Avião que caiu em rio no Acre é de 1977 e não tinha autorização para operar como táxi aéreo, aponta Anac
Acre

Avião que caiu em rio no Acre não tinha aval para táxi aéreo

17/10/2026 17 views 3 min de leitura

A aeronave que precisou realizar uma aterrissagem de emergência em um rio no interior do Acre foi fabricada em 1977 e não contava com permissão para prestar serviços remunerados de táxi aéreo. Os dados constam no Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB), vinculado à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Situação cadastral do monomotor

O avião envolvido no incidente é um modelo Neiva EMB-711C, identificado pelo prefixo PT-NLE. Conforme os registros oficiais da Anac, o certificado de aeronavegabilidade do aparelho permanece regularizado e possui validade estipulada até o dia 22 de abril de 2027, constando com situação “normal”.

A classificação do operador está registrada como estritamente privada. Por essa razão, a aeronave não dispõe de aval para voos comerciais regidos pelas normas de táxi aéreo, tampouco para instrução de pilotos ou Serviço Aéreo Especializado (SAE), que aparecem expressamente como “não autorizados”. Contudo, o fato de não possuir essa chancela não indica, por si só, que a operação executada no sábado apresentasse ilegalidade, desde que não tenha havido cobrança pelo transporte.

Com peso máximo de decolagem de 1.202 quilos e configuração de pouso convencional com um motor, o modelo dispõe de capacidade para quatro pessoas, sendo um tripulante e três passageiros.

Falha mecânica e pouso de emergência

O incidente ocorreu nas proximidades do município de Santa Rosa do Purus. A bordo do monomotor estavam quatro pessoas: o piloto Douglas Campos, o comunicador Marcos Bergson, o cinegrafista Jean Silva e mais um passageiro. A equipe regressava de uma agenda de trabalho após a entrega de um prêmio de R$ 220 mil pelo AcreCap.

De acordo com o relato do comandante Douglas Campos após o salvamento, manchas de óleo surgiram no para-brisa logo após romper a barreira de nuvens. Ao checar os mostradores do painel, ele constatou uma queda brusca na pressão do sistema de lubrificação.

A previsão inicial do piloto era de que o motor continuaria funcionando por cerca de cinco minutos. No entanto, a propulsão cessou por completo aproximadamente um minuto e meio após os primeiros sinais do problema. Diante da pane total, o condutor executou os protocolos de emergência, desceu abaixo do teto de nuvens e optou por planar até tocar as águas do rio.

Sobrevivência e resgate das vítimas

Com o choque na água, a estrutura do avião afundou parcialmente. Imediatamente, todos os ocupantes conseguiram evacuar a cabine e se abrigaram sobre a fuselagem das asas para não serem levados pela correnteza.

Após aguardarem por cerca de 40 minutos sobre a aeronave, o grupo foi localizado por uma embarcação que navegava pelo trecho. Os ribeirinhos prestaram os primeiros socorros e conduziram os náufragos até uma casa situada nas margens do manancial.

A remoção final das vítimas foi concluída por uma equipe do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer). Mesmo enfrentando condições climáticas desfavoráveis e baixa visibilidade na região, o helicóptero de resgate conseguiu pousar e transportar todos os sobreviventes em segurança até a capital, Rio Branco.

Compartilhe esta notícia

Notícias Relacionadas

Gerar Post/Story

Arraste elementos para posicionar • Segure Shift + arraste para mover o fundo
Texto
Tamanho
Cor
Imagem
Zoom
Escurecer
Cor
Categoria
Fundo
Texto
Logo
Tamanho
Legenda