A corrida pelo Palácio Rio Branco entra em sua última e decisiva semana com um cenário amplamente favorável à governadora Mailza Assis (PP). Marcada por reviravoltas e rearranjos nos bastidores, a disputa mostra a candidata governista consolidada na liderança das intenções de voto para a eleição de domingo, deixando o senador Alan Rick (Republicanos) com pouca margem de manobra para reverter o quadro.
Mudanças na equipe e articulação partidária
Um dos fatores determinantes para a dianteira governista foi a remodelação estratégica. Ao contrário da tese de que o time vencedor do ex-governador Gladson Cameli deveria ser integralmente preservado, a coordenação da campanha de Mailza foi renovada e obteve êxito na condução do processo eleitoral. Caso o resultado das urnas confirme sua vitória, a gestora terá facilidade para construir ampla maioria na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) sem depender do apoio do Republicanos.
Dificuldades e perdas na campanha de Alan Rick
Do outro lado, a candidatura de Alan Rick enfrenta contratempos nesta reta final. Um ato organizado com bandeiraço para recepcionar o presidente nacional de sua legenda, Marcos Pereira, e a senadora Damares Alves (PL) acabou prejudicado por fortes chuvas na capital. Além disso, o senador sofreu baixas políticas expressivas, como a saída da ex-deputada federal Vanda Milani (Republicanos), que declarou apoio a Mailza alegando quebra de acordos sobre a indicação da ex-prefeita Fernanda Hassem para o posto de vice.
Embora houvesse expectativa de favorecimento interno à reeleição do deputado Roberto Duarte na sigla, Rick mantinha abertas outras alternativas de composição, incluindo Rico Leite e Ana Paula. Avalia-se, contudo, que a eventual presença de Fernanda na chapa não teria força suficiente para frear a trajetória de queda da candidatura oposicionista.
Destaque para o protagonismo feminino na gestão
Entre as lideranças que impulsionaram a mobilização governista, sobressai o trabalho de Gabriela Câmara na presidência do Instituto de Terras do Acre (Iteracre). Reconhecida pela fidelidade ao PP e ao grupo de Mailza desde o período em que esta era vice-governadora, a gestora promoveu a regularização fundiária de milhares de imóveis de famílias acreanas e de templos religiosos por meio do programa Igreja Legal. Gabriela atuou diretamente na coordenação de lançamentos e realizou centenas de reuniões políticas neste pleito.
Outra presença notada no cenário público é a da primeira-dama de Rio Branco, Roberta Lins, que tem assumido papel atuante em ações sociais na gestão municipal ao lado do prefeito Alysson Bestene.
Tensões no MDB e renovação no parlamento
O pós-pleito também projeta conflitos internos, especialmente no MDB. O dirigente partidário Vagner Sales, derrotado na disputa para a Câmara Federal, criticou duramente os deputados eleitos Pedro Longo e Fábio Rueda (União Brasil), acusando-os de compra de votos a R$ 100 em Cruzeiro do Sul. As declarações geraram atrito imediato com moradores locais, a exemplo da reação da Associação do Ramal Zé Alves, que cobrou melhorias de infraestrutura em vez de ofensas à população. O embate com Longo, único representante federal da legenda, deve repercutir na executiva nacional emedebista.
No parlamento estadual, a expectativa é de uma bancada com atuação comedida nos debates em plenário, com oposição concentrada majoritariamente nos deputados Edvaldo Magalhães (PCdoB) e Emerson Jarude (Novo). A articulação interna aponta o deputado Nicolau Júnior (PP) como favorito absoluto à presidência da Aleac, restando a disputa mais acirrada pela primeira-secretaria da Mesa Diretora.
A reorganização partidária também atinge outras frentes. Conforme análise enviada por um leitor sobre os rumos da esquerda local, “Enquanto os dirigentes sectários das tendências que dominam o PT não entenderem que o momento político é outro, e não mais aquele em em que vendiam camisas do 13 na praça e empolgavam a juventude e o eleitor em geral, vão continuar perdendo eleição. O PT precisa se reinventar”.
Enquanto o cenário pós-eleitoral sugere que lideranças como o ex-prefeito Tião Bocalom (PSDB) devam optar por um período de recolhimento político em caso de vitória governista, o Acre encerra um ciclo de campanha marcado por transformações geracionais e reconfigurações no poder estadual.
Gerar Post/Story