A professora acreana e artista plástica Katricia compartilhou nas redes sociais detalhes da trajetória que a levou a deixar o Acre e recomeçar a vida em Santa Catarina. Ela faz parte dos mais de 30 mil acreanos que deixaram o estado em busca de oportunidades em outras regiões do país. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Além de relatar os desafios enfrentados após um grave acidente, ela contou que realizou oito provas de concursos públicos nos últimos quatro anos e foi aprovada em seis, conquistando posições de destaque na classificação para pessoas com deficiência (PCD).
Atualmente morando em Balneário Camboriú, Katricia explica que a mudança para Santa Catarina aconteceu inicialmente para buscar tratamentos médicos que, segundo ela, não conseguiu realizar no Acre. A decisão de permanecer no estado veio depois que a família já havia se estabelecido na região e começou a construir uma nova trajetória profissional.
“Então, o nosso intuito aqui não era vir para morar a vida toda. Mas o nosso intuito inicial era vir para buscar os meus tratamentos que no Acre eu não tinha”, relatou.
A professora conta que sofreu um acidente que provocou diversas lesões, incluindo fraturas no rosto, traumatismo craniano e problemas na perna. Segundo ela, foi somente depois de chegar a Santa Catarina e passar por consultas com especialistas que descobriu a extensão dos ferimentos.
“Porque, por exemplo, eu hoje sou uma pessoa que sofro de nevralgia do nervo trigêmeo, que é considerada a pior dor do mundo, e essa nevralgia do nervo trigêmeo foi agravante do meu acidente. Depois que eu vim para cá, eu descobri que, além de ter fraturado todo o meu rosto, eu também tive traumatismo craniano. Eu tenho um buraco na minha cabeça”, afirmou.
Katricia também relatou que as lesões comprometeram a respiração, a visão e a estrutura da boca. De acordo com ela, o nariz havia sido fraturado e não foi corrigido, o que provocava dificuldades respiratórias. Recentemente, ela passou por uma cirurgia para tratar o problema.
“Eu não respirava. Exemplo disso é que eu passei por uma cirurgia há pouco mais de oito dias. Hoje está fazendo oito dias, estou com o meu nariz ainda cheio de pontos por dentro, porque eu não respirava, já que o nariz quebrou e não foi consertado”, contou no vídeo.
Além dos problemas na região do rosto, a professora afirma que ficou com sequelas graves na perna, incluindo a redução do comprimento e dores crônicas. Segundo ela, fragmentos de ossos permaneceram na região lesionada após o acidente.
“Eu fiquei com essa lesão na minha perna, que diminuiu o tamanho da minha perna, eu fiquei sem joelho e eu sinto dores crônicas devido a ter ficado vários fragmentos de osso soltos na minha perna”, relatou.
Depois de iniciar o acompanhamento médico em Santa Catarina, Katricia afirma que recebeu informações difíceis sobre as possibilidades de recuperação da perna. Segundo ela, um especialista explicou que ainda não existe uma prótese adequada para o tipo de lesão que apresenta e alertou para a possibilidade de, no futuro, ela precisar de uma cadeira de rodas.
“Quando eu comecei a passar pelas consultas médicas, que eu passei com um especialista, eu fui desenganada e descobri que, devido à minha lesão ter sido grave demais, não existe prótese ainda. Pode ser que no futuro exista, mas nesse momento ainda não existe prótese para o meu tipo de lesão. E que, devido a essa lesão ter sido tão grave, não muitos anos mais, eu vou para a cadeira de rodas”, disse.
Mesmo diante das dificuldades, a professora conta que a família decidiu permanecer em Santa Catarina. Naquele momento, eles já haviam vendido a casa que tinham no Acre e viajado com dois bebês pequenos. Katricia também estava em licença-maternidade quando chegou ao estado.
“E aí, como a gente já estava aqui, eu já tinha vendido a minha casa no Acre. A gente veio com dois bebês de colo para cá, a gente decidiu ficar. E, desde o dia que eu cheguei aqui, eu trabalho. Eu estava de licença-maternidade quando a gente chegou aqui, porque minha neném tinha pouco mais de quatro meses”, contou.
Além de professora de arte, Katricia trabalha como artesã e artista plástica. Ela conta que começou a procurar oportunidades profissionais logo após a chegada a Santa Catarina, conciliando o trabalho com a busca por tratamento médico e a preparação para concursos públicos.
“E aí eu já fui fazer cadastro para participar de feiras de artesanato, porque, além de professora de arte, eu também sou artesã e também sou artista plástica. Então comecei a participar de feiras de artesanato, fui fazer provas de processo seletivo e de concursos”, relatou.
Segundo ela, foram oito provas de concursos públicos realizadas ao longo de quatro anos, com seis aprovações. A professora destaca que conseguiu posições de destaque nas listas destinadas a pessoas com deficiência.
“Então, nesses quatro anos que eu estou aqui, eu fiz oito provas de concurso. Dessas oito, eu passei em seis. E nas seis que eu passei, ou eu passei em primeiro lugar de PCD ou em segundo lugar de PCD”, afirmou.
A conquista mais recente foi no concurso de Camboriú, também em Santa Catarina. Katricia contou que foi convocada para assumir uma vaga efetiva como professora, o que motivou uma nova mudança da família.
“Exemplo disso é que a última prova que eu fiz de concurso foi a de Camboriú, que foi esse ano. E eu fui convocada dia 8 do mês passado para me efetivar aqui em Camboriú e, por isso, a gente fez essa mudança esse mês”, explicou.
Nas redes sociais, Katricia também compartilha informações sobre o mercado de trabalho na educação catarinense. Segundo ela, uma das perguntas mais frequentes dos seguidores é sobre o salário dos professores no estado.
“Em todos os meus vídeos, os maiores comentários que tem é perguntando para mim qual é o valor do salário do professor aqui de Santa Catarina. E, como eu tenho respondido para todo mundo que pergunta isso, o valor do salário varia de município para município, do estado ou particular”, explicou.
Ao falar sobre a rede estadual, ela cita o valor de R$ 5.130,63 como referência salarial para profissionais que ingressam na carreira efetiva ou trabalham como professores admitidos em caráter temporário, conhecidos como ACTs. Katricia também menciona auxílio-alimentação de R$ 550 para uma jornada de 40 horas semanais, das quais, segundo ela, 32 são cumpridas em sala de aula e oito são destinadas a atividades de planejamento.
A professora ainda cita o programa Qualifica Mais, que, de acordo com seu relato, prevê uma gratificação de R$ 3 mil ao final do ano para profissionais que não tenham faltas. Entre os municípios com remunerações mais altas, ela menciona Criciúma, com salários de R$ 6,7 mil para uma jornada de 40 horas, além de outras cidades catarinenses.
Para quem pretende deixar o Acre em busca de oportunidades, Katricia recomenda pesquisar as condições de contratação e os benefícios oferecidos antes de se mudar.
“Então, uma dica para você que quer vir para Santa Catarina é, antes de vir, pesquisar se está tendo processo seletivo, que é a prova do ACT, se está tendo concurso para essa cidade, se essa cidade tem chamadas emergenciais. E como é que você faz para ver isso? Site da prefeitura, Instagram da prefeitura. Lá eles sempre publicam”, orientou.
Assista ao vídeo:
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