em 17% e vamos chegar a mais de 50% até o final do ano”, disse.
Sobre a promessa habitacional, o candidato afirmou que o número de unidades previstas aumentou e que parte dos imóveis estava em construção. “Tenho certeza, 2.277 casas, boa parte dela já está sendo construída até o final do mandato do próximo prefeito”, declarou.
Na réplica, Thor contestou os argumentos de Bocalom e afirmou que os números apresentados pelo ex-prefeito não correspondem à realidade vivida pela população. “Eu concordo que se roubar dá, mas, além de não roubar, tem que ter boa gestão, coisa que o senhor não consegue demonstrar”, afirmou.
O candidato também criticou a situação do transporte coletivo e questionou o cumprimento das promessas habitacionais. “Rio Branco já teve 140 ônibus na sua frota, no auge da crise o senhor pegou 40 ônibus circulando na cidade”, declarou.
Thor ainda afirmou que a população não quer mais promessas sem resultados concretos. “A população não quer mais promessa vazia, ela quer um gestor competente que seja capaz de entregar resultado”, disse.
Na tréplica, Bocalom defendeu sua gestão e citou a reeleição em primeiro turno como demonstração de apoio popular. “Eu fiz o primeiro mandato e a população me deu de novo o segundo mandato, no primeiro turno. Nós ganhamos no primeiro turno por 55% dos votos, então como é que eu estava tão errado?”, questionou.
O ex-prefeito também afirmou que as mudanças na capital podem ser observadas pela população. “Rio Branco hoje tem cara de capital, mas não é mais aquela cidadezinha interiorana, ela tem cara de capital”, declarou.
Ao responder às críticas de Thor sobre sua experiência administrativa, Bocalom afirmou que o adversário não possui experiência na gestão de uma prefeitura ou de um governo estadual. “Exatamente por você nunca ter administrado, que talvez você será o pior governador desse estado, porque você nunca administrou nada, só faz criticar”, disse.

Mailza Assis direcionou uma pergunta a Thor Dantas sobre quais ações na saúde pública deveriam ter continuidade em um eventual próximo governo. Médico e ex-gestor de unidades de saúde, Thor afirmou que o estado enfrenta três problemas principais: a falta de profissionais, a insuficiência de leitos hospitalares e a precariedade da estrutura de atendimento no interior.
“Os médicos que a gente forma aqui no Acre estão indo embora, porque o governo não os contrata. Nós formamos 50 especialistas todos os anos que vão embora sem a oportunidade de trabalhar no nosso estado”, afirmou.
O candidato também defendeu a criação de um hospital universitário federal no Acre e criticou a falta de estrutura em municípios do interior. “Em Assis Brasil, então, não vou nem falar. Em Sena Madureira, nós precisamos finalmente levar esses médicos que a gente contrata para essas regionais e fortalecer as regionais, levando o atendimento para perto das pessoas”, declarou Thor.
Na réplica, Mailza afirmou que sua gestão realizou mais de 50 mil cirurgias e defendeu a continuidade dos programas de atendimento especializado e de redução das filas. A governadora também citou a ampliação do atendimento de hemodiálise para municípios do interior, a realização de cirurgias eletivas por meio do programa Opera Acre e a reforma do Hospital do Câncer (Unacon), além da construção de uma nova maternidade. “Até hoje, no nosso mandato, foram mais de 50 mil cirurgias entregues à população”, disse.
Na tréplica, Thor contestou a avaliação da governadora e afirmou que os mutirões de atendimento dependem de recursos federais. Ele também questionou a quantidade de procedimentos ainda pendentes na rede pública. “Mesmo com o Opera Acre, a gente tem quase 80 mil procedimentos represados, entre cirurgia, consulta de especialista e exames”, declarou Thor.
Thor ainda acusou a gestão estadual de permitir interferências políticas no acesso aos serviços da Fundação Hospitalar e defendeu que os atendimentos sejam organizados por critérios técnicos. “A saúde tem que ter uma gestão técnica, qualificada, para que todas as pessoas tenham o direito de acessar”, afirmou.
O segundo bloco do debate entre os candidatos ao governo do Acre, teve como temas o agronegócio, a Previdência estadual, o desenvolvimento econômico e o transporte aéreo. Os candidatos divergiram sobre regularização fundiária, expansão da produção, situação previdenciária, geração de empregos e alternativas para reduzir o custo das passagens aéreas.
A governadora Mailza Assis (PP) questionou Alan Rick (Republicanos) sobre as medidas previstas para ampliar o agronegócio diante da limitação de áreas disponíveis para produção no Acre. “Esse é um tema que eu prezo muito, tenho feito no meu mandato como senador, um trabalho reconhecido pelos nossos produtores rurais. São investimentos em equipamentos, em assistência técnica rural, já que a nossa Emater há muitos anos não tem concurso público, os técnicos mais jovens têm 58 anos. A última emenda da Emater foi emenda nossa para aquisição de veículos. Temos entregue também insumos, como calcário, adubo, fizemos muitas parcerias com municípios, equipamentos que hoje são o sustento de muitos produtores rurais”, afirmou.
Na sequência, o candidato defendeu uma ação conjunta entre órgãos estaduais e federais para tratar da regularização das propriedades. “Porém, o tema da regularização fundiária e também do fim desses embargos que maltratam os nossos produtores rurais está no nosso plano de governo. Nós criaremos uma grande força-tarefa, trazendo para o debate, para a mesma mesa, o nosso Iteracre, nosso governo, a Secretaria de Agricultura, Sema, e traremos o governo federal, com o Incra, o Ibama, para um grande mutirão de regularização fundiária. E também trabalharemos para reduzir esses embargos que hoje maltratam você, meu amigo, a senhora, minha amiga, produtores rurais”, disse Alan.
