Vanda Milani rebate Alan Rick e diz que acordos políticos não foram cumpridos: “Não foi questão de ingratidão”
Acre

Vanda Milani contesta Alan Rick e nega troca de apoio por cargos

17/10/2026 19 views 4 min de leitura

O cenário político acreano no segundo turno ganhou novos desdobramentos após a ex-deputada federal Vanda Milani responder publicamente aos questionamentos feitos pelo senador e candidato ao governo do Acre, Alan Rick (Republicanos). A manifestação ocorreu após a ex-parlamentar formalizar seu apoio à reeleição da governadora Mailza Assis (PP), rompendo com o grupo que integrou no primeiro turno da disputa eleitoral.

Descumprimento de acordos na chapa

Em nota oficial, Vanda esclareceu que a mudança de rota política decorreu do não cumprimento de tratativas acertadas durante o período de filiação partidária. Entre os principais combinados não realizados, ela destacou a garantia de suporte à sua postulação à Câmara dos Deputados e a inclusão de Fernanda Hassem, ex-prefeita de Brasileia, como postulante a vice-governadora na chapa de Alan.

“Minha decisão não foi uma questão de ingratidão. Ocorre que minha ida para o partido foi pautada por compromissos previamente estabelecidos, entre eles a indicação da ex-prefeita Fernanda Hassem para a vaga de vice-governadora e o apoio à minha candidatura a deputada federal. Nenhum desses acordos foi cumprido. Outra pessoa foi escolhida para a vice e o apoio prometido à minha candidatura não se concretizou”, afirmou a ex-deputada.

Queixas de isolamento e falta de respaldo na campanha

Além das falhas na composição majoritária, Vanda apontou que enfrentou desvantagens internas ao longo do primeiro turno. Segundo seu relato, a direção do partido direcionou recursos e esforços para impulsionar outro concorrente à vaga de deputado federal, deixando sua campanha à margem das principais agendas e encontros coletivos da legenda.

Com um total de 9.416 votos obtidos nas urnas, ela avaliou que seu desempenho acabou sendo utilizado apenas como suporte eleitoral para outros nomes da coligação.

“Diante desse cenário, senti que minha candidatura serviu muito mais para agregar votos à legenda do que para receber o respaldo que havia sido acordado, contribuindo para a eleição do candidato que recebeu o apoio prioritário do partido”, declarou.

Acusações sobre estrutura de governo e resposta sobre cargos

As explicações de Vanda surgiram em contrapartida a declarações dadas por Alan Rick durante uma entrevista coletiva. Na ocasião, o candidato republicano afirmou que, embora respeitasse o posicionamento da ex-aliada, não concordava com a adesão dela ao grupo adversário, sugerindo que o governo estadual estaria usando o peso de sua máquina pública para atrair aliados.

“Primeiro, o governo tem muita força, tem cargos, tem uma estrutura que nós não temos, porque o nosso discurso é um discurso para o povo do Acre. O nosso compromisso é um compromisso com o povo do Acre. E não de oferecer cargos, de oferecer benesses, de oferecer estruturas para as outras pessoas que estão na política”, declarou Alan. Ele complementou sua crítica afirmando: “Infelizmente, há aqueles que são seduzidos por essas propostas. E a gente respeita essa posição, mas discordamos. O compromisso tem que ser com o povo, e não com seus próprios interesses”.

O senador também fez menção ao aspecto financeiro da candidatura de Vanda: “A Vanda foi quem mais recebeu recursos do povo de financiamento de campanha. Então eu esperava o mínimo de consideração, mas deixa pra lá. Ela segue a vida dela, desejo sorte, mas o Acre vai do lado, o nosso compromisso é com o nosso povo”.

Aliança pautada por representatividade feminina

Rebatendo veementemente a insinuação de que teria negociado vantagens para si ou para correligionários, Vanda enfatizou que sua escolha pela gestão de Mailza Assis reflete convicções pessoais e o fortalecimento das mulheres nos espaços de poder.

“Quero deixar claro, porém, que meu apoio neste segundo turno não está condicionado a arranjos políticos ou a negociações de cargos. Antes de qualquer coisa, sou uma mulher íntegra, guiada por minhas convicções e princípios. Não me presto a cometer traições, muito menos a reproduzir com outras pessoas aquilo que sofri recentemente”, afirmou.

Por fim, a ex-deputada destacou o alinhamento com a nova frente: “Minha decisão foi pautada pela identificação com um projeto que reúne mulheres, valoriza sua participação e lhes oferece espaço e protagonismo. Respeito a caminhada anterior, mas também preciso respeitar minha história, meus compromissos e aquilo em que acredito. Minha escolha não apaga o passado nem significa desrespeitar a caminhada anterior; é o exercício legítimo da minha liberdade de decidir”.

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