Flamengo entra com vantagem contra o Cruzeiro
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O Flamengo Reencontrou o Próprio DNA — e o Cruzeiro Vai Sentir Isso Hoje no Maraca

19/08/2026 8 views 3 min de leitura
Flamengo entra com vantagem contra o Cruzeiro
Flamengo entra com vantagem contra o Cruzeiro

Crônica de um carioca apaixonado por futebol arte

Por Marcelo Mesquita, 19/08/2026

Vou te mandar o papo reto, como um bom carioca sem enrolação de comentarista tímido que tem medo da própria opinião: o Flamengo achou o caminho de volta pra casa, e casa, para esse time, sempre foi sinônimo de pressão alta, posse qualificada e aquele toque de bola curtinho que faz o gramado do Maracanã parecer quadra de futsal lotada num domingo de sol. Tem gente por aí, analista de plantão, botando Cruzeiro e Flamengo no mesmo patamar, citando o empate do Mineirão como prova de equilíbrio. Discordo com todas as letras, e explico o motivo sem rodeio.

Porque futebol, meus caros, não é só resultado no placar — é também sensação de time que sabe, de novo, quem é. E o Flamengo, nos últimos três jogos, resgatou algo que a torcida não sentia direito desde a era Jorge Jesus: aquele DNA antigo, eternizado lá atrás pela geração de Zico, que hoje reaparece com roupagem nova, mas alma reconhecível. Não é milagre, não é sorte de loteria — é identidade batendo o próprio recorde de retorno triunfal.

A troca de comando, cá entre nós, foi osso duro de roer. Leonardo Jardim tentou implementar estilo mais reativo, mudança e tanto vindo do trabalho anterior de Filipe Luís, que misturava o rigor tático à la Simeone com a intensidade turbinada de Jorge Jesus. Trocar pneu com o carro andando, sem pré-temporada decente pra ajustar peça por peça, sempre cobra o preço mais salgado do cardápio. Só que aí mora o mérito que ninguém pode tirar do português: percebendo que o elenco, cheio de gente calejada em futebol europeu, não engolia bem a receita nova, Jardim teve a inteligência — e a falta de vaidade, que é rara em treinador com currículo grande — de voltar para o que os próprios jogadores já sabiam fazer de olho fechado.

Resultado: time confiante, solto, jogando bonito sem medo de errar, embora, cá entre nós, ainda peque um pouco no preciosismo — de vez em quando insiste em tabelinha dentro da pequena área, a fim de entrar com bola e tudo, quando um bom chute de média distância resolveria mais rápido e com menos risco. Mas detalhe de refinamento não tira o essencial: o Flamengo entra no jogo de volta com a cara de quem já sabe o que vai encontrar, e o Cruzeiro, esse, vai ter que lidar com ambiente hostil, Maraca cheio, pressão de torcida que sente o time voltando a ser gente grande.

Aqui vai o meu palpite, dado com a franqueza de sempre e a ressalva que preciso deixar registrada, porque seriedade jornalística exige: não faço propaganda de casa de aposta nenhuma, aliás, prefiro distância segura desse mundo, que sei bem o estrago que faz na vida de quem se envolve mais do que deveria. Dito isso, no papel e no campo, olhando com a frieza de quem só quer prever o jogo, não a fatura de ninguém: boto o Flamengo com setenta por cento de chance de avançar, contra trinta do Cruzeiro. O Maraca, dessa vez, deve ser o palco onde identidade reencontrada engole estratégia adversária no primeiro tempo — e sobra ainda pro segundo.

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