“Era a única opção”: piloto relata pane no motor e decisão de pousar avião em rio no Acre
Acre

Piloto detalha pane e pouso forçado de avião em rio no Acre

18/10/2026 15 views 4 min de leitura

Um pouso de emergência em um rio no interior do Acre mobilizou equipes de resgate no último sábado, 17, após uma falha repentina de motor em pleno voo. O comandante da aeronave, Douglas Campos, relatou os momentos de tensão vividos a bordo e a rapidez necessária para tomar a decisão que evitou uma tragédia com passageiros e tripulação.

Pane súbita no motor após a decolagem

De acordo com o aviador, todas as verificações prévias de segurança apontavam condições normais de voo. O alerta de perigo surgiu logo no início do trajeto, momento em que o avião vencia a camada de nebulosidade para estabilizar a altitude de cruzeiro.

“Bom, antes da decolagem, a gente confere todos os parâmetros, faz todos os cheques, tudo dentro do parâmetro. Fiz a decolagem, quando eu fui estabilizar para o voo, logo após ter rompido a camada das nuvens, eu notei uma sujeira no para-brisa que era o óleo. Logo então eu chequei os parâmetros da pressão do óleo e eu vi que ele estava reduzindo”, contou.

Apesar da estimativa inicial de que o motor continuaria operando por cerca de cinco minutos — tempo que utilizaria para alcançar uma área com descampados —, a perda de potência ocorreu de forma muito mais rápida, impossibilitando qualquer tentativa de retorno à pista de origem.

“Então eu resolvi continuar, chegar pelo menos até o meio do caminho onde o rio Xandres desaba no rio Purus. Ali eu sei que tem mais campo aberto, mas também não deu para chegar lá. Aí não deu cinco minutos, com um minuto e meio o motor parou de funcionar e eu já tive que começar o procedimento proposto de emergência”, relatou.

Manobra às cegas e controle da cabine

Com a parada total do propulsor e a visibilidade prejudicada pelas nuvens, Douglas precisou recorrer à sua experiência prévia na rota, que operava com frequência há quase um ano. O foco principal dividiu-se entre manter a sustentação da aeronave e evitar o pânico a bordo.

“Não fiquei com medo, eu fiquei muito concentrado em manter o avião voando e preocupado em manter aquele ambiente dentro do avião calmo para não desesperar os passageiros e colocar pânico ali na cabine”, disse.

A localização exata do leito d’água só pôde ser confirmada quando a aeronave rompeu o teto de nuvens em direção ao solo:

“Eu conheço a rota, eu conheço o avião que eu tenho, que eu estava operando. Então, assim, eu só procurei mesmo o rio ali. Eu sabia o rumo do rio, só que como estava acima da nuvem, eu não sabia onde exatamente estava o rio”, afirmou.

A escolha pelo leito do rio

Ao atravessar a barreira visual, o curso d’água surgiu imediatamente na trajetória do avião, consolidando o local como a única saída viável para a aterrissagem forçada.

“Fui seguindo o rio e quando a gente furou a nuvem, quando quebrou a camada para baixo, foi de frente para o rio ali, então eu sem pensar duas vezes eu coloquei o avião ali mesmo”, contou.

O piloto foi enfático sobre a manobra: “Era a única opção ali naquele momento.”

Alívio e recuperação física

Douglas destacou que a conjunção de preparo técnico com o fator imprevisto foi decisiva para o desfecho favorável da ocorrência.

“É o que eu falo, assim, eu fui um instrumento de Deus ali, utilizado por Deus, porque, é lógico, teve todo o meu treinamento, não posso falar que foi em vão, mas naquela situação, como tudo ocorreu naquele cenário, daquela forma que aconteceu, a gente sair de frente daquela forma ali, eu fui um instrumento mesmo ali, pra estar tomando conta ali daquela situação. Graças a Deus, veio tudo certo no fim das contas”, afirmou.

O impacto do pouso na água deixou algumas lesões físicas no aviador: “Uma dor muito grande aqui nas minhas costas e no peito, mas é mais muscular e do nervo. Só impedindo o movimento do meu ombro. Dói um pouquinho quando vai respirar fundo”, relatou.

Apesar dos danos materiais e do susto, o sentimento dominante após o resgate é o de sobrevivência coletiva: “Agora a ficha está caindo, eu estou muito contente, fico triste pela perda que teve, por tudo que aconteceu, mas agora está vindo mais o sentimento de gratidão por estar todo mundo bem a salvo aqui agora. Nesse momento é esse o sentimento que eu tenho mesmo.”

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