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Analista da AtlasIntel explica metodologia de pesquisa e avalia cenários eleitorais no AC

03/08/2026 3 views 7 min de leitura

A primeira pesquisa eleitoral AtlasIntel em parceria com o ac24horas para as eleições de 2026 foi um dos assuntos do programa Boa Conversa, que entrevistou online o analista do instituto, Breno Oliveira, para explicar os números do levantamento, a metodologia utilizada e os cenários da disputa pelo Governo do Estado e pelo Senado. O programa foi exibido nesta segunda-feira (03) com comentários de Astério Moreira, Marcos Venicios e Luis Carlos Moreira Jorge, o Crica.

Durante a entrevista, Breno destacou que a pesquisa apresentou um cenário diferente dos levantamentos anteriores divulgados no Acre, principalmente na disputa pelo Governo. Segundo ele, apesar da liderança numérica da governadora Mailza Assis (Progressistas), com 35,2% das intenções de voto contra 33,1% do senador Alan Rick (Republicanos), o cenário é de empate técnico dentro da margem de erro.

“Na verdade, o que a gente observa é uma situação de empate técnico entre a atual governadora Mailza Assis e o Alan Rick, o atual senador. Uma situação de empate técnico dentro da margem de erro de 3 pontos percentuais, apesar da Mailza estar numericamente à frente em primeiro lugar”, explicou.

O representante da AtlasIntel afirmou que, considerando a amostra de 997 entrevistados e o nível de confiança de 95%, ainda não é possível apontar estatisticamente um líder isolado na disputa. “Estatisticamente, a gente ainda não pode cravar quem está na frente, apesar da Mailza estar numericamente à frente”, disse.

Na conversa no Boa Conversa, Breno também detalhou a metodologia do Recrutamento Digital Aleatório (Atlas RDR), utilizada pelo instituto. Segundo ele, o modelo permite alcançar eleitores durante a navegação cotidiana na internet e, posteriormente, ajustar a amostra para representar o eleitorado do Acre.

“Os respondentes, diferente de uma pesquisa presencial ou de uma pesquisa de ponto de fluxo ou uma pesquisa telefônica, são recrutados quando eles estão navegando pela internet, na sua navegação cotidiana”, explicou.

Ele afirmou que a AtlasIntel utiliza controles como sexo, escolaridade, renda, idade, participação em programas sociais e histórico eleitoral para garantir a representatividade dos dados coletados.

A disputa pelo Senado também foi tema da entrevista. Breno explicou que a eleição para duas vagas exige uma análise diferenciada, já que o eleitor precisará escolher dois candidatos. “Essa é uma eleição de dois votos, então é uma eleição muito específica. A maioria dos eleitores provavelmente nem ainda tem consciência de que serão dois votos”, afirmou.

Segundo ele, o segundo voto costuma ser definido mais próximo da eleição e pode beneficiar candidatos com menor rejeição.

“Às vezes, um candidato que não contou bem o primeiro voto, mas que ele não é rejeitado, pode acabar virando uma opção de segundo voto de muitos eleitores”, explicou.

Ao comentar o cenário sem o ex-governador Gladson Cameli na disputa pelo Senado, Breno analisou o crescimento da ex-deputada federal Mara Rocha (Republicanos), que aparece na liderança com 23,7% das intenções de voto, seguida por Márcio Bittar (PL), com 22,5%.

Para ele, o desempenho de Mara está relacionado ao baixo índice de rejeição. “Como ela é uma candidata que tem uma rejeição baixíssima, ela acaba sendo uma candidata que, por não inspirar muita rejeição na maior parte do eleitorado, acaba sendo uma segunda opção de grande parte dos eleitores”, afirmou.

Durante o programa, o representante da AtlasIntel também confirmou que serão realizados cinco levantamentos até o primeiro turno das eleições de 2026. A próxima pesquisa está prevista para ser divulgada no dia 21 de agosto.

