Após incêndio, MP faz vistoria e avalia manejo de resíduos no aterro de Rio Branco
Acre

MPAC detecta falhas em aterro após incêndio em Rio Branco

17/10/2026 7 views 3 min de leitura

A entrada indevida de materiais não autorizados, a falta de cobertura adequada dos rejeitos e a inexistência de um plano de contingência para desastres contribuíram diretamente para as chamas que atingiram o Aterro de Inertes, localizado na Estrada Transacreana, na capital acreana. As conclusões preliminares partem de técnicos do Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) após perícia no local.

Irregularidades constatadas em plena atividade

A vistoria foi conduzida pelo Núcleo de Apoio Técnico Especializado (NAT) na última quarta-feira, 14, atendendo a uma solicitação da Promotoria de Justiça Especializada de Defesa do Meio Ambiente da Bacia Hidrográfica do Baixo Acre. No momento da averiguação, o fogo ainda consumia a área e os técnicos flagraram o espaço em pleno funcionamento, sem interrupção dos trabalhos.

De acordo com os especialistas, os resíduos deveriam estar devidamente recobertos por camadas inertes para evitar riscos de combustão. Além do manejo deficitário, a equipe registrou a presença de entulhos de tipologias alheias à finalidade daquela estrutura, fatores que, somados, criaram o cenário ideal para o alastramento das chamas.

Mobilização de força-tarefa para combater as chamas

O combate ao sinistro exigiu uma operação integrada que reuniu cerca de 50 servidores e mais de duas dezenas de veículos operacionais. A força-tarefa foi intensificada na quinta-feira, 15, unindo esforços de secretarias municipais, órgãos estaduais e homens do Exército Brasileiro.

A estrutura mobilizada contou com oito maquinários pesados — incluindo caçambas, escavadeiras e tratores de esteira —, por volta de dez caminhões-pipa, duas viaturas de combate a incêndio do Corpo de Bombeiros e três caminhões de hidrojateamento de alta pressão, conhecidos como tatuzões.

O comandante do 2º Batalhão do Corpo de Bombeiros, capitão Luciano Alencar da Rocha, chamou a atenção para os riscos ambientais e à saúde pública provocados pela combustão dos materiais: “Desde ontem nossas equipes estão empenhadas. Trabalhamos em revezamento para tentar minimizar os impactos do fogo e de uma fumaça que é bastante tóxica”, explicou.

O titular da Secretaria Municipal de Cuidados com a Cidade, Tony Roque, pontuou as condições climáticas e o avanço dos trabalhos de rescaldo: “Esse sinistro sempre acontece devido ao verão, mas nós já estamos com a equipe e o planejamento organizados. É o município e o Estado trabalhando juntos para amenizar. Graças a Deus, nós conseguimos conter esse fogo e o problema agora está sendo só a fumaça e a temperatura”, afirmou.

Encaminhamentos e providências jurídicas

Todos os apontamentos sobre as inconformidades operacionais observadas na área da Transacreana serão formalizados em um laudo conclusivo pelo NAT. O documento será submetido à Promotoria de Justiça Especializada de Defesa do Meio Ambiente da Bacia Hidrográfica do Baixo Acre, que adotará as medidas legais e judiciais necessárias para responsabilização e adequação do espaço.

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