Organização indígena do Acre repudia declarações de Márcio Bittar e rebate críticas sobre Fundo Amazônia
Acre

Indígenas do Acre rebatem Márcio Bittar sobre Fundo Amazônia

18/10/2026 14 views 3 min de leitura

A Organização dos Povos Indígenas do Rio Juruá (OPIRJ) publicou um manifesto em repúdio aos recentes pronunciamentos do senador Márcio Bittar (PL-AC) concedidos à imprensa em Cruzeiro do Sul. Na manifestação, a entidade saiu em defesa de seu coordenador-geral, Francisco Piyãko, contestando os questionamentos do parlamentar acerca da legitimidade dos projetos financiados pelo Fundo Amazônia e recusando a ideia de que a preservação ambiental freie o avanço socioeconômico da região.

Transparência e critérios no Fundo Amazônia

A organização refutou de maneira enfática as suspeitas levantadas a respeito do uso de verbas destinadas a ações indígenas. De acordo com o posicionamento coletivo, todos os recursos operados sob a tutela do BNDES cumprem rigorosas exigências de fiscalização, execução e prestação de contas.

“Não se trata de favor político, privilégio pessoal ou concessão de qualquer autoridade. Lançar suspeitas sem apresentar provas é uma atitude irresponsável”, afirma.

Além de esclarecer a aplicação dos investimentos, a instituição pontuou que sua estrutura obedece a governanças compartilhadas, desvinculadas de interesses individuais:

“Não somos instrumento de interesses individuais, familiares ou partidários. Reduzir nossa organização à figura de uma única liderança é desrespeitar a autonomia dos povos que representamos”, diz trecho da manifestação.

Modelo de progresso e infraestrutura no Vale do Juruá

Outro ponto central rebatido pelos povos originários envolve as críticas quanto às demandas por infraestrutura, como a construção de estradas e pontes. A entidade salientou que a carência de serviços básicos no Vale do Juruá decorre de décadas de abandono estatal, e não da atuação das comunidades locais.

Embora apoie a chegada de investimentos públicos, a OPIRJ defende que o modelo produtivo não deve se apoiar na devastação florestal, na monocultura ou na expansão desordenada de lavouras. A organização ressalta a necessidade de diálogo e respeito ao direito à consulta prévia perante intervenções estruturais.

“Os povos indígenas não são obstáculos ao desenvolvimento. Temos nossa própria visão de futuro e o direito de participar das decisões sobre o destino do Vale do Juruá”, afirma a organização.

Histórico de atritos no Senado Federal

O embate entre o senador e a entidade não é inédito. Em pronunciamentos anteriores e em requerimentos apresentados no Senado em 2023, Márcio Bittar já havia formalizado cobranças para obter dados sobre ações de conservação ambiental coordenadas pela OPIRJ com suporte financeiro do fundo.

Ao concluir o documento, a liderança indígena assegurou que permanecerá firme na salvaguarda de suas terras e tradições culturais, rejeitando acusações infundadas ou ações que busquem deslegitimar a representatividade comunitária no Acre.

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