Ele também defendeu investimentos em agroindústria para agregar valor à produção acreana. “O Acre tem muita produção. Vamos investir também na agroindústria, para agregar valor aos nossos produtos”, destacou.
Alan ainda defendeu a revisão de áreas destinadas à produção e citou a possibilidade de aumento da área produtiva do Estado. “O Acre já tem 63% de áreas conservadas, para que você assim possa aumentar de 20% para 50% as áreas para produção. Você mantém o seu ativo florestal intacto, alcança o percentual determinado pelo Código e aumenta a área de produção. E assim nós vamos dar mais condições para o nosso produtor”, afirmou.
Mailza respondeu que ações de regularização fundiária, recuperação de ramais e apoio à produção já são desenvolvidas pelo governo. “Todo esse serviço, o governo do estado já faz. A regularização fundiária, que é um dos gargalos do nosso estado, e que nós temos o compromisso de trabalhar firmemente para que seja solucionado, e nós demos o direito aos nossos produtores, a quem mora lá no campo tem o direito de produzir na sua terra e tem a liberdade de produzir”, afirmou.
A governadora também citou o crescimento da produção e das exportações do Estado. “Precisamos também melhorar os ramais. São programas que nós já estamos desenvolvendo, porque a nossa produção cresceu, nós já estamos exportando, principalmente a produção de grãos, de soja, milho e também o fortalecimento da nossa agropecuária”, destacou.
Na sequência, Tião Bocalom (PSDB) questionou Thor Dantas (PSB) sobre a situação da Previdência estadual. O candidato afirmou que o sistema está pressionado pelos gastos e citou também a evolução do fundo previdenciário municipal durante sua gestão na Prefeitura de Rio Branco.
Thor relacionou o problema previdenciário à estagnação econômica e à saída de jovens do Estado. “O estado tem sua economia estagnada. A gente não gera riqueza no nosso estado. A população do Acre, jovem, com capacidade de trabalhar, economicamente ativa, está indo embora do Acre por falta de oportunidade”, afirmou.
O candidato defendeu a criação de empregos e a industrialização das cadeias produtivas. “A gente precisa voltar a produzir emprego de boa qualidade no nosso estado. Industrializar a nossa cadeia produtiva. Participar da geração da nova economia, dos serviços, que é a economia que mais cresce no mundo”, disse.
Thor também criticou o aumento da contratação de trabalhadores terceirizados no serviço público. “A gente ainda tem algumas opções do dia a dia da gestão estadual que comprometem gravemente a crise da Previdência, que é a opção pelo volume cada vez maior de terceirizados. O terceirizado agrava esse problema, porque não gera contribuição para a Previdência e deixa os profissionais reféns da política para a indicação política”, afirmou.
Ao responder, Bocalom concordou que a Previdência enfrenta um problema grave e disse que a situação é resultado de dificuldades acumuladas ao longo de décadas. “Não é que vai virar uma bomba-relógio, já é uma bomba-relógio. A gente sabe disso, e numa coisa você tem razão, que infelizmente não se tem mais concursos públicos, porque se gasta muito com terceirizados. Então, o resultado da Previdência de hoje é o resultado de praticamente 30 anos de desmandos na Previdência”, afirmou Bocalom.
Thor, por sua vez, defendeu a mudança do modelo de desenvolvimento econômico. “Produzir para empregar já foi. O meu é industrializar para crescer. Esse é o eslogan do momento, esse é o eslogan do nosso futuro”, destacou.
Thor escolheu Mailza para falar sobre desenvolvimento econômico e questionou a atuação do governo estadual nos últimos oito anos, período em que ela foi vice-governadora de Gladson Cameli.
“Eu queria que a senhora fizesse uma avaliação do seu governo junto com o governador Gladson. Afinal de contas, vocês estavam juntos nos últimos oito anos. Ou, se a senhora quiser dizer que não estavam, vai ser uma surpresa para mim. Mas o que esse governo avançou nesse tema tão importante do desenvolvimento? Como a senhora vê o futuro do nosso Acre pelos próximos dez anos?”, perguntou.
Mailza citou investimentos em infraestrutura, produção rural, geração de emprego, educação e qualificação profissional. “Como, por exemplo, a reestruturação do nosso ambiente de ramais, por exemplo, de zona rural. Para produzir, nós precisamos entregar à nossa população ramais, garantir o ir e vir das pessoas e investir na mecanização, na assistência técnica”, afirmou.
A governadora também destacou a necessidade de combinar desenvolvimento econômico com redução da pobreza. “Não é possível desenvolver um Estado onde nós não temos emprego e renda para a população”, disse.
Mailza acrescentou que a formação profissional e a infraestrutura são necessárias para ampliar a industrialização. “Sem educação, preparação, formação, cuidado com as famílias, nós não vamos conseguir ter um desenvolvimento econômico no nosso Estado, porque nós temos a riqueza, mas nós não temos ainda a condição tecnológica para industrializar, capacidade técnica, mão de obra para esse trabalho e nós não temos ainda uma infraestrutura organizada para esse crescimento”, afirmou.
