A médica Elyne de Assis Nogueira, de 39 anos, assassinada a tiros na noite de segunda-feira, 2, em Brasiléia, era acompanhada pela Patrulha Maria da Penha da Polícia Militar do Acre. A informação foi confirmada nesta quarta-feira, 4, pela comandante-geral da corporação, coronel Marta Renata, durante entrevista coletiva em Rio Branco.
Ao comentar o caso, a comandante afirmou que Elyne era uma das mulheres atendidas pelo serviço e que foi a primeira pessoa acompanhada pela patrulha a ser assassinada. “Ela era a nossa acolhida, a primeira acolhida que nós perdemos”, declarou.
A comandante também informou que a Polícia Militar elaborou um relatório em 1º de setembro comunicando o descumprimento das medidas protetivas da médica. Um segundo documento foi encaminhado ao Ministério Público em 21 de outubro, após a corporação identificar uma nova violação das determinações judiciais pelo agressor.
“O Estado acompanhou bem de perto, por meio inclusive da Patrulha Maria da Penha. Fizemos um relatório no dia 1º de setembro, dando conta do descumprimento das medidas protetivas. Fizemos um outro relatório, também informando ao Ministério Público, no dia 21 de outubro, informando que novamente o agressor tinha quebrado as determinações judiciais”, afirmou.
A comandante lamentou a morte e disse que o caso abalou os profissionais que acompanhavam Elyne mais de perto.
“Lamentamos, é algo que abala todos nós, com toda certeza, e sobretudo porque era uma pessoa que a gente estava tendo esse contato mais direto”, acrescentou.
Pedidos de prisão
O Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) confirmou ao portal A GAZETA que solicitou à Justiça, por duas vezes, a prisão do advogado e ex-procurador Francisco Valadares Neto, ex-companheiro de Elyne, por descumprimento da medida protetiva. O órgão não detalhou as datas dos pedidos nem informou quais decisões foram tomadas pela Justiça.
Francisco é investigado como possível mandante do assassinato. Nesta quarta-feira, 4, o delegado-geral da Polícia Civil, Pedro Bulzolin, confirmou que a Justiça expediu mandado de prisão contra ele e que a ordem estava em cumprimento.
Relembre o caso
Elyne de Assis Nogueira foi morta a tiros na noite de segunda-feira, 2, enquanto estava acompanhada de amigos em um estabelecimento comercial de Brasiléia, no interior do Acre. Um homem se aproximou da médica, efetuou os disparos e fugiu. O ataque foi registrado por câmeras de segurança.
A Polícia Civil investiga o caso como possível feminicídio e apura a suspeita de que Francisco Valadares Neto tenha planejado e ordenado o assassinato da ex-companheira. O suspeito de executar os disparos já foi identificado e continua sendo procurado.
Antes do crime, Elyne havia registrado dois boletins de ocorrência envolvendo o ex-companheiro, em 25 de agosto e 11 de setembro de 2026. Na segunda ocorrência, denunciou novas ameaças e o descumprimento da medida judicial de afastamento.
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