Sair de Rio Branco, no Acre, rumo a São Paulo foi a jornada realizada pela auxiliar administrativa Anna Clara Chaar para realizar o sonho de assistir ao grupo sul-coreano BTS ao vivo pela primeira vez. Ela acompanhou uma das apresentações da turnê mundial “BTS WORLD TOUR ‘ARIRANG’” no estádio do MorumBIS, em um momento que marcou o retorno dos sete integrantes aos palcos após o serviço militar obrigatório na Coreia do Sul.
De 2023 ao fandom global
Embora já conhecesse o K-pop por influência de uma sobrinha que participa de competições de dança no Acre, Anna Clara começou a consumir o estilo musical apenas em 2023. “Eu já conhecia o K-pop em geral, mas não consumia. Aí, acredito que em 2023, vi um vídeo de um dos integrantes, o Jungkook, que estava na abertura da Copa de 2022 no Catar, sozinho. Gostei da música e criei o hábito de pesquisar sobre todos eles e escutar as produções”, relatou.
Ao mergulhar no universo do grupo, ela conheceu a comunidade de fãs conhecida como ARMY. “As letras dos meninos são muito profundas. Falam muito sobre amor, amor-próprio, lutar pelos sonhos e sobre o amor deles com a gente, que somos as ARMYs. Quando a gente entra nesse mundo, encontra também uma comunidade que se apoia, troca figurinhas, dá apoio e suporte. É um mundo em que tu entra e se perde. É um caminho sem volta”, explicou a fã.
A saga pelos ingressos e a viagem
A preparação começou em abril, quando as vendas foram abertas. A disputa pelas entradas foi intensa até o último dia de comercialização. “Foi uma luta. O site chegou a informar que tinha mais de 200 mil pessoas na fila para comprar ingresso. Eu já estava sem esperança quando consegui comprar os ingressos para mim e para uma amiga. Desde abril, começamos os preparativos, com compra de passagens, procura de lugar para ficar e toda aquela organização”, lembrou.
A decisão de cruzar o país veio da incerteza sobre futuras vindas dos artistas. “Quando a gente viu que ia sair a turnê mundial ‘ARIRANG’, eu achei que não teria data aqui para o Brasil. Mas, quando saíram três datas, veio aquele sentimento de que a gente não podia perder a oportunidade, porque não sabia quando eles poderiam estar aqui de novo. Eu vim do Acre só para ver o show”, contou.
A experiência no MorumBIS
Considerada uma Baby ARMY por ter entrado recentemente no fandom, Anna Clara descreveu a estrutura 360 graus do palco como impressionante. “Foi indescritível. Desde tudo: o palco muito grande, a estrutura, a forma como eles dominam o palco. O palco era 360 graus e eles conseguem ocupar todos os espaços, todas as passarelas, para que as ARMYs vejam eles da melhor forma possível. Foi muito lindo”, celebrou.
O repertório incluiu sucessos acumulados ao longo dos anos e novidades do álbum lançado em março de 2026, além de faixas surpresa. “É muito marcante porque a gente fica lá: ‘Meu Deus, qual vai ser a música de hoje?’. Ontem cantaram ‘Airplane pt. 2’ e ‘I Need U’, que são músicas icônicas e que tinham que ser tocadas aqui no Brasil. Estou muito feliz”, pontuou.
Conexão entre gerações
A viagem também permitiu observar a diversidade do público e participar da troca de lembrancinhas artesanais conhecidas como Fribies. “É muito bonito ver isso. Me deparei com senhoras de 50, 40 anos, vi senhorinhas mais velhas indo para o show, crianças acompanhadas dos pais e jovens com seus namorados. É muito bonito ver esse sentimento que o BTS traz para a gente”, disse.
“Quando a gente vê alguém com a blusa do grupo, já reconhece: ‘Você é ARMY? Que bom, você vai ao show!’. Então, a gente já se conecta. O BTS faz essa conexão entre pessoas. Isso é o mais importante”, completou.
Ao refletir sobre a realização do sonho, Anna destacou o impacto da cultura em sua rotina. “Eu acho que não tenho como descrever o quanto isso representa. Eu, como uma Baby ARMY, nunca na minha vida passou pela minha cabeça que um dia conseguiria estar vendo o BTS ao vivo. É uma experiência surreal de conexão, de amor. Enfim, não tem como descrever”, declarou, antes de concluir: “A nossa vida, às vezes, já é muito pesada, a rotina… A arte, a cultura, a música têm esse poder de fazer com que a gente se reconecte com a gente mesmo, de ter essa conexão com outras pessoas”.
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