Na réplica, Thor questionou por que os problemas apontados por Mailza ainda persistem. “Mas, na prática, por que na prática nada disso aconteceu? Por que nossos ramais estão do jeito que estão? Por que nossa BR quase apartou esse ano? Por que todo mundo está indo embora do Acre por falta de oportunidade? Por que a gente não tem uma conectividade de boa qualidade nesse estado ainda?”, questionou.
O candidato também criticou a situação da educação. “Por que nossas escolas estão tão ruins? Desde a merenda escolar, escândalo de corrupção todo dia nos jornais”, afirmou.
Mailza respondeu que está há cinco meses no comando do Executivo estadual e afirmou que sua atuação como vice-governadora tinha limitações. “O meu governo está apenas há cinco meses. As decisões que foram tomadas até aqui em relação a tudo isso que a gente mencionou aqui não foram tomadas por mim. Eu era vice-governadora e tinha limite. E ainda assim reconheço que avançamos muito”, disse.
A governadora também defendeu a conciliação entre preservação ambiental e atividade econômica. “É possível preservar e desenvolver economicamente. E para isso nós precisamos dar condições e valorizar as pessoas que estão na floresta, as pessoas que passam necessidade mesmo dentro da cidade”, destacou.
No último tema do bloco, Alan Rick questionou Bocalom sobre propostas para reduzir o preço das passagens aéreas e ampliar a oferta de voos no Acre. Alan citou uma proposta relacionada ao Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC) e defendeu o uso de subsídios para reduzir o preço das passagens.
“Garantir um subsídio do FNAC, o Fundo Nacional de Aviação Civil, para que as empresas reduzam o preço da passagem aérea e ofertem mais voos para o povo. Qual a sua proposta para ajudar nisso?”, perguntou.
Bocalom afirmou que o governo estadual precisa participar do financiamento do transporte aéreo regional. “Então nós precisamos, o governo precisa subsidiar de verdade o transporte regional. Subsidiar que eu digo, o valor da passagem é mil, então a partir de agora vai custar 500 se o governo paga um pedaço desse transporte”, afirmou.
O candidato também defendeu a criação de uma ligação aérea entre o Acre e o Peru. “Uma outra coisa, a gente precisa subsidiar uma linha aérea daqui para o Peru pelo menos uma vez por semana para a gente iniciar a rota turística aqui com o Peru”, disse.
Alan afirmou que já tratou do tema com autoridades peruanas e defendeu medidas específicas para municípios isolados. “E realmente, nós precisamos de um governo que subsidie o preço da passagem aérea para os nossos municípios isolados”, afirmou.
Segundo ele, a proposta também prevê o uso de recursos do FNAC para estimular a redução das tarifas. “De forma nacional, nós aprovamos uma lei que subsidia, através de recursos do FNAC, para todas as empresas aéreas que operam no Acre poderem reduzir o preço da passagem aérea. Só poderá ter acesso à redução do que houver à empresa aérea que também aplicar essa redução no preço da passagem”, destacou.
Na tréplica, Bocalom defendeu a construção de estradas para ligar municípios isolados a Cruzeiro do Sul e afirmou que a falta de acesso terrestre aumenta a dependência do transporte aéreo.
“Então nós precisamos fazer essa estrada e nós vamos para cima de quem tiver que ir. Meio ambiente, onde tiver que ir nós vamos para cima, porque nós vamos fazer essas estradas para ligar esses municípios, porque não pode aquele povo receber um salário mínimo e pagar o dobro no arroz”, afirmou.
O terceiro bloco do debate entre os candidatos ao governo do Acre, foi marcado por ataques entre Alan Rick (Republicanos) e Mailza Assis (PP) sobre o diploma de pedagogia apresentado pela candidata, além de divergências sobre produção rural, avaliação do governo Gladson Cameli e propostas para a saúde pública. Bocalom (PSDB) e Thor Dantas (PSB) também protagonizaram um confronto sobre a saúde de Rio Branco e do Estado.
Alan Rick escolheu Mailza para uma pergunta sobre tema livre e levou ao debate a controvérsia envolvendo o diploma de pedagogia apresentado pela candidata à Justiça Eleitoral.
Mailza afirmou que concluiu o curso de pedagogia e disse ter apresentado a documentação solicitada. “Candidato Alan, concluí o meu curso de pedagogia, sim, com muita honra, com muito orgulho, e não tenho vergonha de ser uma candidata ou uma pedagoga. Enfrentei desafios na minha vida, como toda mulher acreana, mulher brasileira, que não tem condições de pagar uma universidade ou de entrar numa universidade federal”, afirmou.
A candidata relatou que iniciou outros cursos antes de concluir a pedagogia e atribuiu as interrupções às dificuldades de conciliar estudos, trabalho e família. “Apesar de eu ter entrado numa universidade federal do Acre, não consegui concluir o meu curso por conta do trabalho, ingressei em outro curso na Uninorte, não consegui concluir pelo meu trabalho, e também cursei direito na FAOO por dois anos e meio, também não concluí por conta do meu trabalho, dos meus filhos, etc. Consegui concluir o meu curso de pedagogia com muita honra”, disse.
Mailza afirmou ainda que a documentação apresentada está regular. “Quero dizer a você que a minha documentação está correta e já foi entregue à instituição solicitada”, declarou.
Alan voltou a questionar a validade do documento e afirmou que a instituição de ensino mencionada por Mailza responde a processos relacionados à venda de diplomas. “Não há problema nenhum em você não ter um curso superior, mas nós estamos diante de um debate que a nossa população precisa saber a verdade. Esse instituto que a senhora se formou responde a vários processos por venda de diploma lá em Valparaíso de Goiás”, afirmou.
