Alunos das turmas de 9º ano do Instituto São José, colégio tradicional de Rio Branco, transformaram os corredores da instituição em uma galeria de arte com a mostra visual “Florescer”. A iniciativa pedagógica nasceu de um plano de aula elaborado pelo professor de Artes Visuais Jeseias Teixeira, docente na unidade há três anos.
Uso da tecnologia em sala de aula
Diante da diretriz curricular de ensinar conteúdos sobre audiovisual, o educador encontrou uma alternativa acessível na rotina dos estudantes. A proposta consistiu em utilizar os aparelhos celulares que os jovens já possuíam para desenvolver habilidades artísticas práticas e teóricas.
“Nós temos essa orientação do Governo do Acre no nosso plano de aula, mas eu tentei tornar isso viável para o dia a dia deles, com o uso do celular, que é uma tecnologia que a maioria dos alunos tem disponível hoje em dia”, pontua.
Da teoria histórica à prática urbana
Antes de irem a campo, os estudantes estudaram a história da fotografia mundial, desde o surgimento das primeiras máquinas até os antigos processos baseados na luz solar. O professor detalhou aos alunos que o procedimento exigia tempo e equipamentos robustos no passado.
“A gente mostrou para eles como era esse processo antigamente, o quanto demorava, até mais de 8 horas, para tirar uma única foto e que, naquela época, as máquinas poderiam pesar até meia tonelada. Depois dessa parte é que começamos a pensar nas aulas práticas”, disse o professor.
Explorando o enquadramento e a cidade
As primeiras tentativas ocorreram dentro da própria escola antes que as turmas pudessem explorar outras localidades. Divididos em equipes, os adolescentes registraram paisagens urbanas, plantas, residências, animais e pessoas do seu cotidiano.
“Com isso, a gente conseguiu trabalhar mais aspectos da fotografia, como o enquadramento, a diferença entre fotos horizontais e verticais, os diferentes tipos de plano, e foi com esse conhecimento prévio que partimos pro processo de organização de uma exposição, porque ela parte de três pontos, que são a criação, a observação e a contextualização”, acrescentou.
Para o docente, o resultado final reflete a rotina e as vivências da turma. “A gente vê que a vivência deles está presente nessas fotos, porque são os locais que eles visitam, as pessoas que eles conhecem, os animais de estimação, então é também uma forma de passar a identidade deles”, pontuou.
O olhar dos estudantes sobre a experiência
A atividade despertou novas vocações entre os participantes. A estudante Abidha Emanuelly, de 14 anos, relatou que o exercício transformou sua percepção sobre a área e revelou planos profissionais para o futuro.
“Foi muito importante para mim e acho que para os meus colegas também, porque a gente conseguiu expressar as nossas ideias, os nossos sentimentos, e eu sempre gostei da fotografia, mas agora eu quero levar isso para o futuro e ser uma fotógrafa”, diz.
Já o aluno José Barbosa, também de 14 anos, detalhou a dedicação necessária para capturar a imagem ideal que garantiu sua seleção para a mostra coletiva, destacando o registro feito na região da Gameleira durante o pôr do sol.
“A minha foto é um registro da Gameleira durante um pôr do sol, que mostra também o rio e muitas árvores. E ela foi selecionada por trazer essa paisagem de uma forma diferente, com toda a composição. Na dinâmica, cada grupo produzia cerca de 60 fotos, dez por aluno, e, com esses diferenciais, a minha foi selecionada.”
O jovem destacou a importância de aguardar o instante correto para o disparo. “Eu fui com a minha mãe para o centro e ficamos lá cerca de duas horas, esperando o momento perfeito, para não perder a qualidade da foto. Ficamos sentados, assistindo, e aí fomos encontrar a posição ideal, o ângulo ideal para a foto. Todas as fotos foram avaliadas e agora estamos expondo.”
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