Um total de seis veículos partiu da residência do senador Flávio Bolsonaro (PL), em Brasília, com o objetivo de confundir as autoridades e mascarar qual deles realmente transportaria o político e seus familiares rumo à fronteira argentina. A revelação foi publicada pelo periódico argentino Clarín, que detalhou os bastidores da saída do candidato derrotado ao Planalto logo após o pleito presidencial.
Estratégia de transporte e veto do STF
De acordo com a apuração veiculada pelo jornal estrangeiro, a mobilização incluiu pelo menos três jatos particulares com rotas alternativas de fuga, caso o plano principal sofresse algum tipo de interrupção. Inicialmente, a viagem por estrada não estava nos planos da família, que havia fretado uma aeronave para decolar da capital federal com destino a Foz do Iguaçu.
No entanto, o plano foi alterado de última hora porque o dono do avião recusou-se a realizar o trajeto após a emissão da ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que impôs a proibição de deixar o território brasileiro ao parlamentar e determinou a entrega de seus passaportes.
Trajeto terrestre e suposto apoio internacional
Dessa forma, o grupo percorreu uma distância superior a 1.600 km de automóvel. A publicação argentina aponta que agentes dos Estados Unidos teriam auxiliado na logística do percurso e prestado suporte no aeroporto de Puerto Iguazú, local onde o senador embarcou na companhia da esposa e das duas filhas com destino a Miami.
Contudo, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, negou, porém, neste sábado (31/10) que o país norte-americano tenha feito qualquer tipo de colaboração. Os governos da Argentina e dos Estados Unidos mantêm uma postura oficial de não confirmar qualquer participação na operação que viabilizou a saída do filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Apoio logístico na fronteira
A reportagem relata ainda que funcionários locais da imigração argentina teriam sido afastados de etapas específicas do procedimento, enquanto outras aeronaves ficavam de prontidão para uma possível rota alternativa através do Paraguai. A articulação teria contado com a presença de Santiago Caputo, assessor enviado pelo presidente Javier Milei à região para dar suporte aos trâmites.
Conforme os registros da imigração da Argentina, o político cruzou a linha fronteiriça junto à família na noite de terça-feira (27/10) e ingressou em um voo executivo com parada técnica no Equador, antes de aterrissar em Miami na manhã de quarta-feira (28/10), concretizando a saída do país apenas dois dias após a derrota eleitoral para Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
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