Acre ficou dois anos sem manutenção em estações meteorológicas, aponta CGU
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Acre passou dois anos sem manutenção em estações do Inmet

17/10/2026 3 views 3 min de leitura

Uma auditoria realizada pela Controladoria-Geral da União (CGU) revelou que o Acre não recebeu nenhuma visita técnica de manutenção em suas estações meteorológicas ao longo de 2024 e 2025. O abandono ocorreu mesmo com registros contínuos de falhas nos aparelhos do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) instalados no estado, essenciais para o monitoramento do clima e a emissão de alertas climáticos.

Equipamentos inoperantes há mais de quatro anos

Em levantamento fechado em 20 de fevereiro de 2026, a rede acreana contava com sete unidades automáticas, das quais três operavam totalmente em pane. O tempo médio de inatividade desses aparelhos alcançou 1.587 dias seguidos, o que representa aproximadamente quatro anos e quatro meses sem coleta de indicadores atmosféricos.

O cenário colocou a administração regional em um grupo restrito de cinco unidades federativas completamente ignoradas pelas rotas de reparo no período analisado. Além do território acreano, as equipes técnicas do órgão não realizaram vistorias no Amapá, Ceará, Piauí e Roraima. Em comparação, durante o ano de 2025, inspeções federais alcançaram 60 pontos de coleta distribuídos por oito estados brasileiros.

Cenário crítico atinge a rede meteorológica nacional

O diagnóstico apresentado pelos auditores federais constatou fragilidades estruturais em todo o território nacional. Em fevereiro de 2026, o sistema federal dispunha de 707 pontos de captação climática — somando 107 modelos convencionais e 600 automáticos. Entre a infraestrutura automatizada, quase um terço enfrentava problemas: eram 178 estações inoperantes (29,67%), enquanto apenas 422 funcionavam de forma regular.

A CGU alertou também para deficiências nos métodos de fiscalização do instituto. Os critérios de controle não registravam falhas parciais nas transmissões e deixavam de definir patamares mínimos de cobertura por região, mascarando crises locais sob estatísticas nacionais consolidadas.

Prejuízos aos alertas de eventos extremos

A paralisação contínua desses instrumentos prejudica diretamente o envio de avisos sobre eventos meteorológicos severos, dificulta projeções climáticas e fragiliza os relatórios científicos sobre mudanças no tempo. Sem manutenções periódicas, a precisão das previsões para agricultura e defesa civil sofre impactos severos.

Planejamento e reestruturação previstos

Em resposta aos apontamentos da auditoria, o órgão federal elaborou o Plano de Manutenção das Estações Meteorológicas Automáticas para 2026. A meta fixada previa a revisão de 525 equipamentos até o término daquele ano, conferindo prioridade imediata a estados que tivessem mais da metade da rede fora de operação.

Apesar de o órgão federal criar núcleos de apoio estaduais e desenhar rotas preventivas, a auditoria recomendou formalizar esses procedimentos de monitoramento para garantir a estabilidade da coleta climática nacional no longo prazo.

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