Pouco mais da metade das crianças e adolescentes de 9 a 14 anos está vacinada contra o papilomavírus humano (HPV) no Acre. Dados parciais de 2026 mostram uma cobertura geral de 53,95% no estado, um percentual que permanece bastante distante da meta de 90% estabelecida para o imunizante.
Desigualdade entre gêneros na imunização
O cenário preocupante foi divulgado pelo Boletim Informativo de Coberturas Vacinais da Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre), reunindo informações coletadas entre janeiro e junho deste ano. O levantamento aponta que, entre as meninas, a cobertura chega a 57,82%, enquanto entre os meninos o índice é menor, registrando 50,30%, o que representa uma diferença de 7,52 pontos percentuais no estado.
Na grande maioria dos municípios acreanos, o público feminino apresenta adesão superior ao masculino. No entanto, o município de Santa Rosa do Purus contraria essa tendência, registrando uma taxa de 64,31% entre os meninos, índice que supera os 60,42% contabilizados entre as meninas.
Assis Brasil é a única cidade acima da meta
Ao analisar individualmente as 22 cidades do estado, apenas Assis Brasil aparece com desempenho superior à meta estipulada, alcançando uma cobertura geral de 95,42%. O município destacou-se com 99,38% entre o público feminino e 91,91% entre o masculino, sendo o único local onde ambos os sexos ultrapassaram a barreira de 90%.
Outras localidades aparecem logo em seguida na lista de melhores índices, embora ainda abaixo da meta ideal. Jordão registrou uma cobertura geral de 83,43%, seguido por Porto Walter com 72,82% e Acrelândia com 71,14%, apontados pela Sesacre como municípios com marcas próximas aos parâmetros considerados satisfatórios.
Desempenho nas demais cidades
Outros municípios apresentam índices intermediários ou baixos. Sena Madureira marca 68,96%, seguido por Marechal Thaumaturgo (67,52%), Brasiléia (66,69%), Feijó (65,37%), Xapuri (63,51%), Manoel Urbano (63,45%), Santa Rosa do Purus (62,33%), Cruzeiro do Sul (59,38%) e Tarauacá (59,25%).
A lista continua com Mâncio Lima (54,08%), Plácido de Castro (52,17%), Senador Guiomard (51,75%), Rodrigues Alves (51,74%), Epitaciolândia (51,60%), Capixaba (45,82%), Rio Branco (43,61%), Porto Acre (29,77%) e Bujari, que apresenta a menor cobertura geral do estado, com apenas 28,22%.
Histórico de cobertura e estratégia de resgate
A série histórica da Sesacre aponta que o Acre obteve indicadores satisfatórios exclusivamente entre as meninas no intervalo de 2015 a 2018. Para o público masculino, que foi incluído posteriormente nas diretrizes de vacinação, nenhum ano anterior apresentou cobertura adequada. Em 2025, o estado fechou com 58,87% entre garotas e 50,29% entre garotos, representando o melhor resultado desde 2021 para elas e da série histórica para eles.
Como forma de ampliar a proteção, o estado mantém uma estratégia de resgate voltada para adolescentes e jovens de 15 a 19 anos que não tomaram o imunizante na idade recomendada. No total, 3.115 doses foram aplicadas nesse público específico entre 2025 e 2026, com a campanha prevista para seguir ativa até 31 de dezembro de 2026.
A rotina de imunização para o público de 9 a 14 anos consiste na aplicação de uma única dose da vacina HPV quadrivalente, fórmula desenvolvida para proteger o organismo contra infecções provocadas pelos tipos 6, 11, 16 e 18 do papilomavírus humano.
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