O candidato também questionou a documentação apresentada pela defesa da adversária. “E o atestado que a senhora apresentou hoje, ele é assinado pela mesma pessoa que não faz mais parte dessa faculdade que assinou o seu certificado. Eu gostaria de saber se a senhora tem um histórico escolar, a sua turma, seus colegas, os carimbos do MEC, apenas para dar essa informação à nossa população que precisa saber a verdade”, disse.
Mailza reagiu dizendo que possui os documentos necessários para comprovar sua formação e acusou Alan de tentar descredibilizá-la. “Candidato, tenho concluído a minha faculdade de pedagogia e tenho toda a documentação necessária para provar isso. Quero respeito. Você está faltando com a verdade, em fazer uma acusação para me descredibilizar”, afirmou.
Na sequência, Mailza perguntou a Bocalom sobre seu plano para fortalecer a produção rural no Estado. A candidata afirmou que o adversário defende há anos o aumento da produção, mas que teve oportunidade de implementar políticas nesse sentido.
Bocalom respondeu citando sua experiência como prefeito de Acrelândia e de Rio Branco. Segundo ele, Acrelândia se tornou um dos principais municípios produtores do Estado. “Primeiro de tudo, eu quero dizer que eu me orgulho do resultado de três mandatos de Acrelândia e ter hoje a Acrelândia como maior produtor de café, maior produtor de banana e maior produtor de leite do Estado, que exporta dinheiro bem e melhora a vida das pessoas”, afirmou.
O candidato também citou investimentos feitos durante sua gestão na capital. “Aqui em Rio Branco eu tive cinco anos com dois anos de pandemia, portanto eu tive três anos que não tinha máquinas. Nós compramos 85 máquinas novas para fazer ramais e máquinas também para poder fazer mecanização”, disse.
Bocalom afirmou que a prefeitura mecanizou 4.000 hectares destinados à agricultura familiar. “Na minha gestão agora de prefeito de Rio Branco, nesse pouco tempo, nós conseguimos mecanizar 4 mil hectares de mecanização para a agricultura familiar, que deixou de queimar mais de 10 mil hectares e de derrubar mais de 4 mil hectares”, declarou.
Bocalom também citou investimentos em beneficiamento da produção. “Estamos acabando de montar um centro de indústrias de arroz, feijão e milho, de beneficiamento, que custou mais de 20 milhões de reais. Como é que custa a prefeitura? O governo do Estado não deu um centavo para isso e não tem nem esses equipamentos”, disse.
Mailza rebateu afirmando que a recuperação de ramais e o apoio à produção também contam com participação do governo estadual. “Ramal é responsabilidade do município. A Transacreana está sendo recuperada com a ajuda do governo do Estado, do nosso governo e do Deracre”, afirmou.
A candidata disse que pretende ampliar as ações voltadas aos produtores rurais. “Então nós precisamos de uma política forte e é a política que o nosso Estado está fazendo, de mecanização, de construção de ramais de qualidade, de pontes de concreto, e isso está no meu plano de governo e será o meu compromisso número um: cuidar do produtor para ele produzir de verdade e essa produção chegar à mesa do brasileiro, à mesa dos nossos acreanos. Lembrando que a produção do café é um programa do nosso governo. Há cinco anos atrás não havia a plantação de café e hoje sim, com o fortalecimento do governo”, afirmou.
Na tréplica, Bocalom criticou as ações apresentadas pela candidata e prometeu recriar estruturas de assistência técnica e apoio à agricultura familiar. “A mecanização que a senhora fez, ninguém viu até agora. Agora, na nossa, o povo viu, mais de 4 mil hectares”, disse.
Bocalom encerrou a resposta repetindo o seu jargão de campanha. “Assim como eu fiz em Acrelândia, que até hoje roda de inverno a verão, então eu tenho exemplo para dar e volto a insistir: se não roubar, o dinheiro dá”, afirmou.
Thor escolheu Alan Rick para responder sobre sua relação com o governo Gladson Cameli. O candidato do PSB afirmou que Alan, Bocalom e Mailza fizeram parte da base política que sustentou a administração estadual durante boa parte dos últimos anos. “O senhor fez parte desse governo durante a maior parte dele, como apoio. Aliás, o candidato Bocalom também fez parte. Vocês estiveram juntos durante a maior parte desse governo, com prefeitura, com bancada federal e com governo. O que que lhe levou a se decepcionar com esse governo e por que o senhor demorou tanto para se decepcionar com esse governo?”, questionou Thor.
Alan afirmou que ajudou a eleger o governo, mas rompeu após se decepcionar com a gestão. “Eu, como a maioria dos acreanos, nós ajudamos a colocar este governo, a eleger este governo que aí está, e infelizmente, como o senhor falou, esse governo nos decepcionou. Esse governo não entregou aquilo que a população esperava”, afirmou.
O candidato também citou investigações e denúncias de corrupção como motivo para o afastamento. “Os escândalos de corrupção que se seguiram acabaram descaracterizando tudo aquilo que nós construímos, imaginávamos que esse governo faria o bem para o nosso povo, mas infelizmente são escândalos e mais escândalos de corrupção e nós buscamos um outro caminho”, disse.
Alan apresentou a industrialização como eixo de seu projeto.“O da verdade, de apresentar um projeto para o Acre, apresentar um modelo de desenvolvimento baseado na industrialização, na geração de emprego, na atração de investimentos, na modernização do nosso parque industrial, na instalação de indústrias na nossa ZPE, que existe há mais de 20 anos e nunca se instalou uma indústria”, afirmou.
