Seca intensa ameaça pecuária do Acre com perdas estimadas em R$ 87 milhões
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Seca extrema no Acre pode gerar prejuízo de R$ 87 milhões à pecuária

06/11/2026 1 views 3 min de leitura

Uma estimativa alarmante divulgada recentemente aponta que a estiagem severa no estado pode causar prejuízos de R$ 87 milhões para o setor pecuário. O cenário de seca prolongada, intensificado pelo fenômeno El Niño, traz riscos diretos para a produtividade no campo e eleva a preocupação com a economia local.

Impactos na alimentação e no desenvolvimento do rebanho

As altas temperaturas e a escassez de chuvas afetam severamente as pastagens, comprometendo tanto a quantidade quanto a qualidade da forragem disponível para os animais. Com menor oferta de alimento, o ganho de peso dos bovinos fica mais lento e os índices reprodutivos registram queda, o que pode prejudicar a produção de bezerros nos próximos anos.

Desafios hídricos e estratégias de prevenção

A falta de água em açudes e igarapés coloca em risco as propriedades rurais que não possuem infraestrutura adequada de armazenamento. Para mitigar os danos, o governo estadual tem apostado em ações preventivas, como a construção de milhares de reservatórios de água e o monitoramento climático contínuo.

Acompanhamento de riscos na região de fronteira

O agronegócio local também observa com atenção a situação em países vizinhos, onde a estiagem já provocou perdas expressivas no rebanho, acendendo um sinal de alerta para os municípios fronteiriços.

“Estamos trabalhando em duas frentes: aquilo que é tangível, com ações diretas de prevenção e apoio aos produtores, e a prospecção de informações que permitam ao setor agropecuário se preparar para cenários futuros. Também monitoramos o que acontece no nosso entorno estratégico, especialmente na Bolívia e no Peru, para identificar riscos e oportunidades para o Acre”, explicou Marcos Sant’ana, chefe da Divisão de Programas e da Divisão de Pesquisa Agropecuária da Seagri.

O gestor destaca que a recente crise provocada pela seca na Bolívia, que resultou na morte de milhares de bovinos, acendeu um sinal de alerta para os municípios acreanos localizados na faixa de fronteira.

“A Bolívia enfrenta um cenário muito preocupante por causa da seca, e nós buscamos entender quais reflexos isso pode trazer para o Acre. Estamos avaliando impactos para municípios como Brasiléia e Epitaciolândia, mas também possíveis oportunidades de mercado. Se houver redução da oferta de produtos agropecuários do outro lado da fronteira, por exemplo, precisamos compreender como isso pode influenciar o consumo, a comercialização e a produção no estado”, afirmou.

“É um trabalho complexo e contínuo. Quanto mais aprofundamos as análises, mais informações surgem e novos desafios são identificados. Nosso objetivo é fornecer dados que ajudem produtores e gestores a tomar decisões com antecedência e mais segurança”, concluiu Sant’ana, reforçando que o mapeamento de cenários continua em andamento.

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