Correios no Acre: sindicato aponta falhas nas rotas, encomendas acumuladas e falta de trabalhadores
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Correios no Acre: sindicato aponta falhas nas rotas, encomendas acumuladas e falta de trabalhadores

30/10/2026 2 views 4 min de leitura

Correspondências e encomendas acumuladas nas unidades de distribuição, carteiros sobrecarregados e profissionais disponíveis sem serem aproveitados nas entregas. Esses são alguns dos problemas relatados por trabalhadores dos Correios durante uma reunião promovida pelo Sindicato dos Trabalhadores dos Correios do Acre (Sintect-AC), na quinta-feira, 29, em Rio Branco.

O encontro reuniu representantes de unidades de distribuição da capital e do interior para discutir os impactos da reestruturação dos Correios e as falhas apontadas na implantação do Sistema de Distritamento Domiciliar (SDD), ferramenta utilizada pela empresa para reorganizar as áreas de entrega e dimensionar a quantidade de trabalhadores necessária em cada região.

Segundo o sindicato, a implementação do sistema tem provocado problemas na distribuição da carga de trabalho, com redução de carteiros nas atividades de entrega em alguns locais e aumento dos percursos e da quantidade de serviço para os profissionais que permanecem nas ruas.

Falhas na organização das entregas

O distritamento é a divisão das áreas atendidas pelos carteiros em setores ou rotas. Na prática, o sistema define quais regiões cada profissional deve percorrer para realizar as entregas.

De acordo com os relatos apresentados ao sindicato, a reorganização teria sido feita sem considerar adequadamente a realidade de algumas unidades. Entre os problemas apontados estão erros no cadastramento de ruas, distâncias e percursos, além de tempos estabelecidos pelo sistema que seriam incompatíveis com as atividades realizadas pelos trabalhadores.

O Sintect-AC também relata acúmulo de correspondências e encomendas, falta de manutenção de veículos, problemas com fardamentos e condições de trabalho, redução de funções de supervisão e suporte operacional insuficiente.

Outro ponto levantado pela entidade é a falta de participação efetiva dos trabalhadores nas decisões que afetam a rotina das entregas. Segundo o sindicato, alguns profissionais foram retirados de suas atividades habituais e relataram prejuízos financeiros decorrentes das mudanças.

A reunião definiu encaminhamentos para reunir dados sobre a situação das unidades. As informações deverão embasar cobranças formais à direção dos Correios e a análise de possíveis medidas administrativas e judiciais.

Sindicato aponta problemas estruturais nas contas dos Correios

A presidente do Sindicato, Suzy Cristiny, afirmou, ao portal A GAZETA, que a situação financeira dos Correios está relacionada a problemas estruturais. Um deles, segundo ela, é a manutenção de agências em localidades remotas, onde a operação não gera lucro e não conta com contrapartidas financeiras de governos ou prefeituras.

Suzy defendeu que essas unidades sejam mantidas por causa da função social da empresa pública, que, na avaliação dela, deve garantir o acesso da população aos serviços postais mesmo em regiões onde a operação é deficitária.

“Os Correios operam nessas localidades em total prejuízo. Porém, nós defendemos a manutenção dos Correios por ser uma questão social. Então, como uma empresa estatal e pública, o seu objetivo é garantir para a população o acesso ao serviço postal”, afirmou.

A presidente também apontou a concorrência com empresas privadas de entrega como outro fator que, na avaliação do sindicato, afeta as contas dos Correios. Segundo ela, essas empresas operam com custos menores e condições de trabalho diferentes, que classificou como precarizadas.

A dirigente afirmou que o sindicato defende a criação de obrigações trabalhistas também para as empresas concorrentes, para que haja condições mais equilibradas de competição e garantia de direitos aos entregadores.

“E aí nós temos uma reivindicação que nós estamos encaminhando para o governo federal: que as empresas concorrentes também tenham obrigações trabalhistas, assim como o governo tem feito com relação aos direitos mínimos previdenciários para os motoristas de aplicativo”, disse.

O Sintect-AC afirma que as mudanças na organização dos serviços precisam considerar a realidade das unidades, as condições de trabalho dos profissionais e a qualidade do atendimento oferecido à população.

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