Alan defendeu a regionalização dos serviços de saúde. “Nós vamos mudar isso, vamos regionalizar a saúde de verdade, levando médico especialista para os hospitais que já deveriam ser regionais de verdade e não só no nome”, afirmou.
Thor respondeu questionando novamente a permanência de Alan na base do governo. “Eu continuo não entendendo por que o senhor ficou tanto tempo com esse governo. Eu me decepcionei com esse governo no primeiro mês”, afirmou.
O candidato disse que identificou problemas de gestão logo no início da administração e voltou a citar investigações. “Eu percebi que esse governo não ia andar nenhum, porque eu percebi a incapacidade de ficar três minutos numa reunião de planejamento. O escândalo de corrupção que esse governo acumula aos montes começou no segundo ano. A Ptolomeu está desde o segundo ano que se fala, desde 2021”, declarou.
Thor apresentou sua candidatura como alternativa aos demais concorrentes. “Eu digo para vocês, existe uma alternativa diferente de todos os três. Está colocada aqui. Sou eu, Thor Dantas, com o número 40. Nós trazemos a renovação. Não adianta mudar o candidato ao governo se todas as equipes políticas continuam juntas”, afirmou.
Na tréplica, Alan criticou os governos do PT e defendeu propostas voltadas à produção e infraestrutura. “O povo do Acre rejeitou os governos do PT, os governos de esquerda. O povo do Acre não aceita mais e quer realmente um governo que tenha propostas para o desenvolvimento verdadeiro do Estado”, afirmou.
Alan também citou projetos relacionados à conectividade e à BR-364. “O Acre precisa desenvolver a sua agricultura, precisa de uma pecuária forte, projetos que infelizmente os governos que o senhor defende não abraçaram de verdade”, disse.
“O primeiro passo foi dado por nós com o programa das Infovias. A primeira emenda parlamentar para fazer a fibra ótica de alta velocidade para integrar todo o Acre foi nossa. Nós trabalhamos para garantir a BR-364. A primeira reunião que definiu o investimento do governo federal de R$ 1,8 bilhão na BR fomos nós que fizemos”, afirmou.
O último confronto do bloco foi entre Bocalom e Thor. O ex-prefeito de Rio Branco questionou o médico sobre suas propostas para a saúde estadual e municipal. “Eu quero perguntar para você o seguinte: como é que vai ser de verdade a saúde no eventual governo teu? Porque você é da área e eu acredito que você tenha realmente as soluções todas. Por favor, eu quero ouvir as tuas soluções”, questionou Bocalom.
Thor citou sua experiência profissional na área da saúde e criticou a demora para realização de cirurgias no Estado. “A saúde é o que eu mais entendo realmente. Há 28 anos eu sou médico no Acre, sou professor de medicina, já fui diretor do pronto-socorro, superintendente da Fundhacre, secretário adjunto de Atenção à Saúde”, afirmou.
Segundo Thor, pacientes aguardam anos por procedimentos considerados de rotina. “Os corredores do pronto-socorro lotados, a Fundação Hospitalar demorando 3, 4, 5 anos para fazer uma cirurgia de hérnia, uma cirurgia de vesícula, uma cirurgia de mioma. As mulheres sangrando todo mês, tendo que tomar algumas transfusões de sangue, de sangramento todo mês por uma cirurgia das mais simples”, disse.
O candidato defendeu a contratação e valorização de profissionais formados no Acre. “O que está faltando ao Acre é voltar a valorizar os seus. Muito acreano hoje formado aqui, fazendo especialização aqui, em oito programas de residência médica, 50 especialistas por ano nós formamos aqui nos programas de residência médica que nós criamos lá atrás, em parceria com Jorge e com Tião”, afirmou.
Thor também defendeu a criação de um hospital universitário federal no Estado. “O Acre precisa dobrar o número de leitos hospitalares. Para isso, o melhor projeto é trazer um hospital federal, que é um hospital universitário, para cá, para o Acre”, disse.
Bocalom respondeu citando ações realizadas durante sua gestão na Prefeitura de Rio Branco e defendeu a criação de hospitais de pequeno porte nos municípios. “Eu quero dizer que não sou médico, não sou da área, mas eu acho que os exemplos que eu já dei lá em Acrelândia, na área que eu fiz, e os exemplos que nós demos aqui em Rio Branco, graças a Deus, estão aí os exemplos para quem quiser ver”, afirmou.
O candidato prometeu ampliar a oferta de atendimento nos municípios. “Vamos acabar com as filas, assim como eu fiz com as filas de pequenas cirurgias aqui, as filas de cirurgias que dá dó de ver pessoas morrendo na fila para poder fazer uma cirurgia de média e alta complexidade”, disse.
Bocalom também defendeu hospitais de pequeno porte em municípios do interior. “Todos os municípios, pequenos municípios, terão seus hospitais de pequeno porte, assim como os hospitais regionais. Tem lá o de Brasileia, tem lá o de Caracaraí, que até hoje não saiu, aqui o de Sena Madureira, que também faz seis anos que estão fazendo a reforma e não saiu, o de Cruzeiro do Sul, que é a regional do Juruá, que precisa funcionar, e nós vamos contratar os especialistas que forem necessários”, afirmou.
Thor encerrou o bloco criticando a gestão municipal de Bocalom na área da saúde. “Bocalom, realmente o senhor não entende nada de saúde, me desculpe. O senhor tem os piores indicadores da atenção básica, da assistência ao diabético, da assistência ao hipertenso, do pré-natal e da vacina. Rio Branco está reprovado em todos esses indicadores”, afirmou.
