Região Norte

Petróleo já muda rotina de Oiapoque e impulsiona expansão de ocupações no Amapá

21/07/2026 5 views 3 min de leitura

Mesmo antes da confirmação de reservas comerciais de petróleo na Margem Equatorial, a perfuração do bloco 59 pela Petrobras já provoca mudanças em Oiapoque, no extremo norte do Amapá. A expectativa em torno da exploração tem impulsionado a expansão de ocupações irregulares e elevado o custo da moradia no município.

Segundo a prefeitura, pelo menos sete áreas invadidas cresceram nos últimos meses. O município, que enfrenta uma crise econômica e administrativa e está sob decreto de calamidade por 180 dias, estuda alternativas para regularização fundiária, embora o tema esteja na Justiça.

A expansão das ocupações é atribuída principalmente ao aumento dos preços de imóveis e aluguéis em bairros consolidados, o que leva famílias a buscar áreas irregulares, além do crescimento da migração de pessoas de outras cidades do Amapá e de outros estados, atraídas pela expectativa de desenvolvimento econômico.

De acordo com o prefeito Inácio Maciel (PDT), os impactos da expectativa pelo petróleo já são sentidos, embora os benefícios ainda estejam distantes. “Até começar a ver o primeiro óleo e os royalties, devem se passar cerca de cinco anos. Os benefícios não chegaram, mas as consequências já”, afirmou. Ele também destacou que os imóveis em Oiapoque já estão mais caros do que em Macapá.

A prefeitura também aponta a especulação imobiliária e a ocupação de terrenos para futura venda como fatores que aceleram a expansão das invasões, algumas localizadas próximas ao aeroporto utilizado como base para helicópteros que atendem à sonda da Petrobras.

Segundo cronograma enviado ao Ibama, a Petrobras pretende concluir a perfuração do poço Morpho até 7 de agosto. Em julho, está previsto o recolhimento de cascalhos gerados pela perfuração.

Os trabalhos haviam sido interrompidos por um mês após um vazamento de fluido registrado em janeiro. A Petrobras foi multada em R$ 2,5 milhões pelo Ibama e retomou as atividades em fevereiro.

A região da costa amazônica onde ocorre a exploração é considerada de alta sensibilidade ambiental, com extensos manguezais, rica biodiversidade e territórios de cerca de 12 mil indígenas de quatro etnias, que dependem da preservação do ambiente para atividades como pesca, caça e agricultura tradicional.

Com informações do Portal FolhaPress

Fonte: ac24horas.com

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