Acre

Casa de apoio à pessoa com deficiência aponta capacitismo estrutural no mercado de trabalho do Acre

17/09/2026 29 views 3 min de leitura

A presidente do Conselho Estadual da Pessoa com Deficiência, Ana Lúcia, afirmou nesta quinta-feira (17) que pessoas com deficiência enfrentam capacitismo estrutural no mercado de trabalho do Acre. Em entrevista ao ac24horas, ela disse que profissionais qualificados, incluindo pessoas com formação superior, ocupam funções abaixo de sua capacidade intelectual porque empregadores presumem incapacidade a partir da deficiência.

“Isso faz parte do capacitismo estrutural, onde as pessoas, ao saber que a pessoa é com deficiência, já acham que ela é menos capaz de exercer determinadas funções”, declarou. Segundo Ana Lúcia, é raro haver pessoas com deficiência em cargos de comando de equipes, situação que ela atribui a uma questão estrutural das empresas e órgãos públicos. Ela citou a própria trajetória como exceção que não representa a realidade da maioria das pessoas com deficiência no mercado de trabalho.

A presidente afirmou que existe legislação federal, estadual e municipal voltada às pessoas com deficiência, mas que sua aplicação é fracionada. Segundo ela, núcleos administrativos voltados a esse público concentram-se nas áreas de saúde e educação. Áreas como turismo, cultura, lazer, trânsito, mobilidade urbana e obras não contam com políticas específicas de inclusão, afirmou.

Ana Lúcia destacou que deficiências invisíveis enfrentam barreiras adicionais ligadas ao capacitismo. Como exemplo, mencionou banheiros acessíveis que atendem cadeirantes, mas não dispõem de pia com sabonete para higienização de pessoas ostomizadas, que utilizam bolsa de colostomia. Também citou a ausência de trocadores em banheiros acessíveis para pessoas que utilizam fraldas.

Segundo ela, essas condições, somadas a dificuldades de deslocamento entre residência e local de trabalho, contribuem para afastar pessoas com deficiência de vagas que exigem cumprimento de jornada e horários fixos. “As condições que são oferecidas, tanto no ir e vir quanto no ambiente de trabalho, ainda não foram adequadamente estruturadas para acolher a pessoa com deficiência”, afirmou.

Questionada sobre o cenário eleitoral, a presidente disse perceber maior aproximação de candidatos com associações do segmento durante o período de campanha, comportamento que não se sustenta ao longo dos mandatos. Ela citou o lema “nada sobre nós sem nós” e defendeu a participação de pessoas com deficiência na formulação de políticas públicas. Segundo Ana Lúcia, o segmento inclui pessoas com deficiência física, surdez, autismo e outras condições com capacidade para ocupar cargos de decisão.

A presidente afirmou ainda que candidatos com deficiência, quando eleitos, devem representar um segmento que considera invisibilizado, com atenção a políticas de direitos humanos, emprego, lazer e cultura, além das políticas assistenciais. Disse acompanhar propostas de candidatos independentemente de posicionamento partidário.

Sobre mobilidade urbana, Ana Lúcia apontou desníveis em calçadas como obstáculo para cadeirantes. Afirmou ter ressalvas quanto à legislação recém homologada sobre mobilidade no município e disse que calçadas construídas pelo próprio poder público já apresentam problemas de padronização, agravados por intervenções de moradores que utilizam o espaço como extensão de jardins.

 

Fonte: ac24horas.com

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