O candidato também questionou a atuação da prefeitura em procedimentos cirúrgicos. “Não é papel do município de Rio Branco fazer cirurgia, candidato. Isso é papel da Fundação Hospitalar. O senhor fazer pequena cirurgia de tirar biloto, como diz o acreano, de tirar caroço, isso não é o problema da população. O problema da população é a hérnia, é a vesícula, é o mioma, é o joelho, são as cirurgias que estão represadas lá na Fundação Hospitalar”, disse.
Thor concluiu afirmando que Bocalom estaria concentrando sua atuação em atribuições que, segundo ele, não seriam municipais. “O senhor não resolve o problema do município de Rio Branco e se volta para um problema que é do Estado para se meter numa coisa que não devia se meter e não resolve o que é competência do município de Rio Branco”, afirmou.
O quarto bloco concentrou os principais temas de gestão pública: educação, municípios isolados, saneamento e meio ambiente. Mantive as falas mais relevantes, com atribuição após as citações e sem transformar o texto em uma transcrição integral.
O quarto e último bloco do debate entre os candidatos ao governo do Acre, realizado pela Rede Amazônica nesta terça-feira (29), foi marcado por confrontos sobre educação, atendimento aos municípios isolados, saneamento básico e meio ambiente.
Thor questionou Mailza sobre os resultados da educação durante o governo Gladson Cameli, do qual ela participou como vice-governadora. O candidato citou problemas envolvendo merenda escolar, remuneração dos professores e gestão da área.
“A educação talvez seja daquelas pastas da administração e daquelas medidas que mais têm a contribuir com o nosso estado no longo prazo. Qualquer investimento que a gente faça em educação traz retorno para o nosso futuro, para o nosso estado pelos próximos 10, 20, 30 anos. A gente termina esse último governo do qual a senhora participou com graves crises na educação”, afirmou.
Thor também mencionou denúncias relacionadas à merenda e mudanças na carreira dos professores. “Merenda escolar, desvio de recurso, achatamento de salário dos professores que tiveram a tabela reduzida. Qual a sua avaliação, o que deu tão errado à educação no seu governo, no governo do Gladson e no governo que a senhora participou?”, questionou.
Mailza afirmou que seu governo começou há cinco meses e disse que pretende manter programas considerados positivos e corrigir problemas existentes.
“Eu quero fazer uma observação aos candidatos que me antecederam, que falaram sobre os voos para o interior, para as nossas cidades isoladas, que não existe nenhum apoio do nosso governo às pessoas que moram nessas cidades. Nós temos o programa Integra Acre vigente desde o ano passado e nós custeamos sim a passagem das pessoas de baixa renda desses quatro municípios”, afirmou.
Sobre a educação, a governadora disse reconhecer problemas e prometeu ampliar investimentos. “Quanto à educação, candidato Thor, eu repito, o meu governo iniciou há cinco meses e tenho, sim, não estou aqui fugindo dos problemas, tenho responsabilidade quanto aos anos que governei como vice-governadora e nós estamos, sim, tomando pé de tudo o que temos na educação e fortalecendo as coisas boas que estão acontecendo”, disse.
Mailza afirmou que pretende priorizar a área caso seja eleita. “No meu governo terei um olhar principal para a educação, com escolas de tempo integral, com escolas cívico-militares, com reforma nas escolas, com valorização dos nossos professores e eu já disse, minha primeira atitude será devolver a tabela e regularizar a carreira dos nossos professores e contratar professores efetivos para os nossos alunos. Também melhorar a qualidade do ensino especial, porque as mamães precisam, nossas crianças também precisam muito. Tenho compromisso com a educação e a educação do Estado será valorizada”, afirmou.
Na réplica, Thor questionou quais resultados do governo anterior Mailza pretende manter. “A senhora falou que vai manter o que melhorou e vai melhorar o que não está bom. Eu só não entendi o que está bom. O que melhorou? O que a senhora vai manter? O que deu certo nos últimos oito anos?”, questionou.
O candidato citou indicadores e problemas relacionados à alimentação escolar. “Um terço dos alunos da área rural tiram zero em português. A alimentação dessas crianças nas escolas é motivo de manchete todo dia. Aluno fazendo greve porque não tem o que comer e tanto produto de qualidade, produzido pelo nosso produtor, que um programa de compra governamental poderia estar levando para merenda escolar e dando, ao mesmo tempo, solução para a economia e para a alimentação dos nossos alunos”, afirmou.
Mailza respondeu citando investimentos feitos pelo governo na educação. “Nós fizemos o maior concurso da história, contratamos 2.600 professores. Prato extra não é algo bom, que implementou a merenda de qualidade na mesa dos nossos alunos, que estão sendo investidos recursos próprios para a compra desse alimento de qualidade”, disse.
A governadora também mencionou reformas e investimentos em escolas. “Reforma das escolas, já foram mais de R$ 230 milhões reformando escolas, climatizando, investindo em tecnologia. Nós temos resultados, sim, na educação”, afirmou.
Mailza ainda citou a distribuição de uniformes e kits escolares. “O governo entrega uniforme escolar para 100% dos nossos alunos, nós entregamos mais de 100 mil kits escolares para as crianças. É tudo isso que vai continuar. Onde houver dificuldade, onde houver problema, vou corrigir e estou atenta a isso”, destacou.
