O candidato ao Senado Federal pelo PSOL, Inácio Moreira, participou nesta quarta-feira (2) da sabatina promovida pelo ac24horas e defendeu a implantação da tarifa zero no transporte público. Durante a entrevista, ele afirmou que a mobilidade urbana deve ser tratada como um direito fundamental, assim como saúde e educação.
Ao comentar a proposta de transporte público gratuito prevista no plano de governo do candidato ao governo do Acre Tião Bocalom (PSDB), Inácio classificou a tarifa zero como uma pauta historicamente defendida por movimentos sociais e partidos de esquerda.
“É possível entender o transporte como um direito fundamental, igual saúde, igual educação. Tem muita gente que desconfia dessa ideia. Afinal de contas, nós crescemos pagando a passagem. É possível a gente ir e vir sem pagar a roleta? Depende de uma decisão política”, afirmou.
Inácio cita participação do governo federal
Segundo o candidato, a implantação da tarifa zero não poderia ser financiada exclusivamente pelas prefeituras e pelos governos estaduais. Para ele, seria necessária a participação do governo federal.“O presidente Lula tomou essa decisão. O que ele quer é, passado o período eleitoral, no mandato, chamar os estados e os municípios para discutir, porque há de convir que a prefeitura e o Estado não têm condições de bancar isso sozinhos”, declarou.
Inácio também citou os valores atualmente envolvidos no transporte coletivo e afirmou que parte significativa do custo já é subsidiada pelo poder público.“É bom que você que está me assistindo saiba que a tarifa aqui é estipulada em R$ 11, R$ 11,50. R$ 7,50 já é o Estado que paga. Então, nós vamos discutir essa diferença”, afirmou.
Candidato defende tarifa zero como incentivo à economia
Na avaliação de Inácio, o transporte público gratuito também poderia contribuir para movimentar a economia local, ao facilitar o deslocamento das pessoas pela cidade.“Para a economia, você está vendo o plano de candidatura. Quantas pessoas você garante para estar consumindo, para estar transitando na cidade com transporte? Foi assim na Expoacre. Fizeram toda uma operação para ter transporte até mais tarde. Isso é bom para a economia”, explicou.
“Não existe almoço grátis”
Questionado sobre empresários que costumam criticar a ideia de tarifa zero sob o argumento de que “não existe almoço grátis”, Inácio reconheceu que alguém precisa financiar o serviço, mas defendeu que os custos sejam distribuídos de acordo com a capacidade de cada setor.
“É por experiência própria. O recurso que vai para o agronegócio, para os grãos, é recurso público. Então, eles estão corretos: não existe grátis, não. Inclusive, para eles”, afirmou.
O candidato também citou incentivos fiscais concedidos a setores da economia como exemplo da participação do Estado no desenvolvimento econômico.“No bioma da Amazônia, a mão do Estado tem que influenciar a economia. É só eles terem humildade e entenderem isso”, declarou.
Inácio critica condições do transporte coletivo em Rio Branco
Durante a sabatina, o candidato também criticou a situação do transporte coletivo na capital acreana e afirmou que a quantidade de ônibus em circulação diminuiu nos últimos anos.“Não dá para, de um lado, ter esse carnaval de carreatas que congestionam, poluem o ambiente sonoro, poluem o visual, e a gente não ter uma parada de ônibus que foi permitida. A gente não tem ônibus. Rio Branco teve 180 ônibus, tem 80”, criticou.
Para Inácio, a discussão sobre tarifa zero precisa estar associada a um debate mais amplo sobre distribuição de recursos públicos e prioridades para a população.“O que eu estou chamando, e o que eu vou usar todos os espaços que eu tiver, é para dizer: se a gente se juntar e dividir o bolo, eu preciso botar na planilha do Excel, seja da pecuária, seja do pobre”, afirmou.
Fonte: ac24horas.com
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