O jornalismo acreano se despede de uma de suas figuras mais marcantes com o falecimento de Ayres Rocha. O apresentador, que construiu uma carreira sólida na televisão e serviu de inspiração para várias gerações de comunicadores, deixa um histórico pautado pela ética, pelo acolhimento aos novatos e pela capacidade de aliar rigor informativo a uma profunda humanidade.
Trajetória marcada por sensibilidade e dedicação à profissão
Na bancada dos telejornais, Ayres construiu uma relação única com o público. Era comum vê-lo transparecer sentimentos ao relatar perdas e episódios dramáticos: a voz por vezes embargava e as lágrimas vinham aos olhos, quebrando a barreira da tela e aproximando a notícia de quem assistia. Esse traço de empatia caminhava lado a lado com um lado extrovertido nos bastidores, onde alegrava a rotina das redações com brincadeiras e danças.
Mesmo com uma carreira já consagrada na imprensa, ele demonstrou seu apreço pelo ofício ao ingressar na faculdade já com idade avançada. A busca pelo diploma formal, tomada em uma fase madura da vida, reforçou sua convicção de que o aprendizado no jornalismo nunca se encerra.
O desprendimento e o apoio às novas gerações
Colegas de profissão destacam que Ayres dispensava o mesmo tratamento afetuoso tanto a veteranos quanto a iniciantes. Sempre disposto a partilhar o que sabia, ele se notabilizou por abrir portas para novos talentos sem alimentar disputas por espaço ou vaidades profissionais.
O plano de aposentadoria e o olhar para o futuro
Essa postura generosa ficou evidente em um episódio marcante ocorrido em 18 de outubro de 2024, durante o funeral do jornalista Marcos Vicentti, o Marcão. Na ocasião, antes de tornar a decisão pública, Ayres compartilhou confidencialmente que deixaria a emissora no mês seguinte.
Ao falar sobre o encerramento do seu ciclo na bancada, indicou à direção da emissora uma repórter recém-chegada para sucedê-lo, demonstrando plena confiança no potencial da jovem comunicadora para levar o projeto adiante.
Contudo, o período de descanso após décadas de trabalho foi abreviado pelo avanço do câncer, que o fez enfrentar uma dura batalha nas semanas seguintes. Ayres Rocha encerra sua caminhada terrena deixando como principal ensinamento a certeza de que a relevância de um profissional se mede também pelas pontes que constrói para os outros.
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