Os empresários do setor de transporte por vans, micro-ônibus e ônibus saíram da reunião promovida pela Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito de Rio Branco (RBTrans), na manhã deste sábado (11), com mais dúvidas do que respostas, mas demonstraram disposição para colaborar com a Prefeitura na tentativa de amenizar a crise enfrentada pelo transporte coletivo da capital.
O encontro, realizado na sede da RBTrans, reuniu proprietários e representantes de empresas interessados em participar da operação emergencial que pretende suprir a redução da frota de ônibus durante o período de transição entre a Ricco Transportes e a JTP Transportes.
Dono da JTF Transportes, Jean Lopes avaliou como positiva a iniciativa da Prefeitura em abrir diálogo com o setor, mas afirmou que ainda existem muitas questões técnicas e operacionais que precisam ser esclarecidas. “O mais positivo foi a Prefeitura chamar a gente para conversar e conhecer a realidade dos vanzeiros. Isso é importante. Mas operar transporte coletivo é muito mais complexo do que o serviço de fretamento que fazemos hoje”, afirmou.
Segundo o empresário, a operação regular envolve desafios como atendimento a pessoas com deficiência, fiscalização, controle de gratuidades, necessidade de cobradores e capacidade reduzida dos veículos. “Uma van leva cerca de 15 passageiros. Em linhas mais movimentadas, ela pode chegar ao terminal já lotada. Em alguns casos, seria necessário colocar duas vans fazendo o mesmo percurso. Tudo isso precisa ser negociado”, explicou.
Jean também afirmou que esperava que a Prefeitura apresentasse uma proposta mais estruturada para a operação emergencial. “Achávamos que já haveria um planejamento mais elaborado sobre como seria esse desafio. Viemos apresentar nossas dificuldades, mas entendemos que, para atender a população da capital, tudo precisa ser mais sincronizado.”
Como alternativa, ele defendeu que a contratação ocorra por meio da locação dos veículos, incluindo motorista e cobrador, com pagamento mensal pela Prefeitura. “A forma mais viável seria um contrato mensal, com a locação do veículo, motorista e cobrador. A empresa apresenta todos os custos, como combustível, seguro e manutenção, e presta o serviço.”
A JTF Transportes possui atualmente cinco veículos aptos para participar da operação, sendo quatro vans com capacidade para 15 passageiros e um veículo para 18 ocupantes.
Representando cooperativas do setor, Benny Gomes também classificou a reunião como produtiva e afirmou que o diálogo era uma reivindicação antiga da categoria, embora tenha ocorrido em meio a uma situação emergencial. “Sempre quisemos que essa conversa acontecesse, não exatamente da forma como está ocorrendo, mas foi importante para ouvir os dois lados e entender a necessidade da Prefeitura”, disse.
Segundo Benny, uma comissão será criada para discutir detalhes como remuneração, modelo de contratação e condições de operação. “Vamos formar uma comissão para discutir preços e definir se será um contrato de aluguel dos veículos ou outro formato. Acredito que segunda ou terça-feira isso já esteja definido.”
Assim como Jean, ele considera que a contratação por um valor fixo mensal seria o modelo mais seguro para os operadores. “Para mim, seria melhor um valor fixo por mês durante esses dois meses de transição. Assim cada veículo cumpriria suas rotas e horários, tornando a operação viável.”
O empresário afirmou que a convocação pegou tanto o setor quanto a Prefeitura de surpresa, principalmente por ocorrer em um período de alta demanda para o transporte por fretamento. “Ninguém esperava esse chamado. Estamos em uma época de muito fretamento e, de repente, surgiu essa missão de ajudar a resolver um problema que não é simples.”
Mesmo reconhecendo os riscos financeiros da operação, Benny afirmou que o setor pretende colaborar. “É um risco, porque o transporte coletivo é diferente do fretamento. O fluxo de passageiros varia muito, há gratuidades e custos que não conhecemos na prática. Mas queremos contribuir para que a cidade não fique sem transporte”, afirmou.
Segundo o empresário, as cooperativas que representa reúnem mais de 60 veículos, embora a quantidade que poderá ser disponibilizada dependerá da adesão dos proprietários. “Agora vamos reunir os cooperados para saber quem realmente tem interesse em participar. O fim de semana será de muito trabalho”, concluiu.
A expectativa da RBTrans é concluir o cadastramento dos interessados nos próximos dias e definir, em conjunto com os empresários, o modelo de operação temporária que será adotado para reforçar o transporte coletivo enquanto a nova concessionária conclui a implantação da frota em Rio Branco.
Fonte: ac24horas.com
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