Marcelo Mesquita

Vini Evitou A Derrota. Mas Quem Vai Salvar O Time?

18/06/2026 9 views 5 min de leitura

Por muito tempo, o torcedor brasileiro acostumou-se a acreditar que a camisa da Seleção resolvia problemas. Que a tradição entrava em campo. Que cinco estrelas pesavam mais do que organização, treinamento e construção coletiva.

O futebol mudou.

E a estreia do Brasil na Copa do Mundo de 2026 mostrou isso de forma dolorosamente clara.

O empate em 1 a 1 com o Marrocos não foi um acidente. Não foi uma zebra. Não foi uma noite infeliz. Foi a consequência previsível de um ciclo marcado pela improvisação, pela instabilidade e pela falta de identidade.

O resultado, aliás, preocupa menos do que o desempenho.

O Brasil não empatou porque encontrou pela frente uma retranca intransponível ou um time inspirado, com destaque para o volante Bouaddi, de 18 anos, que dominou o meio de campo do Brasil. Empatou porque jogou mal. Porque foi dominado durante boa parte do primeiro tempo. Porque teve dificuldades para competir no meio-campo. Porque mostrou uma desorganização incompatível com quem entra em uma Copa do Mundo sonhando com o título.

E isso não deveria surpreender ninguém que acompanhou o ciclo pós-2022.

Enquanto outras seleções construíam projetos, definiam conceitos e consolidavam suas ideias de jogo, o Brasil trocava treinadores, acumulava crises institucionais e vivia uma permanente sensação de improviso.

Passaram pelo cargo Fernando Diniz, Dorival Júnior, Ramon Menezes de forma interina e, por fim, Carlo Ancelotti. A seleção passou anos sem uma linha clara de trabalho. Sem continuidade. Sem um modelo reconhecível.

Quando Ancelotti chegou, encontrou um cenário muito diferente daquele que viveu em clubes como o Real Madrid.

No clube, o treinador convive diariamente com os jogadores. Corrige erros. Ajusta posicionamentos. Repete movimentos. Cria automatismos.

Na seleção, o tempo é escasso.

E quando esse tempo já era pouco, tornou-se ainda menor diante das lesões e cortes que desmontaram parte do planejamento inicial.

A ausência de jogadores importantes comprometeu a montagem da equipe. Mas isso, por si só, não explica tudo. O que chamou atenção em Nova Jersey foi a falta de uma estrutura mínima. O famoso “feijão com arroz”. Ninguém esperava um Brasil brilhante. Ninguém exigia espetáculo. Mas era razoável esperar uma equipe organizada.

Não foi o que aconteceu.

O meio-campo brasileiro foi engolido durante longos períodos da partida. Casemiro teve atuação muito abaixo do esperado. Paquetá alternou erros técnicos e decisões equivocadas. Raphinha estava perdido. A transição defensiva foi lenta. A recomposição apresentou falhas preocupantes.

O gol marroquino resumiu boa parte dos problemas da equipe.

1. Erros individuais.

2. Falta de proteção.

3. Desorganização coletiva.

4. Tudo na mesma jogada.

5. A imprensa internacional percebeu isso rapidamente.

Veículos europeus destacaram a fragilidade tática brasileira e a distância entre a expectativa criada em torno de Ancelotti e aquilo que foi apresentado dentro de campo.

1. Difícil discordar.

2. O Brasil parecia uma equipe montada às pressas.

3. O Marrocos parecia um time.

E existe uma diferença enorme entre ter jogadores e ter um time

O futebol moderno não é mais decidido apenas pelo talento individual.

É decidido pela capacidade de transformar talento em funcionamento coletivo.

Por isso o nome da partida foi Vinicius Júnior, que arrancou o empate numa belíssima jogada individual.

Mais uma vez o Brasil procurava um “salvador da pátria”.

Quando o Brasil não sabia o que fazer, procurava Vinicius.

Quando faltava criatividade, procurava Vinicius.

Quando faltava agressividade, procurava Vinicius.

E foi dele o golaço que evitou a derrota.

O problema é que depender de um craque para resolver emergências é uma coisa

Depender dele para sustentar uma campanha inteira de Copa do Mundo é outra completamente diferente.

A frase que melhor resume a estreia talvez seja simples:

O Brasil tem um protagonista. O Brasil ainda não tem um elenco funcionando como equipe.

E essa é uma distinção importante.

As grandes seleções desta Copa, como França, Alemanha, Argentina, Inglaterra e EUA não impressionam apenas pelos nomes. Impressionam porque possuem mecanismos.

1. Sabem pressionar.

2. Sabem defender.

3. Sabem atacar.

4. Sabem sofrer.

5. Sabem controlar partidas.

O Brasil, neste momento, ainda procura essas respostas

Isso significa que a Seleção está eliminada?

Claro que não.

Copas do Mundo são torneios curtos e imprevisíveis.

Um time pode crescer durante a competição.

Um treinador pode encontrar soluções.

Jogadores podem evoluir.

Mas o sinal de alerta foi aceso.

Porque a estreia revelou um problema que vai muito além do empate.

Revelou que Carlo Ancelotti ainda não conseguiu construir uma identidade para a equipe.

E talvez nem pudesse fazê-lo completamente em tão pouco tempo.

Mas o fato permanece.

O Brasil entrou na Copa sem uma cara definida.

Sem uma estrutura confiável.

Sem um funcionamento coletivo consolidado.

Vini Jr. salvou o resultado.

Mas a pergunta continua sem resposta:

Quem vai salvar o time?

Hoje, o Brasil segue vivo na Copa.

Mas também segue em busca daquilo que as grandes seleções normalmente possuem antes de o torneio começar: um time.

E enquanto Carlo Ancelotti não encontrar esse time, o futuro da Seleção Brasileira continuará cercado por mais dúvidas do que certezas.

Compartilhe esta notícia

Notícias Relacionadas

Gerar Post/Story

Arraste elementos para posicionar • Segure Shift + arraste para mover o fundo
Texto
Tamanho
Cor
Imagem
Zoom
Escurecer
Cor
Categoria
Fundo
Texto
Logo
Tamanho
Legenda