Bocalom escolheu Alan Rick para discutir a situação dos municípios isolados. O candidato do PSDB defendeu novamente a construção de estradas para ligar cidades como Santa Rosa do Purus à rede rodoviária do Estado. “Eu me lembro em 2010, quando eu cheguei em Santa Rosa, dei um discurso dizendo que eu ia ligar aquela cidade lá, a BR-364”, afirmou Bocalom.
O candidato disse que a falta de conexão terrestre encarece produtos e dificulta o acesso da população a serviços.
“Não é justo um pacote de arroz lá custar o dobro daqui, mas o salário mínimo lá é o mesmo, Alan. Eu tenho certeza que eu vou dar um jeito de resolver isso. Qual será o teu trabalho?”, questionou.
Alan respondeu criticando a atuação do atual governo nos municípios isolados. “Prefeito Bocalom, realmente os nossos municípios isolados sofrem nesse atual governo. Estive recentemente em Marechal Thaumaturgo, a maior reclamação da população é o TFD, que não funciona, funciona precariamente”, afirmou.
O candidato também questionou a execução do programa Integra Acre. “O programa Integra Acre, citado pela candidata atual governadora, não está funcionando na realidade, só existe no papel. Os moradores de Jordão podem dizer isso na realidade, lá foi prometido o subsídio para passagem aérea, mas não aconteceu”, disse.
Alan citou ainda problemas relacionados à compra de alimentos para a merenda escolar. “Para não dizer triste, um avião do governo chegando ao município e entregando comida para a merenda escolar. Tinha lá iogurte, bolacha, leite em pó e, pasmem, candidato Bocalom, macaxeira e banana vindo de outro município, sendo que o governo poderia ter comprado ali em Santa Rosa”, afirmou.
Segundo Alan, produtores locais também estariam enfrentando dificuldades para vender sua produção ao governo. “Da mesma forma quando estive em Capixaba, eu conversei com os produtores rurais e a resposta: jogaram fora toda a sua produção de maracujá. Porque o atual governo do Estado compra de outro estado ao invés de comprar a produção do nosso produtor”, declarou.
Na réplica, Bocalom voltou a defender a abertura de estradas. “Eu tenho certeza, se o momento não era aquele, vai ser agora. Deus sabe o que faz. Eu trabalho com Deus sobre os meus trabalhos”, afirmou.
O candidato prometeu priorizar os municípios isolados. “Então tenha certeza de uma coisa, vocês que moram em Jordão, Santa Rosa, Thaumaturgo, Porto Walter, vocês terão um governador que vai olhar para vocês como seres humanos. Pessoas que precisam de estrada para poder sair”, disse.
Bocalom também afirmou que pretende enfrentar restrições ambientais para viabilizar as obras.“Como governador de Estado, nós vamos para cima. De homens, seja quem for, que diz que não vai abrir o plano meio ambiente, nós vamos para cima. Precisa de um governador que tenha coragem e tenha peito para poder realizar essas estradas”, afirmou.
Alan apresentou outras medidas para as cidades isoladas, como internet, energia e abastecimento de água. “Nosso governo vai levar a internet de qualidade, energia solar, vamos levar os sistemas de abastecimento de água, como já temos feito em várias comunidades dos nossos municípios isolados”, afirmou.
O candidato citou ações em Marechal Thaumaturgo e Porto Walter. “Veja só o caso de Marechal Thaumaturgo, já são oito sistemas de abastecimento de água que atendem desde comunidades ribeirinhas até aldeias indígenas. Estive ali na aldeia Hilda Siqueira, subindo o Juruá, fui em Porto Walter e já entregamos, além da internet, vários sistemas de abastecimento de água também”, disse.
Alan Rick questionou Thor sobre as propostas para o saneamento básico e defendeu a participação da iniciativa privada nos investimentos do setor. “Segundo a Organização Mundial de Saúde, cada um real investido em saneamento você economiza cinco em saúde. Hoje o atual governo é um dos piores do Brasil em investimento em saneamento per capita”, afirmou.
O candidato citou o marco legal do saneamento e defendeu investimentos de até R$ 5 bilhões. “Nós defendemos um projeto moderno, onde o nosso governo atrairá investimentos na casa de até R$ 5 bilhões para fazer saneamento com qualidade. Qual sua proposta para o saneamento do Acre?”, questionou.
Thor afirmou que o problema está diretamente relacionado à saúde pública e criticou a falta de investimentos no setor. “O Acre realmente está numa situação vergonhosa, tanto com relação à qualidade da água, quanto com relação ao tratamento de esgoto. E absolutamente nada, nada foi feito nos últimos anos de investimento nessa área tão importante”, disse.
O candidato afirmou que o Estado precisa elaborar um plano de longo prazo para buscar recursos. “Eu entendo que a gente precisa enfrentar esse problema com a coragem que ele precisa, porque, você chama a atenção, os recursos necessários para resolver esse problema são extremamente volumosos. Mas a primeira coisa que tem que ter, Alan, é plano e governo”, afirmou.
Thor disse que existem fontes de financiamento disponíveis.“Os recursos existem, os recursos do PAC, os recursos das emendas de bancada, os recursos das emendas individuais, o dinheiro tem, o que falta é plano, o que falta é governo que assuma isso como prioridade de uma gestão e que assuma isso como uma prioridade política”, declarou.
Na réplica, Alan citou dados do Instituto Trata Brasil sobre a situação do saneamento no Estado. “Dados do Instituto Trata Brasil apontam que o Acre é o penúltimo estado do Brasil em saneamento. Apenas 47% da nossa população tem acesso à água tratada, do sistema, e apenas 11% a esgoto coletado e tratado”, afirmou.
