Aos 25 anos, Bruno Mesquita Feliciano iniciou uma nova etapa em sua trajetória profissional ao conquistar sua primeira oportunidade de trabalho presencial na área jurídica. Cego desde o nascimento, ele foi aprovado em processo seletivo e passou a integrar a equipe da 1ª Câmara Cível da Comarca de Cruzeiro do Sul, no interior do Acre, conforme divulgado pelo Tribunal de Justiça do estado.
Da infância à formação especializada
O interesse pelo setor surgiu quando ele tinha apenas 9 anos de idade. Durante a vida escolar, enfrentou obstáculos devido à falta de infraestrutura adequada para estudantes com deficiência visual, além de episódios de bullying. Apesar das barreiras, formou-se em Direito e acumulou especializações em Direito Penal e Processo Penal e em Direito Administrativo e Licitações, estando atualmente cursando uma pós-graduação em Direito Civil e Processo Civil.
Desafios no mercado de trabalho e autonomia
Antes de ingressar no Judiciário, o jovem atuou de forma autônoma e remota, prestando consultoria em licenciamento ambiental para companhias do Pará e do Amazonas. Ele relata que, em certas ocasiões, optava por ocultar sua condição visual dos clientes para evitar preconceitos.
“Eu sinto que quando as pessoas descobrem, elas ficam preocupadas e não querem me contratar, acham que eu não sou competente, que não vou dar conta”, contou.
Novos horizontes e metas futuras
No novo cargo, o estagiário busca familiarizar-se com a rotina forense, o andamento dos autos e a emissão de julgados. Casado há dez meses com Antônia Lívia, de 26 anos, que também possui deficiência visual, ele planeja prestar o Exame da Ordem dos Advogados do Brasil, advogar nas vertentes Civil, Ambiental e Administrativa, e ingressar no Ministério Público por meio de concurso.
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