MPAC pede fechamento de frigorífico por poluição de igarapé em Senador Guiomard
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Ministério público exige fechamento de frigorífico no acre por poluição

04/11/2026 3 views 3 min de leitura

As atividades do frigorífico Frigomarca, situado na zona rural de Senador Guiomard, devem ser paralisadas de forma imediata. A exigência foi formalizada pelo Ministério Público do Estado do Acre (MPAC), que direcionou uma recomendação ao Instituto de Meio Ambiente do Acre (IMAC) apontando graves danos ambientais causados pelo empreendimento.

Excesso de abate de bovinos e contaminação de manancial

Conforme as investigações conduzidas pelo órgão ministerial, resíduos e efluentes industriais estão contaminando o Igarapé Pirã de Rã. O manancial afetado possui papel fundamental, pois é utilizado diretamente no abastecimento de água da população do município.

O levantamento técnico revelou que a unidade operava muito acima da capacidade permitida. Embora a licença ambiental estabeleça o teto de 670 bovinos processados diariamente, a fiscalização constatou que em 35,06% dos dias analisados esse volume foi superado. Em uma das ocorrências mais graves, o local registrou o abate de 1.236 animais em apenas um dia, marca que supera em 84% o patamar autorizado.

Irregularidades técnicas e falhas na graxaria

Além do volume excessivo de produção, o relatório apontou falhas severas na estrutura e na operação da empresa. Foram encontradas inconsistências nos registros de monitoramento ambiental, falta de outorga oficial para o descarte de efluentes e problemas operacionais na unidade de graxaria.

Intervenção inadequada em área protegida

Os técnicos do ministério público também avaliaram como superficial a intervenção realizada em uma Área de Preservação Permanente (APP). O local não apresentou laudos laboratoriais que comprovassem a descontaminação do solo, tampouco contava com um projeto de recuperação ambiental formalmente aprovado pelos órgãos competentes.

Histórico de embargos e retomada controversa

O estabelecimento já havia sofrido sanções anteriores. Em maio de 2026, o IMAC aplicou penalidades financeiras e determinou o embargo da planta industrial devido ao descumprimento de exigências ambientais. No entanto, as atividades foram retomadas após a empresa enviar um relatório de automonitoramento por meio de um aplicativo de mensagens.

Uma nova inspeção realizada pelo Núcleo de Apoio Técnico do MPAC revelou falhas nos números apresentados para embasar a reabertura. Com a nova recomendação, o ministério exige a suspensão de qualquer novo abate, a reavaliação da licença ambiental e do termo de liberação, além da possibilidade de interdição total da fábrica e lacração do maquinário.

A determinação, assinada pelo promotor de Justiça Alekine Lopes dos Santos em 27 de outubro, foi veiculada no Diário Eletrônico do MPAC. Cabe agora ao órgão ambiental executar vistorias quinzenais para garantir a paralisação das operações e o fim do despejo de dejetos, devendo prestar contas sobre as medidas adotadas.

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