Alan disse que pretende investir em estações de tratamento, drenagem e resíduos sólidos. “Não houve nenhum investimento em construção de estações de tratamento de esgoto, em novas estações de tratamento de água, em redes de drenagem, porque saneamento também é drenagem urbana e tratamento adequado dos resíduos sólidos”, disse.
O candidato também afirmou ter participado da aprovação do marco legal do saneamento. “Eu ajudei a aprovar o novo marco legal de saneamento. Desde 2021 trabalho junto ao Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional por um projeto moderno de saneamento para o Acre, inclusive com o modelo de resolução dos problemas das cheias dos nossos igarapés, com os piscinões, com os modelos de cidades-esponjas”, afirmou.
Thor voltou a defender um plano de investimentos e criticou a permanência do atual grupo político no governo.
“A qualidade da água diz respeito à nossa sobrevivência. Se a gente não resolver esse problema e não avançar sobre ele, nós não vamos ter água para beber no nosso futuro, porque a quantidade de esgoto in natura que a gente despeja no rio e nos igarapés, que nos alimentam, nos nutrem de água, hoje ela é inadmissível”, afirmou.
Segundo Thor, o saneamento exige planejamento de longo prazo. “O saneamento não é um problema fácil, o saneamento não é um problema de curto prazo para ser resolvido, mas ele precisa ser encarado, ele precisa ser enfrentado por gestores que tenham a coragem e a competência técnica de fazê-lo”, disse.
No último confronto do debate, Mailza questionou Bocalom sobre a relação entre preservação ambiental, produção e desenvolvimento econômico.“Candidato Bocalom, diante dos limites que nós temos da lei ambiental fortíssima no nosso estado, que apresentamos a uma política há mais de 20 anos, e hoje nós temos 86% das nossas florestas preservadas, que é importante, mas onde está o verdadeiramente desenvolvimento considerando o meio ambiente?”, perguntou.
Mailza também questionou as propostas do candidato para rios, florestas e saneamento. “Qual é o plano que o senhor tem para os nossos rios, florestas e o nosso saneamento básico?”, questionou.
Bocalom afirmou que a questão ambiental não deve ser restrita à preservação das florestas e citou ações realizadas em Rio Branco. “Meio ambiente quer dizer que começa dentro de casa. O problema que muitas vezes acho que meio ambiente só é a floresta. Meio ambiente começa dentro de casa”, afirmou.
Bocalom também citou ações de educação ambiental e coleta de resíduos. “Aqui na cidade se queimava o lixo do fundo do quintal. E, no entanto, hoje praticamente não se queima, porque fizemos todo um trabalho de educação ambiental nas escolas, em todos os locais, e hoje, graças a Deus, praticamente não se queima, porque a prefeitura recolhe esses resíduos de fundo de quintal”, afirmou.
O candidato defendeu mudanças na relação entre preservação e atividade econômica. “Eu não quero, de jeito nenhum, não vou aceitar que o meio ambiente escravize o ser humano. Vou estar sempre batendo nessa tecla”, declarou.
Bocalom também defendeu mudanças na Reserva Extrativista Chico Mendes. “A nossa questão lá da Reserva Chico Mendes, tenho certeza que vou ter um governador que vai para cima. Nós temos que repensar aquela reserva. Não dá para manter mais daquele jeito”, afirmou.
Sobre os rios, defendeu ações de recuperação e fiscalização. “A questão dos rios, precisamos sim fazer desobstrução nos rios, precisamos plantar matas ciliares, precisamos recuperar os nossos rios. E não podemos jogar também esgoto in natura nos nossos rios”, disse.
Mailza respondeu que o saneamento é uma das prioridades de sua proposta de governo. “Nosso maior problema no meio ambiente, candidato, é o saneamento básico, que até hoje não superou as nossas necessidades. Partindo da responsabilidade dos municípios”, afirmou.
A candidata defendeu ampliar os investimentos estaduais na área.“O meu projeto de governo e está no meu plano de trabalho é reforçar o investimento para o nosso saneamento básico. Esse é o melhor cuidado que nós precisamos ter com o meio ambiente”, disse.
Mailza também afirmou que pretende combinar preservação ambiental e exploração econômica dos recursos naturais. “Nós já provamos que é possível desenvolver preservando. Então nós precisamos agora extrair da nossa floresta e dos nossos rios e aí estendendo o cuidado aos rios para o tratamento da água e do lixo que também interfere na nossa qualidade de vida pelo meio ambiente”, afirmou.
Bocalom respondeu que o saneamento também é responsabilidade do governo estadual e citou resultados da Prefeitura de Rio Branco. “O governo do Estado não fez absolutamente nada. Aqui em Rio Branco, na prefeitura, nós já fizemos, tivemos um avanço muito grande e vamos ter avanços muito maiores ainda”, disse.
O candidato afirmou que o município deve ultrapassar 60% de tratamento de esgoto até o próximo ano. “Até meados do ano que vem, ultrapassará 60% do tratamento de esgoto que nós já deixamos, o Saerb já está cuidando disso”, afirmou.
Bocalom encerrou o debate defendendo que as políticas ambientais não podem impedir a melhoria das condições de vida da população. “Meio ambiente não vai escravizar mais o ser humano no governo do Bocalom. Não vai. Vou acabar com isso. Nós vamos, primeiro de tudo, preservar a vida humana, da qualidade de vida”, declarou.
Fonte: ac24horas.com
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