Para além de oportuna e arrasadora, a derrota do presidente Trump veio a tempo de se evitar o pior. A avaliação aponta que o revés político nos Estados Unidos traz implicações diretas para o cenário internacional e nacional, servindo como ponto de inflexão para correntes de extrema-direita em diferentes países.
Memórias do parlamento e o voto em Lula
O autor do relato recorda o convívio político com Jair Bolsonaro na época em que ambos integravam o PP. Nas reuniões semanais comandadas pelo senador Jarbas Passarinho, o clima exigia cautela com o comportamento do colega de bancada. O líder partidário escolhia a dedo os assuntos de maior importância e ainda acrescia: “antes dele chegar”. O trecho remete ao deputado federal Jair Bolsonaro.
Essa vivência anterior motivou o posicionamento eleitoral recente, resultando em um voto em Luiz Inácio Lula da Silva na disputa presidencial, mesmo sem filiação ao Partido dos Trabalhadores. A principal motivação era barrar o retorno do bolsonarismo ao Palácio do Planalto, visto que o clã político havia deixado marcas negativas durante a gestão federal anterior, tornando improvável que Flávio Bolsonaro conseguisse reverter a reputação da família.
O papel internacional de Donald Trump e o impacto para a família Bolsonaro
Guardadas as devidas proporções, a recente derrota do presidente Donald Trump e a derrota do candidato Flávio Bolsonaro se somam, tanto em favor da paz mundial quanto da nossa própria, posto que, de sujeitos notoriamente beligerantes, boas coisas não poderemos esperar. A crítica se estende à postura intervencionista do governo norte-americano, que contava com maioria no Congresso para avalizar ações externas controversas.
Ações externas e o futuro político nos Estados Unidos
Ao abusar dos seus poderes, sobretudo porque dispunha de maioria no seu Senado e na Câmara dos Deputados, o presidente Donald Trump fazia tudo o que lhe vinha à telha e, ao invés de acabar com as guerras que se espalhavam por todos os cantos e recantos, sempre as alimentava. Um dos episódios citados como exemplo dessa postura foi a incursão militar na Venezuela, descrita como uma violação da soberania internacional, mesmo diante das críticas ao regime local. Ao invadir a Venezuela e sequestrar o seu presidente Nicolás Maduro, nada poderia ser mais desrespeitoso à autodeterminação dos países, ainda que o ditador Nicolás Maduro fosse um abominável tirano.
Com a perda de maioria do Partido Republicano no Legislativo americano, o panorama institucional se altera profundamente. Doravante, com o seu partido, o Republicano, minoritário tanto no Senado quanto na Câmara dos Deputados, muito provavelmente só restará ao presidente Donald Trump se tornar um “pato manco”, como assim são denominados os presidentes que são derrotados nas chamadas eleições de meio de mandato.
Por fim, a perda de influência de Donald Trump reverbera diretamente sobre os aliados brasileiros. E o que têm a ver os bolsonaristas, sobretudo aqueles que integram a família Bolsonaro, com a recente derrota de Donald Trump? Certamente, os EUA deixarão de ser o refúgio consentido e aprazível dos seus filhos, Eduardo Bolsonaro e Flávio Bolsonaro, e eles não mais poderão contar com a proteção da mais importante potência mundial. De uma coisa tenhamos a mais absoluta certeza: Jair Bolsonaro e Donald Trump se merecem.
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