O mercado de trabalho brasileiro encerrou o terceiro trimestre com um contingente de 5,6 milhões de pessoas desocupadas, marcando uma retração de 4% na comparação com os três meses anteriores e uma diminuição de 6,9% em relação ao mesmo período do ano passado. Os números consolidados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgada pelo IBGE, revelam o índice mais baixo para esse intervalo temporal em doze anos.
Recorde histórico de trabalhadores e avanço na construção
O contingente total de brasileiros inseridos no mercado de trabalho atingiu o patamar de 103,6 milhões de pessoas ocupadas, o índice mais expressivo de toda a série histórica iniciada em 2012. Esse volume representa a inserção de 581 mil indivíduos no trimestre (alta de 0,6%) e um acréscimo de 1,2 milhão de trabalhadores em doze meses (avanço de 1,2%).
“Entre as atividades com alta na ocupação, destaca-se o crescimento no setor da Construção, que subiu 2,8% no trimestre, com mais 210 mil pessoas ocupadas”, diz o analista da pesquisa, William Kratochwill.
Outro destaque da amostragem foi o número de empregadores, que bateu recorde ao reunir 4,5 milhões de pessoas após registrar expansão de 4,3% no trimestre e de 6,4% frente ao ano anterior. Conforme pontuou William, esses profissionais funcionam como multiplicadores de vagas ao expandir seus negócios, frequentemente após terem atuado por conta própria, o que auxilia diretamente na diminuição da desocupação.
Contratações no setor público e estabilidade na iniciativa privada
O funcionalismo público também estabeleceu marca histórica ao contabilizar 13,2 milhões de servidores, demonstrando estabilidade frente ao trimestre imediatamente anterior e elevação anual de 2,5%, o que equivale a 317 mil postos adicionais.
“O contingente de pessoas trabalhando no setor público com carteira foi consequência do aumento de ocupados na educação como professores, de ensino pré-escolar, fundamental e médio, acrescentando cerca de 45 mil pessoas”, analisa William. O pesquisador complementou que o preenchimento de quase 30 mil vagas em funções administrativas nas esferas municipais — como recepcionistas, analistas de sistemas e escriturários — foi determinante. “Ou seja, a atividade municipal apresentou a maior contribuição do setor público”, sintetiza.
Em contrapartida, as contratações com carteira assinada na iniciativa privada permaneceram em equilíbrio, somando 39,4 milhões de vagas formais. O mesmo cenário de estabilidade foi observado nas categorias sem registro formal (13,7 milhões), nos profissionais por conta própria (26,1 milhões) e no emprego doméstico (5,4 milhões).
“Essas estabilidades podem indicar que o mercado de trabalho aguardava as possíveis mudanças do pleito eleitoral. Logo, seu rumo será mais bem percebido nas próximas divulgações”, diz o analista da pesquisa.
Massa salarial inédita e indicadores de subutilização
A soma de todos os rendimentos do país atingiu o pico de R$ 387,5 bilhões, o maior valor já documentado pela pesquisa, impulsionado por um crescimento de 1,5% no trimestre e 4,7% no ano. Paralelamente, o rendimento médio real habitual permaneceu em R$ 3.790, registrando acréscimo de 3,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A taxa de subutilização da força de trabalho ficou em 13,0%, englobando 14,8 milhões de cidadãos que estão desocupados, subocupados por carência de horas ou na força potencial. No caso específico dos trabalhadores desalentados — que não procuram mais vagas —, o contingente somou 2,5 milhões de pessoas, acumulando retração anual de 6,8%, embora tenha crescido 7,5% no trimestre recente, com maior incidência entre pessoas a partir dos 40 anos de idade.
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