Uma intervenção direta da gestão norte-americana levou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a modificar o manifesto divulgado nas redes sociais. A diplomacia dos Estados Unidos solicitou a exclusão de trechos nos quais o parlamentar, derrotado nas urnas, se autoproclamava o “verdadeiro presidente eleito”.
Risco de atrito diplomático motivou intervenção
Integrantes do Departamento de Estado norte-americano avaliaram que a manutenção desses termos sugeriria que Washington chancelava a contestação das urnas e acolhia o parlamentar com status de chefe de Estado. O posicionamento da gestão de Donald Trump foi definido assim que o teor do documento chegou ao conhecimento das autoridades.
Embora Trump tenha autorizado o ingresso do senador e a liberação de visto humanitário para sua família, além de expressar ressalvas quanto ao sistema eleitoral brasileiro, o republicano não pretende romper com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem tem tecido comentários positivos. Dessa forma, acolher o senador como governante legítimo extrapolaria os planos da Casa Branca e colocaria em xeque as relações institucionais com o Brasil.
Recuo e edição dos termos nas redes sociais
O texto original, divulgado na última quarta-feira (28), afirmava que Flávio era o “verdadeiro presidente do Brasil” e “presidente eleito”, trazendo acusações de fraude sem a apresentação de provas. Pouco tempo depois da publicação inicial, a mensagem foi apagada e substituída por uma nova redação, que trocou as nomenclaturas anteriores por “líder do Brasil” e “líder”. Interlocutores do senador classificaram a edição apenas como um ajuste formal.
Manifesto cita apoio externo e nega fuga
Na mensagem revisada, o parlamentar expressou gratidão a Donald Trump e ao mandatário argentino, Javier Milei, garantindo estar “em segurança” com seus familiares no exterior. Flávio rechaçou a tese de fuga do país, declarou-se vítima de perseguição política e comunicou a intenção de conduzir a oposição a partir de solo norte-americano.
Questionamentos sobre a votação e números do TSE
O senador também criticou o despacho do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que prorrogou o encerramento do pleito em duas horas em razão de dificuldades climáticas e no transporte público de eleitores. A extensão, contudo, havia sido solicitada pelas duas coligações que disputavam o segundo turno.
Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicam que pouco mais de 34 mil votos foram computados no período estendido após as 17h, margem insuficiente para alterar a vitória de Lula, consolidada por uma diferença de 4,43 milhões de votos. A Justiça Eleitoral ratificou a lisura e a segurança do processo, enquanto o próprio Partido Liberal (PL) admitiu o resultado oficial, pontuando que eventuais dúvidas deveriam tramitar nos canais jurídicos competentes.
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