Internações por doenças respiratórias dobram no período de maior poluição do ar no Acre, aponta Sesacre
Acre

Acre registra salto de 100% nas internações respiratórias devido à poluição do ar

02/11/2026 2 views 3 min de leitura

As hospitalizações por problemas respiratórios no Acre registram um aumento superior a 100% nos meses de maior contaminação atmosférica, coincidindo com a época mais quente do ano no estado. Um relatório epidemiológico lançado recentemente pela Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre) indica que a média de internações mensais saltou de 82 em janeiro para 165 em setembro, representando um acréscimo de 101,2%.

Impacto na saúde durante a estação seca

O estudo examina a correlação entre a presença de poluentes no ar, as oscilações térmicas e os casos de óbitos e internações por enfermidades respiratórias e cardiovasculares, abrangendo registros de janeiro de 2016 até julho de 2026. Essa alta expressiva nas admissões hospitalares acontece sobretudo na temporada de estiagem, entre os meses de junho e outubro, período em que a densidade de material particulado fino, chamado de PM2,5, eleva-se na região.

Evolução mensal das hospitalizações

Conforme os registros do Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH/SUS), a média mensal de internações respiratórias apresenta o seguinte comportamento ao longo do ano: janeiro registra 82 casos; fevereiro, 85; março, 91; abril, 96; maio, 102; junho, 112; julho, 124; agosto, 148; setembro, o pico com 165; outubro, 128; novembro, 94; e dezembro, 86. Cabe destacar que estes números correspondem a médias mensais consolidadas do período avaliado, e não ao somatório de um ano específico.

Efeitos no sistema cardiovascular

Além do impacto pulmonar, o documento identificou um crescimento expressivo nas internações motivadas por problemas cardíacos durante os períodos de maior contaminação. A média mensal de pacientes hospitalizados por essas causas sobe de 210 em janeiro para 298 em setembro, configurando uma alta de 41,9%. Durante o mês de agosto, os registros apontam 285 internações cardiovasculares, enquanto outubro contabiliza uma média de 265 casos. Somando os dois grupos de enfermidades, o volume médio mensal de internações atinge 463 ocorrências em setembro, em comparação com as 292 registradas no primeiro mês do ano.

O cenário ambiental esclarece o panorama clínico: o mês de setembro detém a maior taxa média de material particulado fino no Acre, alcançando 65,59 microgramas por metro cúbico (µg/m³). Tal índice supera em mais de quatro vezes o patamar anual de 15 µg/m³ sugerido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), com picos diários que ultrapassaram 285 µg/m³. Formado por partículas microscópicas capazes de atingir as vias respiratórias mais profundas, o PM2,5 reforça a urgência de intensificar o monitoramento atmosférico e as estratégias de prevenção na época de seca, quando a população enfrenta maior vulnerabilidade à fumaça e ao calor intenso.

Compartilhe esta notícia

Notícias Relacionadas

Gerar Post/Story

Arraste elementos para posicionar • Segure Shift + arraste para mover o fundo
Texto
Tamanho
Cor
Imagem
Zoom
Escurecer
Cor
Categoria
Fundo
Texto
Logo
Tamanho
Legenda