Mercado revisa PIB para baixo e já vê inflação até 6% em 2027
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Mercado prevê inflação de até 6% e reduz avanço do PIB em 2027

01/11/2026 2 views 5 min de leitura

O resultado da eleição presidencial alterou substancialmente as expectativas do mercado financeiro para o próximo ciclo econômico. Diante da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva para um quarto mandato, instituições financeiras e consultorias iniciaram um movimento de forte reprecificação, elevando as estimativas para a inflação e diminuindo o ritmo esperado para o crescimento da atividade em 2027.

Projeções de inflação disparam entre os analistas

Após a semana seguinte ao pleito — período marcado por uma queda de 18% no Ibovespa —, os modelos econômicos passaram a projetar um ambiente mais desafiador para os índices de preços. O Itaú realizou uma correção drástica ao adicionar 1,5 ponto percentual à sua projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2027, estimando a taxa agora em 6,1%. O Banco Daycoval também atualizou seu número, passando de 4,2% para 4,7%.

Casas como XP e Bradesco trabalham na remodelagem de suas previsões, enquanto a Lifetime Investimentos prepara um ajuste para posicionar o indicador acima dos 5%. Contudo, a economista-chefe da Lifetime, Marcela Kawauti, ressalta que o momento exige prudência:

“A gente não está divulgando a projeção certinha agora, porque tem muita coisa para ser resolvida, muita pergunta sem resposta em relação à equipe econômica, em relação ao orçamento do ano que vem, que não está aprovado e eles certamente vão precisar arrumar para abarcar a parte do ‘pacote de bondades’”, pondera.

A Warren já atuava com uma estimativa de 5,2% para o IPCA ao fim de 2027, mas a estrategista de inflação Andréa Angelo salienta que os efeitos tributários podem agregar 0,3 ponto percentual a essa conta. Caso prevaleça uma expansão de despesas públicas, a inflação pode superar 5,5%. O Banco Pine, que calcula o índice em 4,5%, também avalia novos ajustes, enquanto o Boletim Focus calcula mediana em 4,34%.

Cinco fatores de pressão sobre os preços

A deterioração do cenário inflacionário decorre do acúmulo de choques simultâneos previstos para os próximos anos:

  • Disparada cambial: o dólar subiu 9,17% na semana posterior à apuração das urnas;
  • Reforma na jornada de trabalho: o fim da escala 6×1 tende a demandar mais contratações, elevando despesas trabalhistas;
  • Condições climáticas: os impactos previstos do fenômeno El Niño sobre as safras agrícolas devem pressionar os alimentos;
  • Mudanças na tributação: a alíquota da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) sugerida pelo TCU ficou acima do patamar antes precificado;
  • Custos de combustíveis: reflexo do barril de petróleo sustentado acima de US$ 100 somado à reoneração total com a retirada de subsídios federais.

Atividade econômica perde tração e risco de recessão entra no radar

O avanço das projeções inflacionárias impõe a manutenção dos juros em patamares contracionistas, travando a expansão do Produto Interno Bruto (PIB). Como consequência direta, o Itaú revisou sua perspectiva para o PIB de 2027 de 1,2% para 0,5%.

Diogo Guillen, economista-chefe do Itaú e ex-diretor do Banco Central, detalhou os fatores que embasam a mudança:

“A revisão reflete a incorporação de uma taxa de juros mais elevada e uma dinâmica da atividade mais fraca ao longo do próximo ano. A necessidade de manutenção de condições monetárias restritivas por mais tempo deve intensificar os efeitos cumulativos do aperto monetário sobre o consumo, o investimento e as condições de crédito”, escreve.

O economista complementa avaliando os desdobramentos sobre a população:

“Esse quadro tende a ser agravado pela combinação de atividade mais fraca e maior pressão inflacionária, que limita o crescimento da renda real e do consumo, com impacto particularmente relevante sobre aqueles de menor renda. […] Nesse contexto, esperamos baixo dinamismo da demanda doméstica em 2027 e balanço de riscos para o crescimento ainda assimétrico para baixo.”

O ASA também reposicionou seus cálculos para a economia brasileira, passando a prever estagnação absoluta para o PIB de 2027 (0,0%), alertando para a probabilidade de contração caso o sentimento dos investidores siga fragilizado.

Incertezas fiscais no foco das atenções

A desconfiança do mercado decorre da frustração da tese de vitória de Flávio Bolsonaro (PL), cenário que os agentes associavam a um controle fiscal rígido e viabilidade de alívio nos juros. Com a confirmação da gestão petista, as dúvidas convergem para as diretrizes de controle de gastos e os nomes que comporão o núcleo decisório de Brasília.

Em análise divulgada após a apuração, os analistas do Goldman Sachs pontuaram que a condução política definirá os rumos dos preços:

“Após as eleições, depois da esperada reprecificação significativa na segunda-feira, a direção do mercado e dos preços dos ativos provavelmente vai ir em função das declarações políticas, particularmente no que diz respeito a cargos-chave

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