Eleições 2026

No Acre, Márcio Bittar transforma suplente em protagonista da campanha ao Senado

29/09/2026 1 views 4 min de leitura

Divisão territorial entre o senador e o empresário Jebert Nascimento amplia a presença da candidatura e estabelece uma dinâmica mais próxima das campanhas para governador e vice

A campanha de Márcio Bittar (PL) à reeleição para o Senado adotou no Acre uma configuração pouco comum nas disputas pelo cargo. Em vez de permanecer em posição secundária, como geralmente ocorre com suplentes, o empresário Jebert Nascimento passou a atuar como o principal representante do senador nas ruas. Os dois cumprem agendas simultâneas em regiões diferentes do estado, encontram-se em compromissos estratégicos pontuais e dividem a tarefa de apresentar a candidatura ao eleitorado.

A dinâmica lembra mais uma campanha para governador e vice do que a composição tradicional de uma chapa ao Senado. Enquanto Bittar concentra parte de sua agenda na defesa do mandato, contato com o público e nas articulações políticas, Jebert percorre municípios, participa de reuniões com eleitores e mantém diálogo com empresários, trabalhadores e lideranças comunitárias. As agendas conjuntas são específicas. Na maior parte do tempo, cada um atua em uma frente, o que permite à candidatura ocupar diferentes territórios no mesmo dia.

A estratégia parte de uma característica compartilhada pelos dois: ambos chegaram à eleição com bases próprias. Bittar acumula mais de três décadas de vida pública, com passagens pela Assembleia Legislativa do Acre, Câmara dos Deputados e Senado. Jebert, por sua vez, construiu sua projeção fora da política institucional, sobretudo no setor empresarial e entre profissionais ligados à terceirização de serviços, setor em que atua há mais de 25 anos. A aliança, portanto, não reúne apenas um candidato conhecido e um suplente indicado para completar formalmente a chapa, mas duas grandes redes de relacionamento que já existiam antes da campanha.

Ao anunciar a escolha, em julho, Bittar afirmou que a decisão ocorreu após uma avaliação de nomes e reconheceu que Jebert ampliava canais aos quais ele próprio não chegava com a mesma facilidade. “Estou muito feliz de estar com ele ao meu lado. Estou me sentindo mais forte. Jebert foi uma indicação de um amigo. Mas se eu fosse escolher hoje, com certeza optaria por ele novamente”, declarou o senador na ocasião e em outros eventos públicos. A fala expõe a lógica eleitoral da composição: incorporar à candidatura um representante do setor produtivo com capacidade de mobilização própria.

A aproximação também colocou a Terceirização entre os temas da campanha. Em encontro com trabalhadores e empresários do segmento, em agosto, Bittar defendeu a criação de mecanismos legais que ofereçam maior previsibilidade às prestadoras de serviços, segurança aos trabalhadores e proteção contra interferências políticas nos contratos. O posicionamento atende a uma atividade econômica relevante no Acre, mas igualmente marcada por problemas recorrentes, como atrasos nos repasses públicos, insegurança contratual e consequências diretas sobre salários e benefícios dos trabalhadores.

A convergência entre Bittar e Jebert aparece com mais clareza no discurso econômico. Ambos defendem o estímulo ao empreendedorismo, a geração de emprego e a redução da dependência do poder público. Jebert tem associado essa agenda à necessidade de ampliar oportunidades para quem está na ponta do mercado de trabalho; Bittar acrescenta a defesa de investimentos em infraestrutura e de condições institucionais que permitam ao setor privado produzir e contratar.

O desafio da chapa é demonstrar que essa defesa da iniciativa privada pode resultar em desenvolvimento socioeconômico com inclusão social. Em um estado no qual o poder público ainda ocupa posição central na economia, o discurso sobre empreendedorismo precisa dialogar tanto com grandes empregadores quanto com pequenos negócios, trabalhadores assalariados e famílias dependentes dos serviços públicos. A infraestrutura surge como ponto de ligação: estradas, energia, conectividade e logística são apresentadas como condições necessárias para que a atividade econômica alcance também o interior.

O resultado dessa experiência dependerá das urnas. Independentemente dele, a campanha já produz uma mudança inédita perceptível na política acreana: retira o suplente dos bastidores e o coloca sob o mesmo escrutínio público reservado ao titular. Ao dividir territórios, agendas e responsabilidades, Márcio Bittar e Jebert Nascimento testam uma fórmula em que a chapa inteira, e não somente o nome que aparece primeiro, passa a disputar a confiança do eleitor.

Fonte: ac24horas.com

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