O endividamento das famílias acreanas registrou alta no mês de julho, alcançando 82,7% da população do estado. O índice, divulgado pela Federação do Comércio do Acre (Fecomércio-AC) com base na Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) da Confederação Nacional do Comércio (CNC), representa um salto para 53.135 famílias endividadas, frente às 51.240 registradas em junho. Este é o maior indicador dos últimos doze meses.
No cenário nacional, o panorama também reflete pressão sobre o orçamento doméstico: 82% das famílias brasileiras estavam endividadas em julho, totalizando quase 15 milhões de lares. Destes, mais de 5,5 milhões possuíam dívidas em atraso e cerca de 2,2 milhões declararam não ter condições de quitar seus compromissos.
A nível nacional, o programa governamental Desenrola 2.0 — vigente desde maio — exerceu um efeito positivo discreto, provocando uma leve retração no índice de dívidas em atraso, que passou de 29,9% em junho para 29,8% em julho. No entanto, a Fecomércio-AC ressalta que a iniciativa não surtiu o efeito esperado entre os mais vulneráveis, sobretudo nas famílias com renda mensal de até três salários-mínimos.
Apesar da alta no número total de endividados no Acre, o estado contabilizou uma redução de 1,13% no contingente de famílias sem condições de pagar o que devem, que caiu de 17.332 para 17.139.
De acordo com a pesquisa, o tempo médio de atraso para as famílias acreanas chegou a 63,1 dias, mantendo uma trajetória de alta desde julho do ano passado. O problema concentra-se de forma acentuada nas faixas de renda de até 10 salários-mínimos, com destaque severo para os lares que recebem até três salários-mínimos — grupo onde o comprometimento da renda supera os 50%.
Para Egídio Garó, assessor da presidência da Fecomércio Acre, o cenário reflete vulnerabilidades estruturais e comportamentais.
“Mais uma vez, o uso inconsciente do cartão de crédito eleva o número de famílias endividadas, especificamente nas de baixa renda. Mesmo com o Desenrola 2.0, os indicadores ainda são elevados, podendo, por premissa, indicar que as famílias não tomaram conhecimento do programa, o que ajudaria a diminuir o número do endividamento no Estado.”
Garó também aponta caminhos para mitigar a crise a médio prazo: “Por outro lado, a redução da taxa SELIC, ainda elevada, poderia, a médio prazo, minimizar o impacto das dívidas contraídas, notadamente na possibilidade de renegociação. Sendo menor, consequentemente, o montante de uma futura renegociação reduziria, bem como o valor das parcelas”, conclui.
Fonte: ac24horas.com
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