Breno reforçou ainda que a pesquisa representa um retrato do momento eleitoral e que novos movimentos podem ocorrer até os próximos levantamentos. “Isso é apenas uma amostragem de momento. Pode ser que na próxima pesquisa do dia 21 de agosto já aconteçam novas movimentações nas cabeças de quem lidera, de quem não lidera”, concluiu.

Durante a transmissão, os comentaristas Astério Moreira, Crica e Marcos Venicios analisaram os resultados do levantamento e destacaram os impactos dos números para a corrida ao Governo do Acre e ao Senado.

Para Astério Moreira, a pesquisa surpreendeu por apresentar um cenário diferente dos levantamentos divulgados até o momento, mas ele ressaltou que o resultado deve ser encarado como um retrato do momento eleitoral. “A pesquisa causou. Muita gente ficou surpresa, mas pesquisa é pesquisa. Não adianta estrebuchar nem ficar de salto alto, sempre vai ter alguém reclamando”, ressaltou.

Foto: Ramalho/ac24horas

Ao comentar a disputa pelo Senado, Astério afirmou que os números reforçam a força da direita no Acre. “Se o bolsonarismo aparece forte no Acre, é natural que o Márcio Bittar esteja entre os primeiros colocados para o Senado”, completou.

Sobre o cenário sem o ex-governador Gladson Cameli, ele avaliou que o crescimento de Mara Rocha está ligado ao mesmo eleitorado. “Quando o Gladson sai, a Mara sobe porque também está dentro desse universo. A rejeição de 67% ao Lula mostra que a direita e o bolsonarismo estão muito bem posicionados no Acre. É bom as campanhas considerarem a metodologia aplicada pela AtlasIntel. Ninguém adianta botar salto alto porque pode quebrar o salto”, explicou.

Já o jornalista Crica lembrou que o ac24horas contratou um instituto de reconhecimento nacional para realizar os levantamentos e reforçou que pesquisas eleitorais não definem o resultado das urnas. “O ac24horas não está fazendo pesquisa. Contratou um instituto de renome nacional, cujos resultados são publicados nos maiores órgãos de comunicação do país. Pesquisa não ganha eleição, ela registra um momento”, ressaltou.

Na avaliação de Crica, o crescimento da governadora Mailza Assis pode ser explicado pelo aumento de sua exposição pública. “É natural que a Mailza cresça. Ela saiu daquela bolha palaciana e passou a aparecer mais nas ruas, nos bairros, participando de atos e transmitindo uma maior simpatia”, pontuou.

Sobre o senador Alan Rick, ele afirmou perceber um movimento de estabilidade. “Com o Alan Rick, a impressão é que ele bateu no teto”, explicou.

Foto: Ramalho/ac24horas

Crica também avaliou o desempenho de Thor Dantas. “O Thor é o único outsider dessa campanha. É o único que pode dizer que é oposição”, acrescentou.

O editor de política do ac24horas, Marcos Venicios, afirmou que a pesquisa precisa ser analisada com seriedade pelas coordenações das campanhas. “Essa pesquisa tem que ser levada em conta pelos marqueteiros e coordenadores das campanhas. Não adianta ficar fazendo reunião com negacionismo”, pontuou.

Segundo ele, o levantamento reforça a tese de que a disputa pelo Palácio Rio Branco deverá ser decidida em segundo turno. “A AtlasIntel assegura o que a gente vem falando aqui no Boa Conversa durante esse tempo todo: a eleição para o governo vai ter dois turnos”, pontuou.

Ao comentar a corrida ao Senado, Marcos destacou que o desempenho nas pesquisas precisará ser acompanhado de uma estrutura política e financeira robusta. “Quem quer ganhar uma eleição para o Senado precisa de estrutura financeira, candidatos proporcionais, lideranças e organização nos municípios. Pesquisa ajuda, mas campanha para o Senado exige muito mais do que bons números”, ressaltou.

Fonte: ac24horas.com

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