Ex-marido homenageia médica assassinada no Acre e relembra trajetória: “Dividir a vida com ela foi uma dádiva”
Acre

Ex-marido homenageia médica assassinada em crime no Acre

05/11/2026 3 views 4 min de leitura

O médico Francisco Nogueira utilizou suas redes sociais para prestar uma emocionante homenagem à sua ex-esposa, a médica Elyne de Assis Nogueira, vítima de um homicídio na noite da última segunda-feira, 2, em Brasiléia, no interior do Acre. Embora o casamento tenha chegado ao fim em maio deste ano, Nogueira destacou que a relação de respeito e afeto entre eles foi mantida ao longo dos meses.

Trajetória de superação e dedicação à medicina

A trajetória de Elyne foi marcada por desafios e uma busca constante pela realização profissional. Nascida no interior do Acre, a médica carregava consigo memórias afetivas profundas de sua infância e de sua família. Sobre suas raízes, o ex-marido relatou: “Ela veio do interior do Acre, de origem humilde. Nas férias, ia para o km 19 ficar com o avó e andar a cavalo. Adorava aquele lugar e falava muito dessa época. Foi a avó quem ajudou a criá-la, e Elyne tinha um apego impressionante, dizia que era a pessoa mais pura de sentimento que conhecia: uma senhora trabalhadora, que criou vários filhos em uma vida dura, com sofrimento, mas também com muitas vítorias”.

Para alcançar seu objetivo de atuar na área da saúde, Elyne percorreu um longo caminho. “Ela cresceu como uma menina de gênio forte e, segundo histórias, até um pouco briguenta. Trabalhou no banco quando jovem, mas foi na medicina que encontrou o seu caminho. Foi estudar em Cochabamba, na Bolívia, em uma época em que isso significava ir para longe. Dedicou-se, tirava boas notas e concluiu o curso. Foi para São Paulo, sem saber o que viria. Estudou, passou no Revalida e enfim pode exercer a Medicina no Brasil”, afirmou Nogueira.

Atuação profissional e vocação

Antes de retornar ao Acre para trabalhar no Hospital Raimundo Chaar, a médica passou por diversas regiões do país, incluindo atuações no Samu na Bahia. Segundo seu ex-companheiro, ela possuía uma vocação nata para o cuidado. “Quando a vó adoeceu, voltou para cuidar e ficar perto dela. Conseguiu uma vaga pelo Mais Médicos na cidade que queria, em Brasiléia, e depois passou a trabalhar no Hospital Raimundo Chaar. Preferia a atenção básica, mas arrasava nos plantões”, pontuou.

O compromisso de Elyne com seus pacientes era um traço marcante de sua carreira. “Como médica, tinha um dom. Prestava atenção, se dedicava ao caso de cada paciente e sempre queria buscar o melhor para eles. Quando não sabia alguma coisa, ia atrás, e sempre buscava o bem para os seus pacientes. Conquistou o título de especialista em Medicina de Família e Comunidade, e tinha muito orgulho disso. Sonhava com o mestrado e correu atrás, passou na Ufac e estava estudando, realizando mais um sonho, buscando mais uma conquista”, recordou.

Memória e legado

Ao descrever a personalidade da vítima, Nogueira destacou o amor que ela nutria por sua família e por seus entes queridos. “Elyne não queria ser mãe, mas queria ser tia, porque dizia que queria estragar o filho dos outros, e cumpriu sua promessa. Enchia a sobrinha de presentes, uma menina que ela amava. Com a irmã, estava sempre unida, sempre dedicadas uma à outra. Com a mãe, tinha seus atritos, mas a amava, torcia pelo sucesso dela e se preocupava além da conta. Via o padrasto como pai, um exemplo de homem, por quem tinha muito carinho, amor e gratidão. No fim, Elyne foi uma ótima filha, irmã e tia. Como esposa, era carinhosa, gentil e dedicada. Amava de verdade e deixava claro. Cozinhava junto, ajudava nas tarefas, até na reforma. Gostava de carinho, de proximidade. Dividir a vida com ela foi uma dádiva”, declarou.

Por fim, ele lamentou a forma como a vida da médica foi interrompida. “Ninguém merece ter a vida interrompida de forma tão abrupta e covarde. Isso é inaceitável. Elyne foi assassinada em novembro de 2026 e com ela se foram sonhos, alegrias e o amor que tinha pela família e por seus pacientes. Na memória, fica a menina de sorriso verdadeiro que foi longe atrás de seu sonho e voltou para casa por amor à família”, concluiu.

O caso, que é investigado como um possível feminicídio, aponta como principal suspeito o advogado Francisco Valadares Neto, ex-companheiro da médica. A vítima já havia registrado boletins de ocorrência contra ele anteriormente por ameaças e descumprimento de medidas protetivas.

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