A Organização dos Povos Indígenas do Rio Juruá (OPIRJ) publicou um manifesto em repúdio aos recentes pronunciamentos do senador Márcio Bittar (PL-AC) concedidos à imprensa em Cruzeiro do Sul. Na manifestação, a entidade saiu em defesa de seu coordenador-geral, Francisco Piyãko, contestando os questionamentos do parlamentar acerca da legitimidade dos projetos financiados pelo Fundo Amazônia e recusando a ideia de que a preservação ambiental freie o avanço socioeconômico da região.
Transparência e critérios no Fundo Amazônia
A organização refutou de maneira enfática as suspeitas levantadas a respeito do uso de verbas destinadas a ações indígenas. De acordo com o posicionamento coletivo, todos os recursos operados sob a tutela do BNDES cumprem rigorosas exigências de fiscalização, execução e prestação de contas.
“Não se trata de favor político, privilégio pessoal ou concessão de qualquer autoridade. Lançar suspeitas sem apresentar provas é uma atitude irresponsável”, afirma.
Além de esclarecer a aplicação dos investimentos, a instituição pontuou que sua estrutura obedece a governanças compartilhadas, desvinculadas de interesses individuais:
“Não somos instrumento de interesses individuais, familiares ou partidários. Reduzir nossa organização à figura de uma única liderança é desrespeitar a autonomia dos povos que representamos”, diz trecho da manifestação.
Modelo de progresso e infraestrutura no Vale do Juruá
Outro ponto central rebatido pelos povos originários envolve as críticas quanto às demandas por infraestrutura, como a construção de estradas e pontes. A entidade salientou que a carência de serviços básicos no Vale do Juruá decorre de décadas de abandono estatal, e não da atuação das comunidades locais.
Embora apoie a chegada de investimentos públicos, a OPIRJ defende que o modelo produtivo não deve se apoiar na devastação florestal, na monocultura ou na expansão desordenada de lavouras. A organização ressalta a necessidade de diálogo e respeito ao direito à consulta prévia perante intervenções estruturais.
“Os povos indígenas não são obstáculos ao desenvolvimento. Temos nossa própria visão de futuro e o direito de participar das decisões sobre o destino do Vale do Juruá”, afirma a organização.
Histórico de atritos no Senado Federal
O embate entre o senador e a entidade não é inédito. Em pronunciamentos anteriores e em requerimentos apresentados no Senado em 2023, Márcio Bittar já havia formalizado cobranças para obter dados sobre ações de conservação ambiental coordenadas pela OPIRJ com suporte financeiro do fundo.
Ao concluir o documento, a liderança indígena assegurou que permanecerá firme na salvaguarda de suas terras e tradições culturais, rejeitando acusações infundadas ou ações que busquem deslegitimar a representatividade comunitária no Acre.
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