Em resposta à escalada de violência e tumultos registrados no país, o governo francês decidiu vetar manifestações classificadas como ilegítimas pelas forças de segurança. A determinação foi confirmada pelo presidente Emmanuel Macron nesta quinta-feira (22), após uma reunião de emergência com ministros e chefes do setor de inteligência no Palácio do Eliseu.
Desvios de trajeto e proteção ao comércio
Para evitar a interrupção total dos protestos estruturados, os atos convocados formalmente por sindicatos continuarão autorizados, mas sob itinerários modificados pelas autoridades. O foco principal da alteração é blindar o varejo e prevenir novos prejuízos materiais.
No último fim de semana, a onda de desordem provocou estragos e saques em cerca de 3 mil estabelecimentos comerciais em território francês. O impacto gerou forte apreensão no setor empresarial às vésperas de mais uma mobilização de rua. Sobre o cenário de instabilidade, o presidente da Confederação dos Comerciantes da França, Pierre Bosche, resumiu o momento do varejo: “A preocupação é máxima”.
Discurso duro contra grupos radicais
Em pronunciamento rápido, o líder francês atribuiu os distúrbios violentos a setores extremistas e declarou que não tolerará ataques contra a ordem constitucional do país.
“Tivemos, simultaneamente, atos políticos e até sediciosos, conduzidos por grupos organizados de ultraesquerda que visam derrubar a República”, denunciou o presidente francês após o encontro governamental.
A postura intransigente reflete a linha adotada pelo primeiro-ministro Sébastien Lecornu, que cobrou publicamente um posicionamento das legendas partidárias contra as ações violentas. Lecornu concentrou suas críticas no partido A França Insubmissa, comandado por Jean-Luc Mélenchon, e prometeu prestar contas sobre as dificuldades operacionais enfrentadas pela segurança pública nos confrontos do dia 17.
Blindados nas ruas e medidas de contenção
Com nova convocação popular marcada para sábado, o aparato policial será significativamente ampliado para barrar confrontos urbanos. A estratégia envolverá o desdobramento de forças táticas de elite e viaturas blindadas nos principais centros.
Para Macron, a firmeza é indispensável diante das circunstâncias atuais, frisando que “a mão não deve tremer no topo do Estado”.
Paralelamente à preparação operacional para o fim de semana, cidades francesas voltaram a decretar toque de recolher obrigatório durante a noite de quarta-feira (21). De acordo com os dados mais recentes das autoridades, as operações de fiscalização e combate ao vandalismo já levaram à prisão de pelo menos 174 pessoas.
Gerar Post/Story