Vacina contra câncer de pâncreas gera resposta imune em 99% dos pacientes
Acre

Vacina contra câncer de pâncreas ativa sistema imune em 98,9% dos pacientes

01/11/2026 2 views 3 min de leitura

Uma vacina experimental desenvolvida contra o adenocarcinoma ductal pancreático conseguiu provocar uma resposta do sistema imunológico em 98,9% dos voluntários que receberam o imunizante e puderam ser avaliados. Os dados foram divulgados em um ensaio clínico de fase 2 com pessoas que já tinham sido submetidas a procedimentos cirúrgicos e sessões de quimioterapia.

Como funciona a vacina camupepimut

O estudo foi veiculado no periódico científico Nature Medicine e avaliou a camupepimut, um imunizante criado para treinar as células de defesa a identificarem sete mutações recorrentes no gene KRAS. Essa alteração genética está presente em aproximadamente 90% dos diagnósticos do tipo mais frequente da doença.

O tumor no pâncreas apresenta uma taxa expressiva de recorrência mesmo após as intervenções iniciais. Por essa razão, a vacina foi projetada para estimular o organismo a detectar células que contêm modificações no gene KRAS, fatores que costumam favorecer a proliferação e a sobrevivência do tumor.

Detalhes do ensaio clínico

A pesquisa contou com a participação de 144 pessoas diagnosticadas com a doença associada a mutações no KRAS. Todos os voluntários haviam passado por cirurgia e quimioterapia, estando sem vestígios visíveis do tumor nos exames de imagem no início do acompanhamento.

O grupo foi dividido de forma aleatória: 96 indivíduos tomaram a vacina e 48 integraram o grupo de controle. Do total de vacinados, 90 puderam ser monitorados quanto à reação imunológica, revelando que 98,9% registraram um salto na atividade das células T contra as mutações do gene.

Em mais de 80% das pessoas avaliadas, a reação das células T superou em pelo menos nove vezes o patamar anterior à imunização. Para Ben George, oncologista da Clínica Mayo e primeiro autor do estudo, o resultado mostra que a vacina conseguiu ensinar o sistema imunológico a reconhecer as alterações genéticas presentes nas células tumorais.

Eficácia clínica ainda não comprovada

Apesar da forte reação das defesas do corpo, o imunizante ainda não demonstrou diferença estatisticamente relevante na redução do risco de retorno da doença ou no prolongamento da sobrevida se comparado ao grupo que ficou sem a vacina.

O índice conhecido como sobrevida livre de doença mede o tempo em que o paciente permanece sem indícios de que o tumor retornou após as terapias. Embora uma análise inicial indique que quem apresentou maior resposta imune passou mais tempo sem a doença, o dado ainda não comprova que o imunizante causou esse efeito.

Os cientistas agora preparam um ensaio clínico de fase 3 para aprofundar as investigações sobre a eficácia da fórmula, o que pode envolver doses de reforço e a associação com outras terapias oncológicas.

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